Sete Rios em Constância

Foto: Tito Santos
No dia 1 de Outubro de 2011, um grupo da igreja baptista de Sete Rios, deslocou-se até Constância, para fazer canoagem.
Estava um dia lindo de sol e lá fomos nós, embalados no mesmo espírito, rio abaixo até Tancos , nosso destino final.
A meio do percurso parámos para observar a natureza e esperar por alguns que tardavam a chegar. Houve tempo ainda para atracar e visitar o Castelo de Almourol, em estilo de momento cultural, enquanto outros mergulhavam no Tejo.
Chegados a Tancos, e com muita brincadeira pelo meio e a acusar já algum cansaço, aguardavam-nos duas carrinhas que nos levariam novamente ao local de partida: Constância.
Depois de nos despirmos e vestirmos com roupa seca, rumámos ao restaurante, onde fomos servidos tão generosamente que só pensamos em lá regressar.
No final do dia, sobrou tempo e vontade para visitar o “Jardim-Horto de Camões”. Vejam as fotos, regalem-se e vão passar um dia como este a Constância.
Texto Paula Loja
Out 2011 
foto: Paula Loja

CONHECENDO O DEUS DA PALAVRA

O meu povo está sendo destruído porque lhe falta conhecimento”

(Oséias 4: 6a)


Os povos semíticos (particularmente os hebreus) traçavam uma clara distinção entre o conhecimento e a sabedoria. Para eles, a sabedoria envolvia não apenas o aspecto intelectual, uma espécie de compreensão puramente teórica, mas significava a “aplicação prática” daquilo que tinha sido percebido em termos puramente teóricos. Por outras palavras, o sábio era alguém capaz de agir de um modo prático, aplicando o conhecimento  adquirido intelectualmente.

Uma pessoa que fosse possuidora de um profundo conhecimento intelectual, mas que não agisse, na prática, de acordo com o que sabia, era tida como não sábia. Ser sábio, portanto, implicava moldar os actos, as atitudes e o comportamento à dimensão do conhecimento intelectual adquirido.

Por sua vez, o conceito semítico de conhecimento, embora envolvesse o aspecto intelectual (ou seja, entendimento), representava muito mais que uma simples capacidade de percepção ou de compreensão do objecto a ser conhecido. Estava incluído nesse conceito um elemento de cariz afectivo e emocional.

É exactamente esta perspectiva, que envolve os aspectos afectivo e emocional, que predomina no texto bíblico, sobretudo quando se refere ao relacionamento de Deus com o povo de Israel, ou quando se trata da relação conjugal entre um homem e uma mulher (ex. Isaías 55:5; Jeremias 9:24; Amos 3:2; Mateus 1:22; 7:23; João 17:25). Não é possível interpretar estas passagens de um modo razoável, a não ser que o conceito de “conhecimento”, nelas mencionado,  envolva aspectos afectivos (e emocionais).

O profeta Oséias, ao longo do relato do histórico, exorta e instiga o povo de Israel ao arrependimento, na tentativa de convencê-lo a voltar-se para Deus.

Enquanto este se ia afastando do seu Libertador, e por isso sofrendo as duras consequências dos seus actos e das suas escolhas, Oséias, na qualidade de porta-voz de Deus, apresenta-nos o diagnóstico divino e a causa primária do desastre sociopolítico, moral e espiritual que povo experimentava.

Para Oséias, o povo de Israel (que incluía as 10 tribos do Norte) estava a viver aquela calamidade por causa do seu afastamento de Deus. Na linguagem usada pelo profeta, esse afirma que o povo estava a ser destruído por falta de conhecimento. Aqui, conhecimento deve ser entendido como uma boa e saudável relação com Deus, isto é, uma relação afectiva que resulta do entendimento daquilo que Deus é, em Seu ser e carácter, e da Sua bondade para com o Seu povo.

Por outras palavras, o povo estava a perecer por ter rejeitado as orientações do seu Deus, que só podiam ser conhecidas através da leitura, da meditação e da obediência à Sua lei (Oséias 4:6c), visto que não é possível amar a Deus longe da esfera de acção da Sua Palavra. Não existe experiência cristã genuína e equilibrada onde a Palavra de Deus, que nos revela esse mesmo Deus, esteja ausente ou seja irrelevante (João 14: 21,23).

