LIVRES PARA SERVIR


“Irmãos, fostes chamados para a liberdade. Mas não useis da liberdade como pretexto para a carne; antes, sede servos uns dos outros pelo amor

Um dos conceitos mais apreciados, mas muitas vezes mal entendido por muitos, é, sem dúvida, o da liberdade. Todos nós afirmamos, com frequência, que fazemos certas reivindicações por acharmos que a “nossa” liberdade está em causa, visto que todos nos sentimos, de certo modo, valorizados quando assumimos a nossa condição pessoal (e social) de “livres”, mesmo que isso signifique, simplesmente, uma espécie de “autorização” para a reivindicação dos nossos direitos. Por esta razão, sempre que qualquer um de nós se sente privado ou limitado do gozo da sua preciosa liberdade, a tendência natural é a de lutar com todas as suas forças, a fim de (re)conquistá-la.
Contudo, o que muitos não enxergam (com a devida profundidade) é o facto de que o exercício da liberdade envolve, necessariamente, uma escolha, e esta, por sua vez, determinada por alguma razão. Tudo o que fazemos, fazemo-lo movidos pelo desejo que é, de certa forma, a causa imediata da própria escolha.
Por exemplo, neste preciso momento em que escrevo, estou a exercer um certo grau de liberdade, expressão de um desejo meu. O leitor deste artigo, por sua vez,  estará a fazer o mesmo porque decidiu (escolheu) lê-lo.
É exatamente neste ponto do querer e do desejar que a capacidade de fazer escolhas se torna um assunto profundamente complexo. Visto que toda a escolha é determinada por algum desejo, as questões a colocar serão as seguintes: o que deseja o ser humano? O que o move a fazer escolhas? O que é que estará por detrás delas? Qual é a condição moral (e espiritual) do coração humano que o impulsiona a fazer essas escolhas?
Martinho Lutero escreveu um livro, traduzido para o português com o título  “Nascido Escravo”, sustentando, com alguma base bíblica, que o ser humano, apesar de ser moralmente responsável e capaz de fazer certas escolhas, ele nasce com um coração escravizado pelo pecado,  que o inclina (e incita) a fazer escolhas éticas e morais, com base em motivações e desejos pecaminosos.
Visto que as escolhas são determinadas pelos desejos que controlam o coração humano, este acaba sempre por obedecer aos ditames do “seu senhor”, satisfazendo-lhe a vontade (João 8:34,44). Aqui reside a causa de todo o drama humano. Eis a razão por que nenhum ser humano “livre” é capaz de fazer todas as escolhas de um modo acertado, usando adequadamente a liberdade que faz dele um ser moral, com a exceção, é claro, do Senhor Jesus.
Por isso é que o Senhor Jesus fez a categórica afirmação de que a verdadeira liberdade só é experimentada quando, e só quando, por ele for outorgada (João 8: 36). Só o Filho de Deus pode tornar homens e mulheres em seres verdadeiramente livres. A essência da liberdade autêntica encontra-se nele.
Portanto, a verdadeira liberdade que os crentes encontram em Cristo não significa uma conquista pessoal para a auto-satisfação ou para a afirmação pessoal, que promove o “eu”, buscando os seus próprios interesses, mas sim uma capacitação pessoal e espiritual para o serviço a Deus, ao Seu reino e ao próximo, numa atitude constante de autodoação.
A verdadeira liberdade que encontramos em Cristo não é aquela que tem como prioridade a reivindicação de direitos e privilégios pessoais, mas a que se preocupa e se gasta pelo bem-estar do outro, cuja motivação principal é o amor.
Fomos libertos da tirania da lei (que condena) e da escravidão do pecado, para vivermos de um modo santo, num espírito de serviço, dominados pelo amor.
Gozemos, pois, da verdadeira liberdade que o Senhor Jesus nos ofereceu, por meio da sua morte e da sua vitória sobre o mal.
Soli Deo Gloria!        

