INTERCESSORES QUE EDIFICAM OS OUTROS


“Quanto a mim, longe de mim pecar contra o Senhor, deixando de interceder por vós; eu vos ensinarei o caminho bom e direito” 

Teoricamente, todos os crentes reconhecem o valor e a importância da oração na espiritualidade cristã. Ninguém pode negar o incontestável facto de que a oração é, a par das Escrituras Sagradas, o instrumento por meio do qual o Espírito Santo realiza o Seu ministério da edificação da igreja do Senhor Jesus, derramando bênçãos sem medida, no seio do povo de Deus.

Embora o ministério da oração seja, infelizmente, um dos mais negligenciados por um grande número de crentes, ele continua a ser o elemento sustentador da “saúde” espiritual individual e coletiva dos crentes, e um infalível indicador da maturidade espiritual de cada cristão.

Afortunadamente, é por meio e pela experiência da oração que Deus manifesta a Sua graça e se revela, de um modo mais íntimo, aos seus servos, proporcionando-lhes uma sensação de proximidade e de afeto singulares.

Um dos resultados de uma vida de oração é o intenso desejo de envolver outros irmãos no ambiente da intimidade e da “bendita hora” de oração.

Com a consolidação da prática e da experiência de uma vida de oração, o peso dos problemas e das necessidades dos outros torna-se nosso, interferindo nas nossas emoções mais profundas.

Uma das personagens bíblicas que mais aprendeu o valor da oração, e por isso também experimentou os resultados do seu poder, foi Samuel.

Desde muito cedo, Samuel aprendeu com os seus pais o valor insubstituível da oração. Ana e Elcana formavam um par de servos que cultivava uma espiritualidade equilibrada, banhada pela oração e pela devoção.

A Bíblia não só menciona Ana como uma mulher que orava e derramava o seu coração diante de Deus, mas também regista uma oração específica, feita por ela, na qual percebemos tanto a sua teologia como o seu estado de espírito (1 Samuel 1: 10,11; 2: 1-10).

Além do mais, Ana e Elcana, como verdadeiros devotos que eram, anualmente viajavam de Rama até Siló, onde Eli servia como sacerdote, para adorar e oferecer sacrifícios ao Senhor (1 Samuel 1:3; 2: 19).

A vida de Samuel foi marcada pela oração (não fosse ele próprio produto das orações da sua mãe), de tal modo que essa experiência de vida se tornou notória em todo o Israel. Com muita frequência, Samuel era solicitado a interceder pelo povo quando este passava por aflições (1 Samuel12:19).

Com base em todo esse pano de fundo, não admira que a não intercessão em favor do povo fosse considerado, por ele, como algo pecaminoso perante Deus (1 Samuel 12: 23).

Para este servo do Senhor, a experiência de oração era vista como algo prioritário no aprofundamento da sua intimidade com Deus, e como meio instrumental na edificação dos seus irmãos e compatriotas.

Enquanto ensinava o povo à retidão, estimulando-o ao serviço e ao temor do Senhor, Samuel comprometia-se a não deixar de orar e de interceder pelo povo. Para ele, o ministério de intercessão representava um imperativo espiritual e devocional na sua própria vida.

Samuel tinha a certeza de que aqueles que se dedicavam ao ministério da oração, eram os verdadeiros sustentadores da espiritualidade comunitária.

Que o Senhor desperte os nossos corações para a prática deste exercício espiritual de valor incalculável, que é a oração intercessora.

Soli Deo Gloria!

Pr. Samuel Quimputo
Boletim 129
29Julho2012

A EXPIAÇÃO


No nosso estudo anterior vimos que o Senhor Jesus satisfez todas as exigências que eram necessárias, na qualidade do nosso Sumo-Sacerdote, cumprindo, desta forma, as duas funções básicas do ministério sacerdotal: apresentar ofertas e sacrifícios e fazer intercessão. Essa função de Sacerdote, levá-lo-á até à morte, e morte de cruz.
Quando pensamos na Sua morte, certas perguntas pertinentes surgem quanto ao seu significado, visto que não existe outro assunto tão importante, alvo de acérrimos ataques de Satanás, como o da expiação, com o propósito de confundir e de enganar os seguidores do Senhor.
Muitos acham que, como crentes tementes a Deus, não devemos nos debruçarmos sobre esta doutrina fundamental da nossa fé. Contudo, não existe um engano mais subtil e perigosa do que a ideia de que a fé cristã, pura e simples, não necessita de uma reflexão crítica e racional. É com base num ponto de vista como este que há muitos ensinos deturpados acerca da cruz e da doutrina da salvação.
Portanto, devemos procurar, com toda humildade, aclarar as nossas mentes e iluminar o nosso entendimento, fazendo as seguintes perguntas:

- O que é que realmente aconteceu quando o Senhor Jesus morreu na cruz? Porque é que Ele teve de morrer? Porque é que teve que ser Ele e não uma outra pessoa a morrer?