Podemos afirmar que a saúde e a maturidade espirituais são directamente proporcionais ao apego à Palavra inspirada, de Deus, por meio da qual somos santificados (João 17:17). Este equilíbrio é inevitável!

Oséias insiste, afirmando que o conhecimento de Deus, isto é, uma relação íntima, afectiva e reverente, é mais importante do que uma religiosidade racional, externa e formal (Oséias 6: 3,6). Por sua vez, é a Palavra de Deus, a Sua revelação especial, que nos oferece um entendimento correcto e mais profundo do ser e do carácter daquele a quem devemos conhecer por meio da fé, com amor, afecto e santa reverência.

Que o nosso apego à Palavra de Deus, guia infalível para a vida, nos aproxime, cada vez mais, ao conhecimento do grande “Eu Sou”.

Soli Deo Gloria!

                                                                                                            Samuel Quimputo
Boletim nº 119
25 de Setembro de 2011

O DEUS-HOMEM: A DOUTRINA

Depois de termos estudado a doutrina da Encarnação do Senhor Jesus e da Sua Divindade (ou eidade), é chegado o momento de estudarmos a Doutrina da Sua dupla natureza. Para tal, é preciso começarmos com a difícil (e muitas vezes mal compreendida) doutrina da Sua subordinação ao Pai.
O Novo Testamento, em várias ocasiões, afirma a subordinação do Filho ao Pai. Por isso, é de extrema importância a compreensão do significado bíblico dessa verdade, visto que na nossa cultura (ocidental e pós-moderna) a subordinação é vista como sinónimo da inferioridade. Ser submisso a alguém é considerado como assumir um estatuto de inferioridade (e de pequenez) em relação a ele.
Com base nesta perspectiva, e com algum apoio linguístico, ser subordinado a alguém é estar “debaixo” da sua autoridade. Um subordinado não está no mesmo escalão (ou patamar) daquele a quem se submete. O prefixo “sub” significa “sob”, e “super” significa “sobre” ou “acima de”.
Contudo, no plano divino e no que diz respeito a doutrina da redenção, o Filho voluntariamente assume o papel da subordinação ao Pai. É o Pai que envia o Filho ao mundo; e Este obedientemente vem à Terra para fazer a vontade do Pai. “Não há nenhum senso de obediência relutante” (R. C. Sproul) (Filipenses 2: 5 – 11).
Na Trindade, todos os membros são iguais em natureza, em honra e em glória. São eternos e possuem, todos, existência própria; partilham todos as mesmas características e todos os atributos da deidade.
Tal como o são em glória, o Pai e o Filho são um em sua vontade. “O Pai deseja a redenção tanto quanto o Filho. O Filho almeja realizar a obra da salvação, assim como o Pai almeja que Ele o faça” (R. C. Sproul) (João 2:17; 4:34).
Toda a subordinação do Filho ao Pai se realiza no processo da Sua missão como Redentor da Humanidade. É nesse contexto (e nesta condição) que assume a Sua subordinação ao Pai.
Vejamos, então, as provas bíblicas dessa verdade acerca do Senhor Jesus: 
1.      Ele disse explicitamente que o Seu Pai (o Pai) é maior do que Ele (João 14: 28);
2.      Ele é descrito como o Unigénito (o primogénito da herança do Pai” (João 3: 16; Colossenses 1: 15); é também descrito como tendo sido “gerado” pelo Pai (Sal. 2: 7; Actos 13: 33; Hebreus 1: 5; 5:5);
3.      Ele afirmou que vivia pelo (por causa do) Pai (João 6: 57); 
4.      Afirmou também que tinha sido enviado pelo Pai (João 6: 39; 8:29); 
5.  Ele recebeu o mandamento do Seu Pai acerca de tudo o que deveria fazer, na qualidade de Seu enviado (João 14: 31; 10:18); 
6.  Da mesma forma, Ele afirmou ter recebido a Sua autoridade do Pai (João 5: 26, 27); 
7.      O Filho nada podia fazer independentemente do Pai (João 5: 19). Esta verdade revela de um modo singular a dependência e a subordinação do Filho ao Pai;
8.      A mensagem que ensinava vinha do Pai (João 8: 26, 28; 14:10); 
9.      As obras que realizava eram realizadas pelo Pai, por Seu intermédio (João 14: 10; 17:4); 
10.  O Seu reino era um reino que lhe tinha sido outorgado (destinado ou confiado) pelo Pai (Lucas 22: 29); 
11.  Depois da conclusão da Sua missão, Ele entregará o reino ao Pai e Ele mesmo se sujeitará ao Pai (I Coríntios 15: 24, 28); 
12.  Paulo afirmou que o Pai é a cabeça do Filho (I Coríntios11:3); 
13.  Ele leva-nos (e traz-nos) a Deus, o Pai (Hebreus 2: 10; Jud.24).