Pr. Samuel Quimputo
in Boletim nº 131
30 de Setembro de 2012

A GRAÇA QUE ENRIQUECE


“Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, fez-se pobre por vossa causa, para que fôsseis enriquecidos pela Sua pobreza ” 

Uma das verdades mais extraordinária das Escrituras é aquela que nos revela a graça de Deus, isto é, o “amor de Deus por aqueles que nada merecem”, um amor que conquista e favorece aqueles que, por causa da sua arrogância e desprezo pelo seu Criador, mereciam a Sua justa indignação (ira) (Efésios 2: 8,9).
É impossível um leitor atento da Bíblia não vislumbrar as marcas da presença e da manifestação da graça de Deus, ao longo de toda a História da Redenção.
Embora o conceito de graça tenha tido uma maior ênfase no Novo Testamento, com a vinda do Messias prometido, não deixa de ser verdade o facto de ele já se encontrar presente nas páginas do Antigo Testamento. Aliás, pode-se mesmo afirmar que a paciência demonstrada por Deus, ao suportar os fracassos e as inconstâncias dos intervenientes humanos envolvidos no Seu infalível plano da salvação, deveu-se à Sua maravilhosa graça que fez com que o caminho ficasse aberto para a vinda do Seu ungido.
Esse atributo divino significa muito mais do que uma simples atitude de Deus em favor daqueles que não merecem a Sua bondade. O conceito de graça (caris) inclui, além dos benefícios da bondade divina, o próprio estado da salvação daqueles que foram alcançados pelo amor divino. Quer dizer que “graça” acaba por tornar-se numa das marcas da vida (atitudes, comportamentos e ações) daqueles que foram integrados na família de Deus.
Tal como acontece com todas as virtudes cristãs, o Senhor Jesus é o expoente máximo da graça divina. Ele é o padrão pelo qual todas as qualidades espirituais são avaliadas. Todos os ingredientes do fruto do Espírito encontram a sua máxima e perfeita expressão nele. A Sua própria vida revelou a graça de Deus de um modo singular, sacrificando-se pelos pecadores.
Paulo, um cristão que experimentou na sua própria vida os efeitos da graça divina, estimulou os irmãos de Corinto, desafiando-os a concretizar a sua intenção generosa de suprir as necessidades dos seus irmãos em Jerusalém que enfrentavam dificuldades extremas.
Para este grande apóstolo, uma vida marcada pela graça é aquela que se torna  numa fonte de riquezas espirituais ao serviço de outros. E a força motriz que faz com que alguém rico se torne pobre, para enriquecer a outros, é a graça que nele opera.
Todos aqueles que um dia foram alcançados pela maravilhosa graça de Deus, demonstram que foram (e são) objectos da mesma graça na medida em que vivem num espírito de sacrifício em favor de outros, por meio de um altruísmo santo que beneficie os demais irmãos, ajudando-os a crescer no conhecimento do Senhor e a prosperar em ações de graças para glória do grande e soberano Deus (2 Coríntios 9:12, 13).
Que o Deus da graça continue a moldar os nossos corações, retirando todo o egoísmo e indiferença, caraterísticos deste mundo caído e sob maldição, operando em nós tanto o querer como o realizar, de modo a sermos cristãos autênticos, marcados e dominados pela graça, cujas vidas enriqueçam e abençoem os outros.
Soli Deo Gloria!
Pr. Samuel Quimputo
in Boletim nº 130
2 de Setembro de 2012

CRISTO O REI


A missão do Senhor Jesus, como Mediador da nova aliança entre Deus e os homens, efectua-se no desempenho de três ofícios principais: profecia, sacerdócio e reino, isto é, como Mediador, Ele veio ao mundo para exercer as funções de Profeta, Sacerdote e Rei.
Já estudamos as funções (ou os ofícios) de profeta e de sacerdote. Terminamos o último estudo, enfatizando a vitória deste Sumo-Sacerdote sobre a morte, mencionando os inimigos por Ele subjugados e derrotados.
Agora, chegamos ao Seu ministério de mediação na qualidade de Rei.
Logo na abertura do Novo Testamento, encontramos identificada a Sua linhagem real (Mateus1: 1). Ali, Ele é chamado de “Filho de David”, o que implica, sem sombra de dúvida, a Sua ascendência real.
Surge, entretanto, uma pergunta pertinente: por que é que precisamos de um Rei? Porque é que o Mediador deve apresentar-se como um Rei?
Precisamos de um Rei, porque temos que ser libertos do domínio e da tirania do pecado. A Bíblia afirma que fomos tirados do reino das trevas e transportados para o reino “do Filho do Seu amor” (Colossenses 1: 13). Aleluia!
Portanto, O Senhor Jesus, como Profeta, representa Deus diante de nós; como Sacerdote, representa-nos diante de Deus; como Rei, é o representante real da nova humanidade.
Ele é o Rei da Humanidade redimida, que é o objecto da graça especial de Deus. Aliás, Ele é a razão pela qual Deus poupou o mundo antigo, fazendo com que passasse “por cima” dos pecados cometidos durante aquela dispensação (Romanos 3:25,26), sendo misericordioso e paciente para com todos (Mateus 5: 45).

