TUDO TEM A VER COM A GRAÇA

“Porque, quem te faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido?
E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?”
(1 Coríntios 4:7)

Um dos mais devastadores efeitos da Queda, no ser humano, verifica-se na “crise de identidade” que domina o seu coração, levando o Homem, muitas vezes, a fazer uma avaliação errada e distorcida de si mesmo.
De um modo geral,  essa autoavaliação revela a arrogância e o sentimento de auto-suficiência que caracterizam a sua natureza decaída, pecaminosa e rebelde. Não é sem razão que a virtude mais elevada que a Bíblia apresenta, diante do pecador que se confronta com a revelação divina, seja a humildade. Como alguém afirmou: “a humildade é a porta de entrada no Reino de Deus” (Mateus 5:3).
Infelizmente, mesmo entre aqueles que confessam a fé cristã, caracterizada  pela graça de Deus, que alcança o pecador, arrancando-o das trevas e das “garras” de Satanás para um reino onde reina o amor, é possível encontrar alguns restos dessa atitude carnal e  mundana que apela por méritos.
Embora a Bíblia afirme, claramente, que a nossa salvação tem como causa última o próprio Deus e a Sua maravilhosa graça, há sempre uma tentativa de atribuir ao Homem algum grau de mérito. Muitas vezes, a fé (salvadora) evidenciada pelo crente, no momento da conversão, é apontada como  um atributo, cujo valor meritório reside, intrinsecamente, no seu ser.
Paulo conhecia bem, por experiência própria e pela observação objectiva, a inclinação humana para a usurpação dos méritos que devem ser atribuídos somente a Deus. Por esta razão afirma que a salvação e a própria fé são dons de Deus, isto é, manifestações da Sua misericórdia e da Sua graça (Efésios 2:8,9).
A fé não é a causa  da salvação daquele que crê. A Bíblia nunca afirma tal coisa. O que ela diz é que a fé é o “meio instrumental” pelo qual  a graça de Deus chega ao coração do pecador. Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) é a fonte de todo o poder e de toda a vitalidade que opera a regeneração no coração do pecador. Somos salvos pela graça mediante a fé (Efésios 2:8).
A Bíblia desafia e incentiva os crentes a perseverarem na fé até ao fim, isto é, a batalharem arduamente pela fé, uma vez dada aos santos, sem desfalecer. Este é um desafio sério que exige, da parte do crente, um esforço diligente que o leva a lutar contra tudo o que afecta a sua comunhão com o Senhor, e desonra a Sua santidade.
Contudo, a perseverança, por sua vez, não constitui a causa da salvação (final) do crente. Apesar da sua importância, ela não é mais do que uma evidência externa da própria obra santificadora que o Espírito Santo estará a realizar no interior do crente. O crente justificado irá perseverar até ao fim!
No trecho de 1Coríntios 4, Paulo está a combater a arrogância dos coríntios (e de todos nós), fazendo estas perguntas retóricas, a fim de levar os seus destinatários (e todos nós) a uma atitude de humildade que reconheça o facto de que, como humanos que somos, não passamos de míseros devedores da graça divina, que nada merecemos, e que, por toda a eternidade, estaremos em constante débito para com o nosso bondoso Deus.
A lição a ser aprendida por todos os que vivem para a glória de Deus é que, tudo o que somos e temos é fruto da graça e da bondade do Eterno Deus, que nos amou, nos salvou e nos adoptou como filhos do Seu Reino.
Que o Senhor nos livre da síndrome de Lúcifer.

Soli Deo Gloria!                                                                                                     
Pr.Samuel Quimputo

OS OFÍCIOS DO SENHOR JESUS (continuação)