É interessante notar que, a morte do Senhor Jesus é mencionada no Novo Testamento cerca de 175 vezes, e indirectamente, muito mais vezes. Embora os Evangelhos sejam apenas quatro perfis ou resumos breves da Sua vida (João 21: 25), eles reservam, em média, um terço de todo o seu relato aos eventos relacionados à Sua morte.
Sem sombra de dúvida, o evento da morte do Senhor Jesus na cruz excede a todos os demais em importância. Não é sem razão que Satanás se ocupe tanto em confundir os homens sobre esse assunto de vital importância, que envolve a salvação da humanidade.
A mensagem da cruz era, para os apóstolos, central. A sua tese era de que o Cristo prometido, para salvar Israel e o mundo (dos gentios) era Jesus de Nazaré (Atos 17:3; I Cor. 2:2; 15:3).
Sendo a expiação um assunto de estrema importância, devemos avançar, com cautela e reverência, na tentativa de corrigir o que não é o claro ensino bíblico acerca da cruz. Nem sempre é verdade a ideia de que todos os que falam na cruz têm uma clara compreensão dela. Muitas vezes, o ensino acerca da cruz vem carregado de filosofias e enganos subtis que deturpam o seu real significado (Colossenses 2:8).
Temos que ter em conta que a mensagem da cruz, sempre foi e continuará a ser uma pedra de tropeço (e uma ofensa) para qualquer homem ou mulher natural (ICoríntios 1: 21 – 25; 2: 14).

1. A morte do Senhor Jesus não foi acidental
Há uma corrente de pensamento que afirma que o Senhor Jesus morreu por engano, de modo acidental; diz ainda tal teoria que ele não estava preparado para o que aconteceu; Ele foi surpreendido pela violência e pela maldade humanas. A Bíblia, porém, rejeita tal conclusão (João 12: 23; 17:1). O Senhor tinha consciência da Sua hora. Ele tinha a consciência do que estava para acontecer (Lucas 9: 31, 51; 13: 33). Ele sabia que ia a Jerusalém para morrer (Hebreus 2:9).
A Bíblia vai além e afirma que a morte do Senhor Jesus foi planeada antes da fundação do mundo (Atos 2: 23). Sendo o próprio Deus, Ele conhecia até o dia da própria morte (Mateus 26: 1-5), corrigindo, desta forma, a teologia dos seus adversários (Atos 12: 3,4).

2. O Senhor Jesus não morreu como um mártir
À semelhança da primeira abordagem, esta linha de pensamento afirma que Ele, ao ser tentado a retratar-se por causa do Seu ensino, e tendo recusado a fazê-lo relutantemente, por que estava determinado a morrer, então foi morto como um valente, como um mártir.
Nada é mais enganoso e menos bíblico do que esta visão distorcida do significado da cruz. O Senhor Jesus sofreu, ficou agonizado e morreu aflito. Não ouvimos dEle gritos de triunfo ou de alegria enquanto sofria. Ele gemeu e pediu auxílio do Pai (Mateus26: 39; João 12: 3,4). Logo, a Sua morte não foi acidental; e Ele não morreu como um mártir. Ele fez-se maldição por nós (Gálatas 3: 13), sofreu a nossa pena, morrendo voluntariamente a nossa morte.
No próximo estudo, analisaremos outras teorias que empobrecem a doutrina da cruz.

(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden e Introdução à Teologia Sistemática de Millard J. Erickson).