Quando o Senhor Jesus triunfou na cruz do Calvário, a Sua obra teve alcance universal, isto é, tanto na terra assim como no céu, os efeitos da dessa obra cobrem toda a criação (Efésios 1: 10; Colossenses 1: 20). Não seria ousadia desmedida afirmar que, tanto o mundo humano (pela redenção), assim como o mundo angélico, ambos beneficiam da obra realizada por Cristo na cruz. Embora haja algum mistério quanto a abrangência do alcance dessa obra, é certo afirmar que certos resultados cósmicos se deduzem daquilo que o Senhor Jesus fez (2 Pedro3: 13).

Um novo Nome e um novo Estatuto

Em Efésios2: 5-11 lemos que, como fruto da Sua obra redentora, o Senhor Jesus “recebeu um nome”. O que quer dizer, um nome que não possuía antes da realização dessa obra redentora, no palco da história.
Sem dúvida, há uma nova glória envolvida na realização da Sua obra mediadora, na qualidade de Filho do homem (João17: 23).
Como resultado da Sua morte na cruz “Ele seria glorificado e que Deus O iria glorificar nela, através dela e como resultado dela” (M. Lloyd-Jones).
A Bíblia deixa bem claro que, por causa do que o Senhor Jesus fez, há uma glória especial, fruto dessa obra, vinculada ao Cristo de Deus, como Deus-Homem. Embora o Eterno Filho de Deus tenha a glória igual à do Pai, antes da encarnação, a glória da nova condição de Deus-Homem lhe foi dada por causa da obra que realizou na cruz (João 7: 39). E por causa dessa obra foi exaltado pelo Pai a fim de conceder o Espírito Santo à Sua igreja (Atos 2:23; Efésios 4: 8; Efésios 1: 18 - 23).
Portanto, com a Sua encarnação e a vitória sobre a morte, “Ele tem uma realeza especial que é geralmente referida e descrita como Sua realeza mediatória” (M. Lloyd-Jones). Essa realeza consiste “em Seus poder oficial de governar todas as coisas no céu e na terra, para a glória de Deus e para a execução do propósito divino da salvação”. E para tal missão, Ele foi designado antes da fundação do mundo (Efésios 1:4; Apocalipse 21: 27). Toda a obra da salvação fora colocada em Suas mãos. O reino Lhe foi confiado pelo Pai (João 17:2;Efésios 1: 20-23; Hebreus 2: 8,9; I Coríntios 15: 24 – 28).
O Senhor Jesus administra o Seu reino por meio da Sua Palavra e nos corações de homens e mulheres que aceitaram o Seu governo e a dádiva da Sua vida (Salmo2: 8; Mateus 28: 18; Romanos 8: 21, 28). A Ele, pois, louvor e ações de graças, para todo o sempre.
Amém!

(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden e Introdução à Teologia Sistemática de Millard J. Erickson).

