A Pessoa do Senhor Jesus Cristo

Todos os verdadeiros cristãos concordariam com a afirmação de que a pessoa do Senhor Jesus Cristo é central e o mais extraordinário facto na história da redenção. Todos os outros aspectos históricos, por muito importantes que sejam, não alcançarão a estupenda dimensão deste facto. Tão extraordinário que ele é, tornou o nosso cálculo histórico (e cronológico) divisível em antes de Cristo (a.C) e depois de Cristo (d.C). A encarnação é, indubitavelmente, o evento central e singular de todo o percurso histórico.
A fé cristã, diferentemente de outras crenças (ou religiões), não pode existir (e subsistir) sem a Pessoa “incontornável” do Senhor Jesus. Ele é absolutamente vital.
A prova da verdadeira fé cristã em cada ser humano reside (e evidencia-se) no facto da pessoa do Senhor Jesus ser, em termos absolutos, essencial para si. A fé cristã não pode existir em alguém em quem o Senhor Jesus não seja essencial. “Ela (a fé) está inteiramente voltada para Ele, para quem Ele é, para o que Ele tem feito e para o que tornou válido e possível para nós” (Lloyd-Jones).
Em certa medida, existe uma espécie de intolerância acerca da fé cristã, isto é, algum aspecto em que não pode haver cedência doutrinária, no que diz respeito aos fundamentos da fé cristã autêntica. Paulo provou este facto em Gálatas 1: 8,9. Tal como fez Paulo, cada cristão sincero, honesto e evangélico deve proceder da mesma forma. Uma atitude diferente e opcional seria uma traição declarada para com Aquele que deu a Sua vida, para tornar possível a salvação ao ser humano perdido e alienado do seu Deus (Actos 4: 12).
Quando alguém afirma que crê em Cristo, temos o dever (amoroso) de averiguar o que a pessoa sabe acerca daquilo que o próprio Senhor Jesus diz sobre Si. Ele disse e fez coisas que devem ser levadas em conta. Tudo foi registado para levar, não a um mero conhecimento intelectual ou admiração mas, à fé (João 20: 31).
Embora a encarnação seja um mistério insondável (por causa da nossa limitada capacidade de compreensão), a Bíblia, graças a Deus, não nos deixa um vazio (1 Timóteo 3:16). Nela encontramos matéria suficiente para nos levar à fé e à obediência. A Doutrina (ou ensino), portanto, é de extrema importância. Ela deve anteceder a conduta e deve regulá-la. A piedade sem entendimento é vaga e não passa de uma religiosidade vulgar, uma espécie de zelo oco e fanático (Romanos 10: 2), que leva, necessariamente, à auto justificação e à rejeição da verdadeira justiça que vem do Deus misericordioso e compassivo (Romanos 10: 3), que justifica o pecador, em Cristo Jesus, mediante a fé (Romanos 10: 4).
A fé cristã baseia-se em factos históricos que podem ser explicados com entendimento. Embora a fé esteja para além do âmbito da razão, elas não contrárias; apenas pertencem a dimensões diferentes. Portanto, o propósito (ou a razão de ser) da fé pode ser explicado com entendimento (IPedro 3: 15).
Podemos, assim, afirmar que o Senhor Jesus Cristo é o cumprimento de todas as profecias e de todas as promessas do Velho Testamento (2 Coríntios 1:20). Ele é, essencialmente, o cumprimento da promessa feita em Génesis 3: 15 e em Génesis 17: 10, 19, facto este confirmado em Gálatas 3:16.
A vinda do Senhor Jesus ao mundo, por meio da encarnação, trouxe glória ao templo reconstruído por Herodes (Ageu2:9); enviou João Baptista para preparar o Seu caminho (Malaquias 3:1); nasceu exactamente no lugar indicado pelos profetas (Miquéias5:2); veio da linhagem da tribo de Judá, como profetizado séculos antes (Jeremias 23: 5,6); o Seu nascimento teve lugar por intermédio de uma virgem (Isaías7:14).

(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden, Comentário de Génesis de Derek Kidner).

Textos de apoio: João 3: 16; Hebreus 1: 1,2; 3: 5, 6; 9: 10-12
Pastor Samuel Quimputo