2. CRISTO – O SACERDOTE
Como temos vindo a salientar, o Senhor Jesus, na qualidade de Mediador, daquele que se posiciona entre Deus e os homens, exerce a Sua missão e mediação por meio de três funções (ou ofícios) principais, que são: Profecia, Sacerdócio e Reino.
Como vimos, temos necessidade de um Profeta por causa da nossa ignorância espiritual, visto que o pecado, com o seu poder tenebroso, cegou o entendimento da humanidade, levando-a a uma insensibilidade espiritual mortal (Efésios 4: 17-17).
O Profeta é aquele que é o porta-voz de Deus diante dos homens; é o meio pelo qual Deus fala ao seu povo. É o Seu representante autorizado diante dos homens.
Se por um lado precisamos de um Profeta, por outro, temos a necessidade de um Sacerdote, alguém que nos representasse diante de Deus; alguém que vai a Deus da parte dos homens. Precisamos, portanto, de alguém que nos liberte, não só do pecado, mas também da culpa e de todas as consequência que ela traz consigo.
Um dos textos mais expressivos acerca do ministério de um sacerdote, encontra-se em Hebreus 5: 1-5, visto que esta epístola teve como finalidade, entre outras coisas, revelar e provar a preeminência da pessoa do Senhor Jesus, especificamente, sobre o ministério sacerdotal de Arão.
Precisamos de um Sacerdote porque é necessário que sejamos libertos da culpa do pecado. Necessitamos de alguém que possa compadecer-se de nós e comparecer diante de Deus por nós, em nossa defesa. Por isso, o Senhor Jesus Cristo teve que assumir a função de Sumo-Sacerdote (Hebreus 4: 15).
Não é possível entender a verdadeira mensagem da Bíblia, e particularmente do Novo Testamento, sem antes compreender o ministério sacerdotal do Senhor Jesus, isto é, compreender a doutrina do sacrifício expiatório. A expiação é a linha divisória entre uma teologia verdadeiramente bíblica e apostólica e aquela que traz consigo elementos novos, e muitas vezes, alheios ao ensino apostólico.
O sacerdócio do Senhor Jesus é “uma espécie de tipo do qual Cristo mesmo é o antítipo”, isto é, a essência de algo e aquilo que ele próprio representa.
Qual é, então, a natureza e a função de um sacerdote? Segundo Hebreus 5, o sacerdote é alguém que:
a) devia ser tomado entre os homens a fim ser seu representante (v. 1)
b) seria escolhido e designado por Deus (v. 4);
c) agiria no interesse dos homens, nas coisas pertencentes a Deus (v. 4);
d) teria que oferecer sacrifícios pelos pecados (v. 1). 
Um outro requisito, dos mais importantes, tinha a ver com a própria pessoa do sacerdote. Requeria-se que sacerdote fosse santo, isto é, separado para Deus e para as coisas de Deus; alguém moralmente puro e consagrado ao Senhor (Levítico21: 6- 8).

A função do sacerdote era, basicamente, a da mediação que consistia em duas coisas principais:
- Fazer propiciação por meio de sacrifícios e;
- Interceder a favor do povo.

A propiciação quer dizer “aquilo que satisfaz as exigências da santidade violada, isto é, a santidade de Deus” (Romanos 3: 24; 1 João 2:2). O sacerdote faz propiciação, oferecendo ofertas e sacrifícios, visto que o sangue “cobre” o pecado. Propiciar, portanto, significa satisfazer as exigências pela santidade divina violada. Por sua vez, expiar significa extinguir a culpa; “quitar” a pena, fazer reparação por algo. E tudo isso leva, necessariamente, à reconciliação, que quer dizer estabelecer um acordo (Gálatas 1: 4); literalmente, significa “o que é da mesma opinião.
Isso leva-nos a um ponto mais alto, no qual iremos enfatizar três aspectos principais acerca do Senhor Jesus, como nosso suficiente Sacerdote.

(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden)