Pastor Samuel Quimputo

O CUIDADO PASTORAL DE DEUS



“E dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com ciência e com inteligência”(Jeremias 3: 15)

Davi, o grande rei de Israel, o homem segundo o coração de Deus, foi um dos poucos israelitas que privou, de um modo íntimo, com o Criador dos céus e da terra, experiência essa que o levou a compor um dos salmos mais queridos e mais citados das Escrituras Sagradas.
Como resultado dessa rica experiência de adoração e de comunhão com o Senhor, Davi ampliou a sua visão da pessoa e dos atributos divinos, chegando à conclusão de que o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, o Deus da aliança não era apenas o grande libertador, o Senhor dos exércitos, mas também Aquele que perdoa, que protege e cuida.
Usando da sua experiência de pastor de ovelhas, Davi descreve a sua relação com Deus, comparando-a com a existente entre o pastor e as suas ovelhas. Deste modo, Davi destaca dois aspectos básicos envolvidos nessa relação: o cuidado e a dependência.
De forma poética e melódica, este mestre de música compõe uma linda canção, na qual identifica Deus como o seu pastor cuidadoso e protetor, capaz de suprir todas as suas necessidades vitais (Salmo 23: 1).
Ao longo da experiência de Israel, como nação, esta metáfora pastoril, aplicada a Deus na Sua relação com o Seu povo escolhido, sempre teve o propósito de destacar o Seu intenso cuidado protetor, na qualidade do Deus da aliança, que mantém fiel as Suas promessas de livrar Israel dos perigos e dos seus inimigos (Salmo 80: 1-3).
Outro aspecto interessante nessa figura de Deus como o Pastor do Seu povo é o facto de que esta mesma imagem de cuidado e proteção para com as ovelhas é usada no relacionamento entre as próprias ovelhas.
Sendo Deus o Pastor, por excelência, levanta, no meio do Seu povo, servos incumbidos de exercer o ministério pastoral, vivendo para cuidar e alimentar os outros, seguindo o exemplo do próprio Deus.
De um modo geral, o ministério pastoral deve ser exercido por todos os crentes, de forma a proporcionar um ambiente saudável ao corpo, do qual todos são (e devem ser) membros  ativos. Contudo, na Sua grande misericórdia, o Senhor resolveu chamar e separar alguns servos no seio do Seu povo, com o propósito específico de desempenharem a função pastoral, com o objetivo de alimentar, cuidar e guiar os outros, de modo a crescerem no conhecimento do Senhor e no exercício responsável dos seus dons.
O exercício da função e do ministério pastoral exige, dos que são chamados, um grau de sensibilidade, de modo a não se transformarem em líderes tiranos e prepotentes que venham a maltratar as ovelhas do Senhor (Jeremias 23: 1, 2; 1 Pedro 5:1-3).
Por ser um ministério que exige tato e profundo envolvimento emocional, o próprio Deus, como Sumo Pastor, prometeu levantar do meio do Seu povo, pastores segundo o Seu coração, isto é, servos chamados, separados e preparados, que se alimentam da Palavra, capazes de gastar tempo, energia e recursos próprios em prol do bem estar dos seus preciosos irmãos, que o Senhor colocou sob sua liderança (Jeremias 23: 4).
Igrejas abençoadas são aquelas onde os que nelas exercem a função e o ministério pastoral, o fazem por convicção da chamada, por amor e reverência ao Sumo Pastor e pelo cuidado e bem estar do povo de Deus.
Que o Senhor levante sempre pastores segundo o Seu coração; pastores que sejam  bênçãos vivas e instrumentos da graça de Deus, diante do Seu rebanho. 
Soli Deo Gloria!

Pastor Samuel Quimputo
Boletim 128
Junho 2012

UM DISCIPULADO EQUILIBRADO

“O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo acima do seu senhor. Basta ao discípulo ser como o seu mestre e ao servo como o seu senhor
(Mateus 10: 24-25a))