A BONDADE DE DEUS

A Doutrina da Bondade de Deus aponta-nos para o carácter e para o “comportamento” divinos, cujo elemento essencial é a perfeição.
Por ser Deus recto, essencialmente puro e sem arbitrariedades nem ambiguidades, a Sua bondade pode ser definida como “aquela perfeição que O induz a tratar generosamente e de uma maneira benevolente todas as Suas criaturas” (Salmo 145:9; Romanos 11:22).
A bondade de Deus está intimamente ligada ao Seu amor. Se, por um lado, o Seu amor é aquele atributo pelo qual Ele é eternamente movido a comunicar-se com as Suas criaturas morais, a Sua bondade, por outro, é a expressão perfeita desse amor.
Diferentemente das criaturas decaídas, não existe em Deus qualquer mal. Nada pode manchar o Seu carácter nem contaminar as Suas motivações. As trevas são contrárias ao Seu carácter (Tiago 1:17). Nele tudo é puro e perfeito.
Quando as Escrituras mencionam a bondade de Deus, elas se referem não somente à sua abrangência, mas também à sua consistência; isto é, Deus é total e consistentemente Bom. Este facto leva-nos à conclusão de que Ele “não pode ser outra coisa senão ser bom”.
A perfeição da Sua Lei reflecte a Sua bondade. Ele não obedece a uma Lei cósmica fora de Si mesmo. Ele obedece uma Lei que é a Lei do Seu próprio carácter. A Sua Lei é eterna, imutável e intrinsecamente boa (Tiago 1:17).
A Verdade acerca da Bondade de Deus leva-nos, forçosamente, a um dos versículos mais conhecidos e citados das Escrituras, que é Romanos 8: 28. Este versículo revela a profundidade da providência divina. Ele prova o absoluto controlo que Deus exerce sobre a Sua criação, especialmente em Seu cuidado pelo bem-estar dos Seus redimidos.
Se Deus é intrinsecamente bom e capaz de fazer com que tudo funcione para o nosso bem, em última análise, tudo o que nos acontece, apesar da nossa compreensão parcial e limitada, deve ser considerado positivo e benéfico.
Significa que, no plano terrestre, as coisas podem, de facto, ser ruins (mesmo sem chamar o mal de bem nem o bem de mal), ainda assim, Deus em Sua bondade transcende todas essas coisas e age nelas e por meio delas para o nosso bem. Portanto, para o cristão, em última instância, não existem tragédias. “No final, a providência de Deus opera em todos esses males que estão próximos de nós, para o nosso benefício”.
Quando compreendemos a bondade de Deus, a nossa confiança nele cresce, visto que sendo Bom, Ele fará tudo para o nosso bem-estar espiritual.
Aquele que não poupou o Seu Filho Unigénito, por causa do Seu grande amor por nós, não permitirá que algo que seja prejudicial ao nosso crescimento espiritual invada o nosso ser. Devemos compreender (e aceitar) que até as coisas menos boas servem para cumprir o propósito divino em nós.
Ele é a perfeição de toda a noção do Bem. Ele é o Supremo Bem, por excelência! Ele é Bom e age com Bondade. Ele é fiel em Seu amor e no cumprimento das Sua promessas. Louvemos o Seu santo Nome. Amém!

Textos de apoio: Êxodo 34: 6,7; Salmo 25: 8 – 10; Salmo 100:1-5; Tiago 1:17

(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C. Sproul e Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd e Teologia Sistemática de Wayne Gruden).

A JUSTIÇA DE DEUS

Depois de termos estudado acerca da Santidade de Deus, passamos, agora a reflectir sobre um outro atributo moral que, naturalmente, vem a seguir, que é a Justiça ou Rectidão de Deus.
Justiça é uma palavra que ouvimos com frequência. Ela é usada, basicamente, nos relacionamentos interpessoais: nas convenções sociais, em relação à legislação, nos veredictos pronunciados nos tribunais, etc.
Embora seja uma palavra comum e de uso quotidiano, ela é uma palavra que deixa muita gente perplexa quando tenta defini-la. Às vezes ela é conectada com aquilo que é conquistado ou merecido. Por exemplo, é comum falarmos de pessoas que receberam aquilo que mereciam, em termos de recompensa ou de punição. Contudo, as recompensas nem sempre são baseadas nos méritos.
Na tentativa de se encontrar um significado mais adequado ao conceito de justiça, Aristóteles definiu a justiça como “dar a uma pessoa aquilo que lhe é devido”. E, como sabemos, o que é ‘devido’ pode ser determinado por obrigações éticas ou por acordo preestabelecido. Por exemplo, se uma pessoa recebe uma punição mais severa do que o seu crime merece, tal punição é injusta. De igual modo, se alguém recebe uma recompensa inferior à que merece, a recompensa é injusta.
Assim sendo, a Justiça de Deus deve ser entendida como a manifestação da Sua santidade para connosco; isto é, aquela qualidade existente em Deus, que O leva a fazer sempre o que é certo (ou recto). De uma forma negativa, podemos definir a justiça divina como uma qualidade (ou um atributo) que torna Deus incapaz de fazer algo que seja errado. A justeza do Seu ser e dos Seus actos é inerente à Sua natureza santa e justa.
A Rectidão e a Justiça de Deus são, por assim dizer, “a Sua santidade em acção e a expressão dessa mesma santidade no governo do mundo e de todas as Suas criaturas.
A Rectidão de Deus é a demonstração da Sua Santidade legislativa, isto é, da sua santidade judicial (ou legal).
Se a Rectidão de Deus expressa o Seu amor pela Sua santidade, então, a Sua justiça é a Sua abominação pelo pecado (João 3:36; Efésios 2:3). Pelo facto de ser Santo, Deus rejeita (e de distancia de) tudo o que é contrário à Sua natureza.
Diante desta realidade, surgem algumas questões fundamentais:
1ª Qual é, então, a relação entre a justiça de Deus e a Sua misericórdia?
2ª Como é que a graça e a misericórdia de Deus se enquadram na Sua infalível justiça?
Como a Bíblia ensina, a graça e a misericórdia de Deus são sempre voluntárias. Quer dizer, Deus exerce-as sem que do lado dos beneficiários (humanos) haja qualquer espécie de mérito ou de causas que exijam uma recompensa. Tanto a graça, assim como a misericórdia de Deus são fruto do Seu beneplácito (ou livre vontade) (Romanos 9:15).
Esta verdade leva-nos à conclusão de que, diante do Deus Justo nada é meritório da nossa parte. Ele é justamente soberano para agir com cada uma das Suas criaturas como lhe apraz. Quando Deus perdoa uma pessoa e não outra, Ele não é obrigado a fazê-lo.
A Misericórdia e a Graça de Deus são formas de “não justiça”, mas não são actos de injustiça. Tanto a graça, assim como a misericórdia de Deus não são exigidas. Elas devem ser suplicadas, visto que só serão exercidas pela livre e soberana vontade do Deus justo (Génesis 18:25; Ezequiel 18:4; Romanos 9:14).
É importante salientar que a Justiça de Deus não se manifesta somente na Sua ira. Ele revela as mesmas qualidades quando aplica o perdão pelos nossos pecados (Romanos 3: 25; I João 1:9).
A rectidão e a justiça de Deus manifestam-se na manutenção e preservação da Sua Palavra ou seja e no exercício da Sua fidelidade.
Embora o exercício da justiça divina não seja fruto do mérito humano, Deus, por causa da Sua graça, recompensa os justos (2 Timóteo 4:8). Isto é, pelo facto de ser um Justo Juiz, Ele, através dos méritos do Seu Cristo, terá em conta a obediência daqueles que por Si foram chamados. A fidelidade e o serviço cristãos serão recompensados.
Como crentes no Senhor Jesus, devemos descansar da justiça de Deus, confiando nas fiéis promessas do Seu amor e perdão.