(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden)

Pastor Samuel Quimputo

AMANDO E ADORANDO O SENHOR DA GLÓRIA

“E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento”

Os nossos irmãos do passado, conhecidos como os puritanos, marcaram várias gerações da Sociedade da qual fizeram parte. Eram distinguidos pela sua devoção a Cristo, enfatizando, entre outras coisas, a santidade de vida, marca esta que os identificava e os diferenciava do resto dos seus concidadãos, e o zelo pela glória do Senhor, que condicionava o seu estilo de vida, influenciando, de um modo profundo, a forma da sua adoração.

Na sua busca por uma fé ortodoxa e bíblica, redescobriram o verdadeiro propósito da existência humana. Segundo esses dedicados cristãos, a razão pela qual o ser humano fora criado era a glória do seu Criador.

O conceito hebreu (e também semítico) de glória envolve a ideia de esplendor, de brilho, de grandiosidade, de fama e também de beleza. Esta é a razão pela qual o Senhor Deus, ao criar o mundo (kosmos), com beleza e harmonia inimitáveis, deixou marcas inconfundíveis da sua sabedoria e do seu poder, com o propósito de suscitar espanto e admiração no coração e na mente de qualquer observador atento (Salmo 19:1; Romanos 1:19-20).

A Bíblia afirma que Deus criou tudo para a sua própria glória. Este é, sem sombra de dúvida, o propósito básico e eterno que dá sentido ao significado da imagem que o Criador imprimiu no Homem, Seu representante autorizado, e principal gerente de tudo o que fora criado (Isaías 43:7, 21).

Essa glória de Deus, a ser reconhecida e exibida pelo Homem, não pode ser partilhada com nenhum outro ser (Isaías 42:8; 48:11; 60:21). Agir de modo contrário revela uma atitude de afronta ao grande “Eu Sou”. Esta é a razão por que todo aquele que conhece Deus, procura viver de um modo condizente com o carácter do seu Pai, através da prática de boas acções, cujo objectivo é levar os outros a glorificarem o Criador (Mateus 5:16).

Se o reconhecimento e a promoção da glória Deus é o propósito (ou razão de ser) da existência humana, resta saber os mecanismos pelos quais esta glória é promovida, o que suscita, desde logo, uma pergunta: Como proceder de modo que as nossas vidas sejam instrumentos da graça divina e meios reveladores da Sua glória?

É neste ponto que a questão do primeiro (e o maior) mandamento se mostra relevante. A primazia deste mandamento tem a ver com a sua importância. Ele funciona como a mola propulsora de toda a verdadeira espiritualidade.

Ao responder à pergunta do escriba, versado na lei, talvez disposto a debater os cerca de 613 mandamentos nos quais a lei mosáica era desfragmentada pelos rabinos de então, o Senhor Jesus, de um modo magistral, apontou para a essência da verdadeira espiritualidade e da autêntica adoração.