Qualquer observador atento e informado chegará à conclusão de que estamos a viver numa época da História na qual reina uma profunda crise educacional. Especialistas nas áreas da Ciência da Educação, da Pedagogia, da Psicologia (Comportamental), da Sociologia e Associações de Pais têm vindo a travar debates interessantes sobre o tema da educação.
Têm-se debruçado sobre o sistema educacional, os métodos educativos, as relações entre educandos e educadores, o lugar e os limites da autoridade dos educadores e, como não poderia deixar de ser, o papel e o envolvimento dos pais (ou encarregados de educação) no processo educacional daqueles que estão debaixo da sua tutoria
Embora haja pontos de vista diferentes quanto às causas dessa incontestável crise,  todos os quadrantes de opinião têm chegado à conclusão de que é preciso repensar, reformar e reformular o Sistema Educacional, tal como se encontra hoje. Como ponto de partida, esta necessidade é louvável.
Para isso, é preciso repassar a História e encontrar as falhas e os desvios sócio-educacionais que nos conduziram até à presente situação.
Analisando a situação numa perspetiva religiosa, particularmente a cristã, a preocupação ganha dimensões ainda mais alarmantes.
O que é extremamente preocupante é, não só, a aberrante iliteracia bíblica que tem caraterizado o crescente número de novos movimentos evangélicos (chamados de igrejas), mas também as novidades doutrinárias que esses movimentos emergentes têm apresentado, manipulando muitos incautos e sedentos “caçadores de coisas novas”, que a eles recorrem, nos momentos de insegurança e de desespero existencial.
Relativamente às denominações evangélicas históricas, há um outro problema, não menos grave, que se prende com aquilo que o apóstolo Paulo profetizou, na sua segunda epístola endereçada a Timóteo (2 Timóteo 4: 3,4).
Paulo exortou o jovem pastor a pregar a Palavra com persistência, ensinando (com correção, repreensão, exortação) de um modo paciente.
A razão desta insistência do grande apóstolo para com Timóteo prende-se com o facto de , por causa da sua natureza pecaminosa, o ser humano possuir uma tendência habitual para buscar o que é novo e exótico (uma espécie de psicoadapação doentia), mesmo à custa da troca da verdade pela mentira, ultrapassando os limites daquilo que foi estabelecido pelo Senhor.
Ao ensinar que o discípulo (aluno ou aprendiz) não está acima do seu mestre, isto é, que aquele deve estar sob a autoridade deste, o Senhor Jesus elabora um padrão  equilibrado do processo educacional.
Ao afirmar que no processo de aprendizagem, o discípulo deve ter como exemplo (tupos, typos - padrão ou modelo) o seu mestre, o Senhor Jesus enuncia o princípio coordenador de toda a relação de aprendizagem que deve existir entre estas duas entidades  envolvidas no processo educacional.
A maior parte dos problemas que têm surgido no seio das igrejas cristãs, e que têm enfraquecido o testemunho, devem-se, em grande parte, à ousadia desmedida e pecaminosa de muitos discípulos de Cristo, que em nome da relevância da aceitação cultural ou de um pseudo-intelectualismo, têm ultrapassado o ensino e a autoridade daquele a quem proclamam ser o seu Mestre.
O discipulado cristão só será equilibrado quando cada um de nós reconhecer o seu lugar de aprendiz, permitindo que Cristo, o Mestre, nos instrua, aceitando a Sua sábia orientação que certamente nos trará maturidade. 
Soli Deo Gloria! 

Pastor Samuel Quimputo 
Boletim nº 127                                                                                                                                 27 de Maio 2012

NO ACONCHEGO DA FAMÍLIA DE DEUS

“Assim, não sois mais estrangeiros, nem imigrantes; pelo contrário, sois concidadãos dos santos e membros da família da Deus” (Efésios 2: 19)