Pastor Samuel Quimputo


Os ofícios do Senhor Jesus

1. CRISTO – O PROFETA
O Cristianismo é uma fé baseada na Revelação, no conhecimento do verdadeiro Deus. Portanto, a fé cristã não é uma simples filosofia ou uma religião em que o Homem, usando as suas capacidades e faculdades intelectuais, procura encontrar Deus ou a Causa última da existência.
Antes pelo contrário, a fé cristã é uma vivência fundamentada na Revelação, exclusiva e suficiente, das Sagradas Escrituras. E, todo aquele que professa essa fé deve ser capaz de justificar a razão da sua confiança (e esperança) nela (I Pedro 3: 15).
Embora a Bíblia não seja o único meio através do qual Deus se revelou, visto tê-lo feito também pela história, pela natureza e pela criação, é através dela que o Criador se revelou de forma mais clara e específica. É pela Bíblia que a Sua pessoa e os Seus atributos morais são manifestamente expressos.
Todas as tentativas filosóficas e, muitas vezes, especulativas não são (e nunca foram) suficientes de modo a proporcionar o conhecimento do verdadeiro Deus, visto que as próprias faculdades de compreensão e de percepção espirituais sofreram danos, e foram obscurecidas pelo pecado. Assim, somos levados a concordar com o pensador e matemático francês Blaise Pascal, ao afirmar que “ a suprema realização da razão é indicar-nos o limite da razão”. Esta verdade é comprovada pelas Escrituras. Paulo disse que “o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria” (ICoríntios 1: 21 cf. Romanos 1: 18 – 23).
A única fonte fidedigna, da qual recebemos a mais clara revelação de Deus, é (e deve ser) a Bíblia. Ela é a Palavra de Deus, infalível em todas as questões de fé e de conduta, a autoridade padrão em questões de teologia.
Depois de abordarmos as doutrinas relacionadas à Pessoa do Senhor Jesus, chegou o momento de analisarmos a Sua Obra, visto que só um conhecimento da Sua Pessoa nos pode capacitar a compreender a Sua magnífica obra e, consequentemente, a nossa própria salvação. “É completamente impossível entender a obra do Senhor Jesus Cristo até que sejamos esclarecidos sobre a Sua Pessoa” (Martin Lloyd-Jones). Os próprios discípulos só chegaram a entender a obra do Senhor Jesus à luz da Sua ressurreição. Este facto foi determinante na compreensão da Sua missão e da Sua obra redentora (João 16; 12, 13). Não podemos compreender a Sua morte e a expiação efectuada a não ser que, em primeiro lugar, tenhamos um claro entendimento acerca de quem Ele é, realmente.
A vinda do Senhor Jesus ao mundo teve dois propósitos básicos: reconciliar-nos com Deus e restaurar-nos àquela condição da qual caímos com Adão. A obra realizada pelo Senhor é, portanto, reconciliadora e restauradora. Ele agiu desta forma na qualidade de Mediador entre Deus e os homens (Actos4: 12).
Como Mediador e Redentor, o Seu Ofício teve três funções principais: de Profeta, de Sacerdote e de Rei. Evidentemente, os três ofícios estão concomitantemente relacionados. Ele é um Profeta sacerdotal e um Profeta real; um Sacerdote profético e um Sacerdote real; um Rei profético e um Rei sacerdotal.
Como humano decaídos que somos, precisamos de um profeta, porque é necessário que sejamos libertos e salvos da ignorância espiritual resultante do pecado, visto que a queda afectou homens e mulheres, deixando-os sem conhecimento natural do Deus vivo (Isaías 9: 2; Efésios 4: 17: 18).
Como Profeta, o Senhor Jesus é o mensageiro de Deus, a quem foi dada uma palavra profética a ser transmitida. “O profeta é um homem a quem foi confiada uma mensagem da parte de Deus” (Martin Lloy-Jones). A profecia envolve prenúncio e predição (2 Pedro 1: 20,21).
Por acréscimo, na Sua função de Profeta, o Senhor Jesus foi um mestre e um instrutor incomparável (Deuteronómio 18: 15 cf. Actos 3: 19 –26). Ele é o verdadeiro profeta que havia de vir ao mundo (Lucas 13: 33;João 6: 14). O Senhor Jesus sempre falou na qualidade de profeta autorizado de Deus (João 8: 26; 14:10; 12: 49,50).
Tudo isso é sumariado pela designação de “Logos”, o Verbo de Deus. É Ele o verdadeiro agente revelador de Deus, o Pai (João 1: 18).
O Espírito Santo continuou a função profética do Senhor Jesus (João 16: 13,14). As Suas palavras, proferidas com autoridade, exercem julgamento (João 12: 47,48; 15: 22).