Não é possível adorar a Deus em espírito e em verdade, com sinceridade de coração, a menos que a glorificação do Seu nome sirva de motivação angular. Por sua vez, não é possível promover a glória de Deus a não ser que o coração daquele que adora esteja saturado com fé e com um amor profundo, que envolva todas as suas faculdades pessoais (mente, volição, emoção, afectos e imaginação). É por meio de um coração amoroso que Deus é glorificado. E a verdadeira adoração acontece quando Deus é, de facto, amado.

Citando o Shema de Israel (Deuteronómio 6:4,5), lido duas vezes ao dia pelos judeus, o Senhor Jesus aponta-nos o caminho para a verdadeira adoração, que consiste no amor santo e singular, direccionado Àquele que é o Único e verdadeiro Deus, revestido de glória e majestade, digno de ser amado.

Soli Deo Gloria!                                       

Pr. Samuel Quimputo
Boletim nº 118
28 Agosto de 2011

A Descoberta do Verdadeiro "Eu"

"Então Jó respondeu ao Senhor, dizendo: Eis que sou vil; que te responderia eu? A minha mão ponho à boca"

O livro de Jó, provavelmente o mais antigo registo histórico de toda a Bíblia, é uma das mais dramáticas peças de literatura inspirada, que nos conta a história de um homem, Jó, que de um modo profundamente intenso experimentou os extremos de uma vida com todos os seus paradoxos e tensões existenciais.
O nome Jó (uma transliteração do hebraico Iyyôbh) quer dizer “odiado” ou “perseguido”, o que, de certa forma, denuncia o desenrolar da história do agudo sofrimento relatada em todo o livro, que leva o seu próprio nome.
Os acontecimentos na vida de Jó, relatados no texto bíblico, sucedem-se, no espaço e no tempo, com uma frequência estonteante, envolvendo ainda aqueles que mais amava e procurava proteger, os seus filhos, por quem intercedia, com regularidade, diante de Deus (Jó 1: 5).
Convém chamar a atenção para o facto de que, enquanto este ancião experimentava as suas “agonias da alma” e era atingido pelas “setas impiedosas” da dor física e psíquica, não fazia a mínima ideia do diálogo travado entre Deus e Satanás, com desafios mútuos de ambos os lados da contenda.
Este homem, qualificado de íntegro e justo (ou recto), nutria um santo respeito e uma saudável reverência pelo seu Criador, de quem reconhecia a proveniência de tudo o que possuía.
A fé que fazia de Jó um patriarca reverente, apesar de muito rico, foi desafiada de uma forma brutal e quase insuportável. Acresce-se o facto de que, durante o duro teste, ele “provou o fel” da alma, uma das mais dolorosas e antinaturais experiências da vida humana, que consiste no facto dos pais terem de enterrar os seus próprios filhos.
Depois de uma longa, intensa e inquietante conversa (diga-se discussão) com os seus amigos, dominada por argumentos e contra-argumentos teológicos e existenciais, Deus resolve entrar em cena. Primeiro, fala com Jó, e depois, desafia a sabedoria dos seus amigos, refutando os seus argumentos falaciosos, exigindo que se retratassem diante do sofredor Jó. A intervenção de Deus revelar-se-á restauradora para Jó, e o diálogo com o Todo-poderoso levá-lo-á a uma descoberta sem precedentes.
Como resultado do desafio e dos argumentos divinos (nos capítulos 38 e 39), a auto-justiça de Jó cai por terra, levando-o a fazer uma das descobertas psicológicas (de psyché - alma) e espirituais mais importantes da vida..
A lição, clara, que aprendemos da experiência de Jó é que, só quando se conhece, de facto, a majestade, a soberania e o senhorio de Deus sobre toda a Sua criação é que começamos a entender algo sobre nós, a nossa pequenez e insignificância.
Pela primeira vez, Jó sentiu-se desarmado, sem argumentos a favor da sua justiça própria, reconhecendo que até aí não possuía um correcto conhecimento do Altíssimo (Jó 42: 5). Embora diante dos amigos tenha tentado (com firmeza e lógica) provar a sua rectidão e pureza de vida, agora, ele se prostra diante daquele que é três vezes santo e reconhece que é vil, isto é, não digno, cuja boca deve ficar em silêncio.
Com o sinal de “tapar a boca com a mão”, Jó compreende a sua humanidade, a sua limitação; aprende a conhecer-se  e reconhece o seu lugar.
Que a graça divina nos alcance, trazendo-nos um conhecimento mais profundo da pessoa e do carácter do grande “Eu Sou”. Que todos aprendamos, com o exemplo da humildade de Jó, a reconhecer a nossa fragilidade e parcialidade na compreensão dos mistérios divinos e de certas realidades que nos cercam e nos atingem. Que o Senhor nos dê a graça de descobrirmos, por meio da confrontação com a Sua Palavra inspirada, o nosso verdadeiro “eu” e quanto dependemos da Sua graça e providência.