Uma das manifestações da graça e do cuidado de Deus para com o ser humano, criado à Sua imagem e semelhança, é a instituição do núcleo familiar, espaço sociopolítico onde os valores humanos são transmitidos, os princípios de convivência são apreendidos, os afetos são experimentados e os sonhos são estimulados.
É dentro do núcleo e do ambiente familiar que descobrimos a nossa individualidade, assim como desenvolvemos a consciência da dependência de outros e da interdependência humana.
Esta instituição matriz, paradigma de todas as associações humanas, é de valor insubstituível na formação integral da personalidade humana.
Não é sem razão que, nas Sagradas Escrituras, a família, mais do que qualquer outra instituição humana, desempenha um papel preponderante na construção, não só da consciência social, mas também da própria cidadania responsável, que exalta Deus e respeita o próximo.
Se o agregado familiar é o espaço natural para relacionamentos humanos mais sólidos, determinantes no desenvolvimento da personalidade humana, a igreja, comunidade de crentes redimidos, unidos pelo poder  regenerador  do Espírito Santo, é a expressão mais alta da paternidade divina.
Nesta epístola aos efésios, Paulo revela um dos mistérios divinos, que ao longo dos tempos esteve oculto, quando afirma que os gentios, outrora longe de Deus e da promessa feita aos filhos de Israel, foram aproximados de Deus, por meio da obra realizada por Cristo na cruz do Calvário (Efésios 2:11-13).
Esta monumental obra realizada pelo Senhor Jesus, a nossa paz e a causa primária da própria experiência de paz, vivida por todos aqueles que foram redimidos pelo Seu sangue, derrubou a inimizade pecaminosa que separava Israel dos gentios, com preconceitos de ambos os lados, estabelecendo uma Comunidade de crentes, cujos componentes são comparados aos membros de um corpo humano funcional (Efésios 2: 14,16).
O poder unificador do sangue do Cordeiro de Deus, fez com que os gentios, antes estrangeiros (ou estranhos) e imigrantes, se tornassem concidadãos de judeus crentes no Messias de Deus, isto é, “patrícios espirituais” de todos os santos que viveram na dispensação da Antiga Aliança, e que nesta qualidade de cidadãos celestiais, foram incluídos na família sobrenatural de Deus (Efésios 2: 19).
À imagem de um agregado familiar natural, a Igreja do Senhor Jesus deve constituir-se num núcleo de desenvolvimento espiritual multifacetado, proporcionando a todos os seus membros as condições necessárias para afirmação pessoal da sua cidadania divina e para o desempenho da sua função de sal e luz, num mundo cada vez mais em trevas, e que carece da verdadeira paz que só Cristo pode dar.
Que, como membros ativos da família de Deus, todos nós vivamos de modo digno do nome daquele que nos salvou e nos integrou no Seu núcleo familiar, onde reinam a fé e a santidade, a graça e o perdão, a misericórdia e a paz, tudo fruto de vidas marcadas pela maravilhosa graça do Pai.
Que os laços de amor, característicos de toda família saudável, sejam uma evidência viva e constante nos nossos relacionamentos.
Soli Deo Gloria!                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          

Pr.Samuel Quimputo
Boletim 126
29 Abril 2012

MORREU A NOSSA MORTE PARA VIVERMOS A SUA VIDA



A salvação bíblica, ou melhor, a fé salvadora, como apresentada  e exposta nas Sagradas Escrituras, difere de todo o tipo de experiência que o ser humano pode viver. Não se trata de algum melhoramento  que ocorre em algumas áreas da nossa vida; também não se trata de alguma correção ou reforma moral ou ética proporcionada por uma terapia comportamental. Muito menos se trata de uma mudança psicológica causada por um “tratamento de choque”, com base numa abordagem de “introspeção regressiva”.
Nada se assemelha à mudança que ocorre na alma de todo aquele que possui a fé salvador, afetando, de um modo radical, toda a sua perspectiva de vida (2 Coríntios 5: 16).
Na tentativa de expressar verdades eternas numa linguagem compreensível para o ser humano, a Bíblia compara a nova realidade existencial do crente a uma nova experiência de nascimento.
A salvação é vista como uma recriação de um novo ser, outrora insensível aos estímulos espirituais de comunhão com o seu Criador, mas que adquire uma dimensão sobrenatural sem precedentes, fazendo com que, diante da nova realidade, a experiência anterior perca significado e importância. A nova vida faz com que toda a perspectiva do crente seja renovada e adquira novo significado (2 Coríntios 5: 17). Tal era a envergadura desta operação sobrenatural, que exigiu a vinda do Filho de Deus, enviado pelo Pai, o único capaz de solucionar o diferendo existente entre o Deus santo e misericordioso e o ser humano rebelde, arrogante e perdido.
Visto que a causa da separação entre o Homem e seu Deus é o pecado, isto é, a deliberada desobediência às leis estabelecidas pelo Criador, foi necessário uma operação de dimensões cósmicas de resgate. E a razão para essa necessidade prende-se com a verdade bíblica de que o Homem, sob o domínio de Satanás, é um escravo oprimido e impotente para se libertar da condição desumanizante em que se encontra, dominado pelas forças do mal e pelas suas próprias paixões, confusas e mal orientadas.
Por tudo isto, Deus providenciou a solução, a única capaz de trazer esperança ao Homem e a um mundo perdido. Esta solução foi a vinda do Seu Filho amado, com o propósito de servir a humanidade, levando sobre si as consequências da sua atitude e dos seus atos (Marcos 10: 45).
Como o salário (ou pagamento meritório) do pecado é a morte, o representante e substituto do Homem teve que morrer em lugar deste, carregando o peso da maldição e o castigo que lhe estavam destinados (Isaías 53: 5).
Deste modo, Ele morreu a nossa morte (isto é, em nosso lugar), pagando, com o seu sangue, o preço do resgate, proporcionando-nos uma nova vida, a vida eterna, libertando-nos das garras do diabo (João 8: 36).
Portanto, fazer missões não é mais do que  proclamar o amor de Deus à Humanidade, e a bênção da nova vida que há em Cristo, que traz paz e liberdade. Fazer missões é anunciar a verdade de que só há um mediador entre Deus e os homens - Jesus Cristo, homem (1 Timóteo 2: 5).
Que as nossas almas rendam graças ao Senhor pelo Seu amor, pela Sua graça e pelo Seu dom inefável.
Soli Deo Gloria!                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              
Pr.Samuel Quimputo
Boletim nº 125
25 de Março 2012