(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden)

Sete Rios em Constância

Foto: Tito Santos
No dia 1 de Outubro de 2011, um grupo da igreja baptista de Sete Rios, deslocou-se até Constância, para fazer canoagem.
Estava um dia lindo de sol e lá fomos nós, embalados no mesmo espírito, rio abaixo até Tancos , nosso destino final.
A meio do percurso parámos para observar a natureza e esperar por alguns que tardavam a chegar. Houve tempo ainda para atracar e visitar o Castelo de Almourol, em estilo de momento cultural, enquanto outros mergulhavam no Tejo.
Chegados a Tancos, e com muita brincadeira pelo meio e a acusar já algum cansaço, aguardavam-nos duas carrinhas que nos levariam novamente ao local de partida: Constância.
Depois de nos despirmos e vestirmos com roupa seca, rumámos ao restaurante, onde fomos servidos tão generosamente que só pensamos em lá regressar.
No final do dia, sobrou tempo e vontade para visitar o “Jardim-Horto de Camões”. Vejam as fotos, regalem-se e vão passar um dia como este a Constância.
Texto Paula Loja
Out 2011 
foto: Paula Loja

CONHECENDO O DEUS DA PALAVRA

O meu povo está sendo destruído porque lhe falta conhecimento”

(Oséias 4: 6a)


Os povos semíticos (particularmente os hebreus) traçavam uma clara distinção entre o conhecimento e a sabedoria. Para eles, a sabedoria envolvia não apenas o aspecto intelectual, uma espécie de compreensão puramente teórica, mas significava a “aplicação prática” daquilo que tinha sido percebido em termos puramente teóricos. Por outras palavras, o sábio era alguém capaz de agir de um modo prático, aplicando o conhecimento  adquirido intelectualmente.

Uma pessoa que fosse possuidora de um profundo conhecimento intelectual, mas que não agisse, na prática, de acordo com o que sabia, era tida como não sábia. Ser sábio, portanto, implicava moldar os actos, as atitudes e o comportamento à dimensão do conhecimento intelectual adquirido.

Por sua vez, o conceito semítico de conhecimento, embora envolvesse o aspecto intelectual (ou seja, entendimento), representava muito mais que uma simples capacidade de percepção ou de compreensão do objecto a ser conhecido. Estava incluído nesse conceito um elemento de cariz afectivo e emocional.

É exactamente esta perspectiva, que envolve os aspectos afectivo e emocional, que predomina no texto bíblico, sobretudo quando se refere ao relacionamento de Deus com o povo de Israel, ou quando se trata da relação conjugal entre um homem e uma mulher (ex. Isaías 55:5; Jeremias 9:24; Amos 3:2; Mateus 1:22; 7:23; João 17:25). Não é possível interpretar estas passagens de um modo razoável, a não ser que o conceito de “conhecimento”, nelas mencionado,  envolva aspectos afectivos (e emocionais).

O profeta Oséias, ao longo do relato do histórico, exorta e instiga o povo de Israel ao arrependimento, na tentativa de convencê-lo a voltar-se para Deus.

Enquanto este se ia afastando do seu Libertador, e por isso sofrendo as duras consequências dos seus actos e das suas escolhas, Oséias, na qualidade de porta-voz de Deus, apresenta-nos o diagnóstico divino e a causa primária do desastre sociopolítico, moral e espiritual que povo experimentava.

Para Oséias, o povo de Israel (que incluía as 10 tribos do Norte) estava a viver aquela calamidade por causa do seu afastamento de Deus. Na linguagem usada pelo profeta, esse afirma que o povo estava a ser destruído por falta de conhecimento. Aqui, conhecimento deve ser entendido como uma boa e saudável relação com Deus, isto é, uma relação afectiva que resulta do entendimento daquilo que Deus é, em Seu ser e carácter, e da Sua bondade para com o Seu povo.

Por outras palavras, o povo estava a perecer por ter rejeitado as orientações do seu Deus, que só podiam ser conhecidas através da leitura, da meditação e da obediência à Sua lei (Oséias 4:6c), visto que não é possível amar a Deus longe da esfera de acção da Sua Palavra. Não existe experiência cristã genuína e equilibrada onde a Palavra de Deus, que nos revela esse mesmo Deus, esteja ausente ou seja irrelevante (João 14: 21,23).

Podemos afirmar que a saúde e a maturidade espirituais são directamente proporcionais ao apego à Palavra inspirada, de Deus, por meio da qual somos santificados (João 17:17). Este equilíbrio é inevitável!