Pastor Samuel Quimputo


O CRISTO VITORIOSO


No nosso último estudo fomos conduzidos ao ponto em que procurámos interpretar o significado da morte expiatória do Senhor Jesus. Concluímos que essa morte é de carácter substitutivo e penal, isto é, Ele morreu em lugar do pecador, levando sobre si a culpa e o castigo deste.
Portanto, Cristo prestou uma obediência ativa em Sua vida terrena, cumprindo todos os preceitos da Lei, sem falhar, e na cruz, prestou uma obediência ativa, dando a Sua vida em resgate de muitos.
Vimos, também, que Ele pagou um alto preço, a fim de redimir a humanidade. Rejeitámos, contudo, a interpretação de que o preço do Seu sangue tenha sido pago à Satanás, embora saibamos que, ao morrer na cruz, o Senhor Jesus estava a lidar (e a tratar) com o diabo e com todas as hostes malignas (Colossenses 2: 15).
Neste momento, convém perguntarmos: se a morte do Senhor Jesus alcançou o seu propósito, quem será o derrotado dessa vitória? Quem fica prejudicado com a vitória de Cristo?
Martinho Lutero afirmou que “o homem nesta vida é nascido em pecado, possui cinco (5) inimigos primordiais: Satanás, o pecado, a morte, a lei e a ira de Deus. Segundo Lutero, para que o homem seja salvo, é preciso lidar com esses cinco (5) inimigos.
Sem dúvida, Cristo lidou com todos esses inimigos visto que, ao realizar a Sua obra por nós, na cruz do Calvário, Ele estava a travar uma gigantesca batalha.
Antes de passarmos para o aspecto vitorioso da obra realizada pelo Senhor Jesus, convém salientar o perigo que muitas vezes ronda as nossas mentes, ao ponto de trair-nos e afectar a nossa compreensão acerca da obra que dá origem à nossa salvação. Esse perigo prende-se com o facto de que, na tentativa de enfatizar e exaltar a vitória da cruz, não damos o devido valor à doutrina da expiação e ao seu aspecto substitutivo e penal.
É uma verdade incontornável (e graças a Deus por isso!) que, quando olhamos para a ressurreição do Senhor Jesus, contemplamos um grande vencedor. E o primeiro derrotado é o próprio Satanás e todas as suas hostes (1 João3:8); esta verdade foi confirmada, antes mesmo da Sua morte (João 12: 31). Paulo corrobora com ela numa afirmação monumental, que encontramos em Colossenses2: 15, assim como o faz o autor aos Hebreus (Hebreus 2: 14,15).
Ele veio para destruir as obras do diabo. Foi várias vezes tentado a pecar e a desobedecer a Deus, mas em todas as tentativas frustrou as intenções e os ataques do inimigo (na infância, no deserto, no Getsémani e na cruz). Os testes foram muitíssimo fortes e sem piedade (Hebreus 5: 7), porém, Ele triunfou, provando, assim, que realmente era o Filho de Deus. Ele venceu em Sua vida e, de um modo singular, na cruz.
A ressurreição, portanto, é a prova, a declaração universal de que a obra fora consumada com perfeição (João19: 30; Romanos 1:4). O Senhor Jesus não só venceu o diabo, mas também aboliu a morte (Hebreus 2: 14, 14). Como usurpador, Satanás assume-se como o deus deste mundo (2Cor. 4:4; Efésios 2:2), e Deus permite-lhe exercer certos poderes tais como o domínio da morte. Contudo, ele não possui poder absoluto, e não possui nenhuma autoridade em si e por si mesmo; ele só age no “espaço” que lhe é permitido por Deus. “Satanás é aquele que reina sobre tudo o que se acha coberto por essa morte final”. É nesse sentido que se diz que ele possui o poder da morte. E é o pecado que torna a morte em algo horrível, visto que ela é consequência do peado (1 Cor. 15: 56, 57).
O Senhor Jesus satisfez as exigências da lei; a lei não mais nos pode condenar. Somos livres da sua condenação e da sua consequência lógica, que é o pecado e, por fim, da própria morte (1 Cor. 15: 55).
O terceiro inimigo é o pecado. Ele, também, foi vencido (Romanos6:2, 11, 12, 14). Ele já não reina sobre nós. Toca-nos, afecta os nossos membros, mas já não pode ter domínio sobre nós e governar as nossas vidas (Romanos6: 10, 1 João 3:9). Ainda há resíduos do pecado na velha natureza de um filho de Deus, mas ele jamais está sob o domínio do pecado. Cristo conquistou a vitória completa por nós (Romanos 8: 1).

(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden e Introdução à Teologia Sistemática de Millard J. Erickson).