A CONDUTA QUE NASCE DA DOUTRINA

“...que pregues a Palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina.”
(2 Timóteo 4: 2)

A Revelação bíblica é um dos dons mais preciosos que o Senhor, nosso Deus, nos concedeu, expressando, desta forma, a Sua maravilhosa graça para com a Sua criação.
A própria Bíblia afirma que o mundo criado (universo), em sua beleza e complexidade, ordem e propósito, aponta para a existência do seu Criador, revelando, deste modo, a grandeza, o poder e a sabedoria deste Ser que, do nada, trouxe tudo à existência (Salmo 19: 1).
As próprias Leis da Natureza, que de certa forma governam o “movimento cósmico”, envolvendo todos os seus agentes ativos, exigem de um observador atento a necessidade de um Legislador inteligente e infalível.
Contudo, esse grande e soberano Deus resolve revelar-se de um modo bem mais específico, participando da experiência humana, invadindo o tempo, qual tabernáculo móvel, habitou entre os homens, com o propósito de lhes falar, não só por meio de deduções racionais, mas também “de coração”, com tato e com afetos (Hebreus 1:1,2).
Ele o fez por meio do Seu Filho Unigénito, previsto e preanunciado pelos profetas do Antigo Testamento, adorado e anunciado (proclamado) por aqueles que O viram e ouviram e com Ele conviveram e partilharam do pão e do cálice.
Estes homens e mulheres que o reconheceram como o Messias prometido por Deus, a Israel, receberam dele a Palavra transformadora, que traz vida (João 17:8).
Paulo, outro discípulo do Mestre, aprendeu a lição. Compreendeu a realidade de que o Evangelho era (é) o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Ele cria que é pela Palavra da fé que a vida do crente é alimentada e revigorada.
Por esta razão, antes da sua eminente morte, ao escrever ao seu aluno e amigo, o jovem pastor Timóteo, provavelmente a sua última carta registada, destacou o papel da Palavra na vida e no ministério deste jovem servo de Cristo. “Prega a Palavra...com longanimidade e doutrina”, disse Paulo.
Timóteo devia proceder dessa forma, visto que o propósito pelo qual toda a Escritura tinha sido dada era o de conduzir o crente ao equilíbrio e à maturidade espiritual que, por sua vez, resulta numa vida cheia de boas obra (2 Timóteo 3:16,17).
Segundo o apóstolo Paulo, a pregação bíblica (exposição) devia ocupar o lugar central no ministério de Timóteo. A autoridade para corrigir, para repreender, para exortar viria da própria Palavra.
Timóteo foi recomendado a pregar a tempo e fora de tempo, isto é, em todas as circunstâncias, aproveitando todas as oportunidades para confrontar as pessoas com o poder transformador da Palavra.
A espiritualidade cristã fundamenta-se na doutrina (ensino) das Escrituras. São elas que, quando compreendidas e obedecidas, irão influenciar a conduta e o comportamento do crente, levando-o a empenhar-se na realização de boas obras que, em última análise, traduzem o objectivo filantrópico imediato da nossa redenção (Tito 2:14).
Que o Deus da Palavra seja engrandecido por meio do nosso viver, fazendo de nós instrumentos vivos da Sua maravilhosa graça. 
Soli Deo Gloria!        
Pastor Samuel Quimputo
in Boletim nº 124
26 de Fev de 2012
                                                                                             

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...