Oséias insiste, afirmando que o conhecimento de Deus, isto é, uma relação íntima, afectiva e reverente, é mais importante do que uma religiosidade racional, externa e formal (Oséias 6: 3,6). Por sua vez, é a Palavra de Deus, a Sua revelação especial, que nos oferece um entendimento correcto e mais profundo do ser e do carácter daquele a quem devemos conhecer por meio da fé, com amor, afecto e santa reverência.

Que o nosso apego à Palavra de Deus, guia infalível para a vida, nos aproxime, cada vez mais, ao conhecimento do grande “Eu Sou”.

Soli Deo Gloria!

                                                                                                            Samuel Quimputo
Boletim nº 119
25 de Setembro de 2011

O DEUS-HOMEM: A DOUTRINA

Depois de termos estudado a doutrina da Encarnação do Senhor Jesus e da Sua Divindade (ou eidade), é chegado o momento de estudarmos a Doutrina da Sua dupla natureza. Para tal, é preciso começarmos com a difícil (e muitas vezes mal compreendida) doutrina da Sua subordinação ao Pai.
O Novo Testamento, em várias ocasiões, afirma a subordinação do Filho ao Pai. Por isso, é de extrema importância a compreensão do significado bíblico dessa verdade, visto que na nossa cultura (ocidental e pós-moderna) a subordinação é vista como sinónimo da inferioridade. Ser submisso a alguém é considerado como assumir um estatuto de inferioridade (e de pequenez) em relação a ele.
Com base nesta perspectiva, e com algum apoio linguístico, ser subordinado a alguém é estar “debaixo” da sua autoridade. Um subordinado não está no mesmo escalão (ou patamar) daquele a quem se submete. O prefixo “sub” significa “sob”, e “super” significa “sobre” ou “acima de”.
Contudo, no plano divino e no que diz respeito a doutrina da redenção, o Filho voluntariamente assume o papel da subordinação ao Pai. É o Pai que envia o Filho ao mundo; e Este obedientemente vem à Terra para fazer a vontade do Pai. “Não há nenhum senso de obediência relutante” (R. C. Sproul) (Filipenses 2: 5 – 11).
Na Trindade, todos os membros são iguais em natureza, em honra e em glória. São eternos e possuem, todos, existência própria; partilham todos as mesmas características e todos os atributos da deidade.
Tal como o são em glória, o Pai e o Filho são um em sua vontade. “O Pai deseja a redenção tanto quanto o Filho. O Filho almeja realizar a obra da salvação, assim como o Pai almeja que Ele o faça” (R. C. Sproul) (João 2:17; 4:34).
Toda a subordinação do Filho ao Pai se realiza no processo da Sua missão como Redentor da Humanidade. É nesse contexto (e nesta condição) que assume a Sua subordinação ao Pai.
Vejamos, então, as provas bíblicas dessa verdade acerca do Senhor Jesus: 
1.      Ele disse explicitamente que o Seu Pai (o Pai) é maior do que Ele (João 14: 28);
2.      Ele é descrito como o Unigénito (o primogénito da herança do Pai” (João 3: 16; Colossenses 1: 15); é também descrito como tendo sido “gerado” pelo Pai (Sal. 2: 7; Actos 13: 33; Hebreus 1: 5; 5:5);
3.      Ele afirmou que vivia pelo (por causa do) Pai (João 6: 57); 
4.      Afirmou também que tinha sido enviado pelo Pai (João 6: 39; 8:29); 
5.  Ele recebeu o mandamento do Seu Pai acerca de tudo o que deveria fazer, na qualidade de Seu enviado (João 14: 31; 10:18); 
6.  Da mesma forma, Ele afirmou ter recebido a Sua autoridade do Pai (João 5: 26, 27); 
7.      O Filho nada podia fazer independentemente do Pai (João 5: 19). Esta verdade revela de um modo singular a dependência e a subordinação do Filho ao Pai;
8.      A mensagem que ensinava vinha do Pai (João 8: 26, 28; 14:10); 
9.      As obras que realizava eram realizadas pelo Pai, por Seu intermédio (João 14: 10; 17:4); 
10.  O Seu reino era um reino que lhe tinha sido outorgado (destinado ou confiado) pelo Pai (Lucas 22: 29); 
11.  Depois da conclusão da Sua missão, Ele entregará o reino ao Pai e Ele mesmo se sujeitará ao Pai (I Coríntios 15: 24, 28); 
12.  Paulo afirmou que o Pai é a cabeça do Filho (I Coríntios11:3); 
13.  Ele leva-nos (e traz-nos) a Deus, o Pai (Hebreus 2: 10; Jud.24).