Pastor Samuel Quimputo

A EXPIAÇÃO SUBSTITUTIVA


Já vimos que a morte do Senhor Jesus foi uma morte expiatória, isto é, Ele pagou o preço do pecado e também da consequente culpa do mesmo. De igual modo, refletimos sobre a importância e a necessidade da expiação (e da propiciação) no processo da reconciliação com Deus, e no estabelecimento da comunhão com Ele.

Depois, analisámos as teorias que apresentam alguns pontos de vista defeituosos acerca do verdadeiro significado da morte do Senhor Jesus.

Agora chegamos ao ponto de reflectirmos sobre as implicações da morte do Senhor Jesus, em relação a cada um de nós. E a primeira questão a ser abordada prende-se com a razão pela qual Cristo teve que morrer, na cruz do Calvário.

O Novo Testamento mostra claramente que o ensino do Antigo Testamento acerca do sacrifício dos animais, apontava para o verdadeiro sacrifício futuro. Na qualidade de alguém que veio para cumprir a Lei e ser o antítipo (para quem os tipos apontavam) das figuras da antiga dispensação, a Sua morte deve conter o significado equivalente do dos animais sacrificados, visto que aqueles sacrifícios apontavam para a perfeita oferta pelo pecado, que seria feita no futuro (Mateus 5: 17).
Como já vimos, aqueles sacrifícios eram feitos em lugar dos sacrificadores, isto é, a(s) morte(s) dos animais substituíam a(s) dos seres humanos, morais e culpados dos pecados cometidos, diante do Deus Santo, cuja santidade fora violada (ofendida) (Hebreus 9:22).

Portanto, a morte do Senhor Jesus, como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (João 1: 29), representa o culminar e o cumprimento de todos os sacrifícios exigidos no Antigo Testamento. Assim sendo, um dos significados mais importantes da Sua morte é o seu aspecto substitutivo.

“A aliança do Antigo Testamento pronunciou uma maldição sobre qualquer pessoa que quebrasse a Lei de Deus. Na cruz, Jesus não somente tomou essa maldição sobre si, mas tornou-se Ele próprio maldição por nós” (2Cor. 5: 21; Gálatas 1: 4; 3: 13).

Em substituição de pecadores culpados e dignos da justa ira (indignação) de Deus, Cristo, na cruz, satisfez as exigências da santa justiça de Deus, e fê-lo em nosso lugar, livrando-nos da ira vindoura (Isaías 53: 6; 1 Tessalonicenses1: 10).

Embora a ira (ou indignação) de Deus seja real, o sacrifício realizado pelo Seu Filho não foi operado contra a Sua vontade. No mistério da redenção, é o próprio Pai amoroso que se condescende e contempla a Humanidade em sua miséria, decidindo reconciliar-se com ela. Numa mútua cooperação, Pai e Filho realizam o plano da salvação, que nos trouxe vida, paz e luz (2Coríntios 5: 19).

A morte do animal significava o castigo vicário de uma vítima (inocente), a fim de expiar a iniquidade do pecador (culpado), o que significa que o pecado deste era tratado através da morte daquele, proporcionando ao ofensor perdão e a consequente restauração da comunhão com Deus. Louvado seja o Senhor!

De igual modo, a expiação realizada pelo Senhor Jesus e o sangue derramado na cruz do Calvário, constituem a base da nossa salvação (Hebreus 9:22). É pelo derramamento de sangue que o pecado é remido (pago e removido) (Efésios1: 7; 2:13; I Pedro 1: 18, 19; I João 1: 7; Apocalipse 1: 5).

O sangue do Senhor Jesus é a base de tudo o que nos beneficia. “É pelo precioso sangue de Cristo, o sacrifício da vida, a vida derramada, que a nossa redenção é assegurada” (M. Lloyd-Jones).

Um resgate é “um preço pago pela libertação ou de uma pessoa ou de uma coisa que fora tomada ou possuída por outro” (M. Lloyd-Jones). E Cristo, pela Sua morte, libertou-nos da escravidão do pecado e da condenação eterna. Ele comprou-nos (I Cor. 6: 19, 20; Colossenses 1: 13, 14). Redenção, portanto, significa o efeito de devolução de algo, por um preço certo, pago pelo redentor.