Soli Deo Gloria!                                  
Pr. Samuel Quimputo
in Boletim 117
31 Julho 2011



Quando Deus Parece Ausente

“Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que sperais”



Todos nós, em algum momento da nossa vida, já experimentámos a sensação de termos chegado ao fim da linha: Sonhos frustrados, segurança abalada, confiança traída, notícia inesperada de uma doença grave, um despedimento sem pré-aviso, conta bancária lapidada por um burlão informático, uma profunda crise existencial, uma sensação de vazio interior e de falta de significado para a vida, etc. Várias são as situações que nos causam calafrios e que nos levam a sentir um apertado “nó” no estômago, bloqueando a nossa capacidade de raciocínio e paralisando as nossas forças.

Nesses momentos, de um modo geral, pensamos que tudo isso só nos acontece a nós, e esse raciocínio leva-nos a desenvolver um sentimento de auto-comiseração. Sentimo-nos as pessoas mais injustiçadas do mundo.

Em alguns momentos, Deus e a Sua intervenção chegam a ser postas em causa. Muitas vezes, nestas situações, a fé de alguns é abalada, fazendo com que esses crentes questionem e duvidem do poder ou da bondade de Deus para com eles.

O capítulo 29 do livro do profeta Jeremias é uma carta dirigida aos judeus exilados na Babilónia. É uma bela carta que podia ser intitulada “Uma Carta Magna ao Emigrante”. Nela, Deus orienta o Seu povo, dando-lhe algumas instruções importantíssimas sobre como viver e desfrutar dessa nova experiência de vida, embora estejam numa terra estranha.

Contudo, a grande ênfase da carta reside no facto de Deus mostrar ao Seu povo  que, apesar da aparente sensação de abandono ou de esquecimento por parte do Todo-Poderoso, Ele continua a ser o mesmo Senhor que controla o mundo e todos os acontecimentos que nele se desenrolam. Esta é, sem dúvida, a razão pela qual Deus, começa por se apresentar como “Jahweh dos exércitos, o Deus de Israel” (v.4).

Ele queria que o povo soubesse que continuava a ser dele o trono que governa o mundo e dirige o curso da História. Portanto, não havia razão para o desespero, para o desânimo. Nada estava acabado; a história de amor entre Deus e o Seu povo ainda não tinha chegado ao fim.

Para provar que o Seu coração ainda pulsava pelo bem-estar da Sua amada, Deus revela o Seu estado emocional, dizendo que os pensamentos (planos ou projectos) acerca desses homens e mulheres, no exílio, ainda continuavam a ser de “paz e não de mal”. Quer dizer que, apesar das circunstâncias de desprezo e de humilhação (pelo abandono da terra natal), a presente condição na qual viviam, fazia parte de um processo pedagógico, cujo fim culminaria com o regresso certo à sua terra natal (v.10).

Portanto, a realização do seu maior sonho, era algo que ocupava os pensamentos do bom Deus. Ele estava pronto a dar-lhes “o fim que esperavam”.

Que diante de circunstâncias adversas, de dificuldades ou de dor, as palavras desta carta, cheia de esperança, nos sirvam de bálsamo e de estímulo para que não desfaleçamos no nosso ânimo, mesmo quando tudo nos pareça sem solução e as nossas forças nos pareçam fracas demais para continuarmos a caminhar no trilho da nossa peregrinação terrena.