(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden)

Pastor Samuel Quimputo

AMANDO E ADORANDO O SENHOR DA GLÓRIA

“E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento”

Os nossos irmãos do passado, conhecidos como os puritanos, marcaram várias gerações da Sociedade da qual fizeram parte. Eram distinguidos pela sua devoção a Cristo, enfatizando, entre outras coisas, a santidade de vida, marca esta que os identificava e os diferenciava do resto dos seus concidadãos, e o zelo pela glória do Senhor, que condicionava o seu estilo de vida, influenciando, de um modo profundo, a forma da sua adoração.

Na sua busca por uma fé ortodoxa e bíblica, redescobriram o verdadeiro propósito da existência humana. Segundo esses dedicados cristãos, a razão pela qual o ser humano fora criado era a glória do seu Criador.

O conceito hebreu (e também semítico) de glória envolve a ideia de esplendor, de brilho, de grandiosidade, de fama e também de beleza. Esta é a razão pela qual o Senhor Deus, ao criar o mundo (kosmos), com beleza e harmonia inimitáveis, deixou marcas inconfundíveis da sua sabedoria e do seu poder, com o propósito de suscitar espanto e admiração no coração e na mente de qualquer observador atento (Salmo 19:1; Romanos 1:19-20).

A Bíblia afirma que Deus criou tudo para a sua própria glória. Este é, sem sombra de dúvida, o propósito básico e eterno que dá sentido ao significado da imagem que o Criador imprimiu no Homem, Seu representante autorizado, e principal gerente de tudo o que fora criado (Isaías 43:7, 21).

Essa glória de Deus, a ser reconhecida e exibida pelo Homem, não pode ser partilhada com nenhum outro ser (Isaías 42:8; 48:11; 60:21). Agir de modo contrário revela uma atitude de afronta ao grande “Eu Sou”. Esta é a razão por que todo aquele que conhece Deus, procura viver de um modo condizente com o carácter do seu Pai, através da prática de boas acções, cujo objectivo é levar os outros a glorificarem o Criador (Mateus 5:16).

Se o reconhecimento e a promoção da glória Deus é o propósito (ou razão de ser) da existência humana, resta saber os mecanismos pelos quais esta glória é promovida, o que suscita, desde logo, uma pergunta: Como proceder de modo que as nossas vidas sejam instrumentos da graça divina e meios reveladores da Sua glória?

É neste ponto que a questão do primeiro (e o maior) mandamento se mostra relevante. A primazia deste mandamento tem a ver com a sua importância. Ele funciona como a mola propulsora de toda a verdadeira espiritualidade.

Ao responder à pergunta do escriba, versado na lei, talvez disposto a debater os cerca de 613 mandamentos nos quais a lei mosáica era desfragmentada pelos rabinos de então, o Senhor Jesus, de um modo magistral, apontou para a essência da verdadeira espiritualidade e da autêntica adoração.

Não é possível adorar a Deus em espírito e em verdade, com sinceridade de coração, a menos que a glorificação do Seu nome sirva de motivação angular. Por sua vez, não é possível promover a glória de Deus a não ser que o coração daquele que adora esteja saturado com fé e com um amor profundo, que envolva todas as suas faculdades pessoais (mente, volição, emoção, afectos e imaginação). É por meio de um coração amoroso que Deus é glorificado. E a verdadeira adoração acontece quando Deus é, de facto, amado.

Citando o Shema de Israel (Deuteronómio 6:4,5), lido duas vezes ao dia pelos judeus, o Senhor Jesus aponta-nos o caminho para a verdadeira adoração, que consiste no amor santo e singular, direccionado Àquele que é o Único e verdadeiro Deus, revestido de glória e majestade, digno de ser amado.

Soli Deo Gloria!                                       

Pr. Samuel Quimputo
Boletim nº 118
28 Agosto de 2011

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