Concluímos, pois, que a nossa salvação é o resultado da morte do Senhor Jesus, na cruz do Calvário, e da imputação da Sua justiça em nós, visto ser Ele o nosso perfeito substituto.

(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden e Introdução à Teologia Sistemática de Millard J. Erickson).

 Pastor Samuel Quimputo

A MORTE EXPIATÓRIA DO SENHOR JESUS


Já vimos no nosso estudo anterior algumas linhas de pensamento (teológico), que apresentam a morte do Senhor Jesus como tendo sido acidental ou, na melhor das hipóteses, por martírio. Vimos que a esmagadora evidência bíblica aponta no sentido de que a Sua morte foi planeada, preanunciada e amplamente ensinada em todo o Antigo Testamento. A Lei e os Profetas apontavam para Ele, como aquele cuja vida seria derramada até a morte (Isaías 53: 12)
A expiação feita pelo Senhor Jesus foi evidenciada pela Sua completa obediência ao Deus Pai. Activamente, De um modo ativo, Ele obedeceu, cumprindo todas as exigências da lei. De um modo passivo, aceitou morrer, voluntariamente, na cruz (Filipenses 3:9).
Algumas teorias têm procurado explicar o verdadeiro significado da morte do Senhor Jesus, mas de forma não totalmente bíblica.
Ao longo dos séculos, várias têm sido as teorias apresentadas como aquelas que revelam o significado mais exato da morte do Senhor Jesus, na cruz do Calvário. Eis as mais importantes:

1. A teoria do resgate – esta teoria ensina que “quando o Senhor Jesus estava a morrer na cruz, Ele estava a homenagear o diabo, isto é, estava a pagar um preço de resgate a Satanás a fim de que, por ele, pudesse libertar os que estavam no cativeiro espiritual. Este ensino, porém, não encontra apoio nas Escrituras, visto que, Satanás não passa de um “usurpador”, sem quaisquer direitos reconhecidos da parte de Deus.
Embora os pecadores sejam, de facto, resgatados do poder e da opressão de Satanás, o preço do resgate não foi pago a ele.

2. A teoria da satisfação (ou comercial) – esta teoria foi sustentada por Anselmo, arcebispo de Cantuária (séc. XI). Ela consiste no seguinte: quando o Homem pecou, a honra de Deus (mas não a Sua justiça) foi ferida. Portanto, antes que homens e mulheres pudessem ser libertos, essa honra teve que ser vindicada. Contudo, eles não eram capazes de fazê-lo. Entretanto, Deus tinha duas opções: podia castigá-los ou podia perdoá-los. Contudo, Deus não pode perdoar até que a Sua honra seja satisfeita. Assim, ensinava Anselmo, o Senhor Jesus veio pagar tributo à honra de Deus. Ao morrer na cruz, Jesus fez mais do que era necessário, visto que, como alguém sem pecado, não precisava morrer. Por ter feito mais do era necessário (já que tinha obedecido toda a lei – Gálatas 4:4), foi compensado. Mas como o Filho de Deus não precisava de ser recompensado, pediu que o Pai “lhe desse um povo”. Assim, segundo essa teoria, a nossa salvação é uma obra “além do necessário” ou seja, uma espécie de obra extra que o Senhor Jesus fizera por nós. O problema é que essa teoria (de um modo falacioso, diga-se) não menciona a justiça de Deus. É a justiça e não a honra que levou Cristo à cruz.

3. A teoria da influência moral -  esta teoria, uma das mais populares no início do séc. XX, afirma que Deus tinha dificuldade em perdoar-nos. Não por falta de amor ou por incapacidade de perdoar; mas pelo facto de o ser humano não reconhecer isso, nem mesmo crer na sua falha moral. Portanto, o que aconteceu na cruz foi uma maravilhosa exibição do amor de Deus. Segundo essa teoria, a cruz mostra o que Deus faz para nós e não o que faz por nós e em nós. Para os defensores desse ponto de vista, a cruz não era uma questão de justiça; não tinha nada a ver com Deus, mas simplesmente com o Homem. Mais uma vez, a justiça de Deus é ignorada.

4. A teoria do exemplo – diz que a morte do Senhor Jesus não passa de um bom exemplo que Ele nos deixou, um exemplo de obediência à vontade de Deus. Portanto, cada crente deve segui-lo e obedecer a Deus, indo, se necessário, até à morte.