Que as nossas mentes sejam constantemente estimuladas pela verdade incontestável de que Deus, o Todo-poderoso, o grande “Eu Sou”, continua a dirigir as nossas vidas e a cuidar de nós, onde quer que seja e em que circunstância for, cientes de que, no fim, tudo contribuirá para o nosso bem e para a exaltação do Seu santo nome. Soli Deo Gloria!  
                                                         

Pr. Samuel Quimputo
Boletim 116
26 de Junho 2011


A DEIDADE E A HUMANIDADE DE CRISTO

No nosso estudo sobre a doutrina da encarnação, abordámos alguns pontos importantes e que esclarecem o que a encarnação é e o que não é. No seu nascimento virginal, a criança que Maria deu à luz era o próprio Filho eterno de Deus, preexistente mas que adquiriu uma segunda natureza, que é humana.

A Bíblia afirma que o Senhor Jesus, o menino nascido em Belém, é divino. A verdade acerca da Sua divindade (ou deidade) preenche as páginas das Escrituras.

Em primeiro lugar, convém enfatizar o facto de que alguns nomes divinos Lhe são atribuídos, o que subentende, claramente, a Sua deidade. Entre eles constam os seguintes títulos:

Filho de Deus – por cerca de quarenta vezes Ele é chamado de Filho de Deus, isto é, o Unigénito do Deus Pai, partilhando da mesma natureza do Pai (João 1: 18).

O Princípio e o Fim – Esses termos expressam a ideia da deidade, visto que, não existe nada antes do começo e depois do fim a não ser o próprio Deus, que tudo criou e integrou dentro do tempo (Apocalipse 1: 17). Ele é o “Santo” e o “Justo”, por excelência (Actos 3: 14).

O Senhor – centenas de vezes, no Novo Testamento, Ele é chamado de “Senhor”, termo usado, com frequência, como o equivalente de “Jeová” ou “Yahweh”, no Velho Testamento. Ele é o “Senhor da glória” (I Coríntios 2: 8 cf. Salmo 24 – Rei da glória).

Deus – o Seu nome “Emanuel” significa “Deus connosco”. Ele é o próprio Deus Filho que veio para habitar entre nós (Mateus 1:23). Tomé chamou-o “Deus” (João 20: 28). Ele é o Grande Deus e Salvador (Tito 2: 13) e Deus bendito (Romanos 9: 5).

Para além dos nomes divinos que Lhe são conferidos, há também atributos divinos que Lhe são atribuídos.

Omnipotência – Em Hebreus 1: 3 nos é dito que “Ele sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder”. Paulo diz-nos em I Coríntios 15: 27 que Ele domina sobre tudo.

OmnisciênciaJoão 2: 24, 25 refere-se ao facto de que o Senhor Jesus sabia tudo o que estava no interior do homem, conhecendo e desvendando os pensamentos ainda não expressos verbalmente.

Omnipresença – A presença do Senhor Jesus abrangente e preenche todo o espaço de adoração (Mateus 18: 20; 28: 20). Ele podia estar na terra enquanto se referia à Sua presença simultânea no céu (João 3: 13; Efésios 1: 23).

Eternidade – A Sua eternidade e imutabilidade são claramente confirmadas nas páginas das Escrituras Sagradas (João 1: 1; Hebreus 13:8). Ele é preexistente (João 17: 5; Filipenses 2:6; Colossonses 1: 17; 2:9).

Da mesma forma, a Bíblia atribui ao Senhor Jesus funções divinas, tais como:

CriaçãoJoão 1:3; Colossenses 1:16, 17; Hebreus 1: 3, 10;

Perdão de pecadosMarcos 2: 5;

Autoridade sobre a morteJoão 6: 39 – 44; Filipenses 3: 21;

Julgamento (juízo) – João 5: 22,23; Actos 17: 31; 2 Timóteo 4: 1;

Conceder vidaJoão 10: 28; 17:2.

Ele é honrado e adorado como o é o Pai – Mateus 28: 9; Lucas 24:52; I Cor. 1: 2; Actos 7: 59; João 5: 23; Filipenses 2: 10.

(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul e Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd e Teologia Sistemática de Wayne Gruden).

Pastor Samuel Quimputo

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