5. A teoria governamental – diz que a morte de Cristo não se deu por causa da justiça de Deus, visto que a lei não é absolutamente final. Ela era, apenas, um meio através do qual Deus preservaria o Seu governo moral e mostraria a maldade do pecado aos homens (Teoria defendida pelo Dr. Dale).

6. A teoria do arrependimento vicário – esta teoria diz que na cruz, Cristo estava a oferecer arrependimento a toda a humanidade, de um modo aleatório.

(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden e Introdução à Teologia Sistemática de Millard J. Erickson).

Pastor Samuel Quimputo

INTERCESSORES QUE EDIFICAM OS OUTROS


“Quanto a mim, longe de mim pecar contra o Senhor, deixando de interceder por vós; eu vos ensinarei o caminho bom e direito” 

Teoricamente, todos os crentes reconhecem o valor e a importância da oração na espiritualidade cristã. Ninguém pode negar o incontestável facto de que a oração é, a par das Escrituras Sagradas, o instrumento por meio do qual o Espírito Santo realiza o Seu ministério da edificação da igreja do Senhor Jesus, derramando bênçãos sem medida, no seio do povo de Deus.

Embora o ministério da oração seja, infelizmente, um dos mais negligenciados por um grande número de crentes, ele continua a ser o elemento sustentador da “saúde” espiritual individual e coletiva dos crentes, e um infalível indicador da maturidade espiritual de cada cristão.

Afortunadamente, é por meio e pela experiência da oração que Deus manifesta a Sua graça e se revela, de um modo mais íntimo, aos seus servos, proporcionando-lhes uma sensação de proximidade e de afeto singulares.

Um dos resultados de uma vida de oração é o intenso desejo de envolver outros irmãos no ambiente da intimidade e da “bendita hora” de oração.

Com a consolidação da prática e da experiência de uma vida de oração, o peso dos problemas e das necessidades dos outros torna-se nosso, interferindo nas nossas emoções mais profundas.

Uma das personagens bíblicas que mais aprendeu o valor da oração, e por isso também experimentou os resultados do seu poder, foi Samuel.

Desde muito cedo, Samuel aprendeu com os seus pais o valor insubstituível da oração. Ana e Elcana formavam um par de servos que cultivava uma espiritualidade equilibrada, banhada pela oração e pela devoção.

A Bíblia não só menciona Ana como uma mulher que orava e derramava o seu coração diante de Deus, mas também regista uma oração específica, feita por ela, na qual percebemos tanto a sua teologia como o seu estado de espírito (1 Samuel 1: 10,11; 2: 1-10).

Além do mais, Ana e Elcana, como verdadeiros devotos que eram, anualmente viajavam de Rama até Siló, onde Eli servia como sacerdote, para adorar e oferecer sacrifícios ao Senhor (1 Samuel 1:3; 2: 19).

A vida de Samuel foi marcada pela oração (não fosse ele próprio produto das orações da sua mãe), de tal modo que essa experiência de vida se tornou notória em todo o Israel. Com muita frequência, Samuel era solicitado a interceder pelo povo quando este passava por aflições (1 Samuel12:19).

Com base em todo esse pano de fundo, não admira que a não intercessão em favor do povo fosse considerado, por ele, como algo pecaminoso perante Deus (1 Samuel 12: 23).

Para este servo do Senhor, a experiência de oração era vista como algo prioritário no aprofundamento da sua intimidade com Deus, e como meio instrumental na edificação dos seus irmãos e compatriotas.

Enquanto ensinava o povo à retidão, estimulando-o ao serviço e ao temor do Senhor, Samuel comprometia-se a não deixar de orar e de interceder pelo povo. Para ele, o ministério de intercessão representava um imperativo espiritual e devocional na sua própria vida.

Samuel tinha a certeza de que aqueles que se dedicavam ao ministério da oração, eram os verdadeiros sustentadores da espiritualidade comunitária.

Que o Senhor desperte os nossos corações para a prática deste exercício espiritual de valor incalculável, que é a oração intercessora.

Soli Deo Gloria!

Pr. Samuel Quimputo
Boletim 129
29Julho2012

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...