Textos de apoio: Génesis 18:25; Êxodo 34: 6,7; Neemias 9: 32,33; Salmo 145:7; Romanos 9: 14-33

(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C. Sproul e Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd e Teologia Sistemática de Wayne Gruden).

O PACTO DA GRAÇA NO NOVO TESTAMENTO

Um estudo cuidadoso da Bíblia mostra que, o pacto da graça é o mesmo, tanto no Antigo assim como no Novo Testamentos. É correcto, porém, afirmar que ele foi administrado ou dispensado de duas formas – a antiga e a nova dispensações.
Este pacto foi delineado logo no princípio, em Génesis 3: 15, e entregue de forma clara e proposicional a Abraão, em Génesis 17.
Como já vimos, Deus fez outros pactos “subsidiários” em relação a nação de Israel; contudo, devemos ser cuidadosos e enfatizar o facto de que “nenhum desses pactos adicionais interfere, desvia, ou mesmo interrompe o pacto da graça firmado com Abraão”. Convém afirmar, com toda força, que sem esse pacto não haveria esperança para nós. Ele estabelece a base da nossa aceitação perante o Criador.
A Nova dispensação ou melhor, a nova administração do mesmo pacto da graça, mantém o mesmo propósito inicial de Deus, que era (e é) conduzir-nos de volta ao conhecimento da Sua Pessoa, numa relação de amor. E tudo isso foi realizado, de facto, através da obra do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Mais uma vez afirmamos que, apesar deste pacto se chamar de “novo”, por causa da nova abordagem ou administração, ele continua a ser o mesmo estabelecido na “antiga” dispensação (Génesis 17: 8). O único alvo, nas duas administrações, é sempre o relacionamento com Deus (Sal. 51: 10,12). O Tipo e o género da benção a ser buscada é a mesma, tanto no Velho quanto no Novo.
Além disso, a Bíblia ensina de forma clara que “só há um evangelho”, bem latente no Velho Testamento e nitidamente patente no Novo (Gálatas 3: 8). A prova disso é que “os santos do Velho Testamento vivem agora no reino de Deus exactamente da mesma forma que nós hoje, e participam connosco das mesmas bençãos divinas” (Lucas 13: 28). Paulo destaca a unidade do povo de Deus de todos os tempos (Romanos 11: 5, 16-18, 24). Ele prova que a “antiga e a nova economias, pertencem, ambas, à mesma árvore”, formando “ um só reino, um só pacto da graça, uma só salvação” (Gálatas 3: 14, 29).
A mesma verdade encontra-se incluída em Efésios 2: 11–13, onde os gentios “chegaram perto” do pacto da graça e se tornaram participantes da promessa (Efésios 3: 6 cf. Hebreus 6: 12,13; 11: 39,40).
Outra evidência é o facto de que, segundo as Escrituras, “só há um único meio de obter a salvação e todas as bençãos, e esse é o caminho da fé”. Os santos do Velho testamento criam, explicitamente, em Deus e nele exerceram a sua fé, fizeram desta o seu modo de vida (Habacuque 2:4, cf. Romanos 1: 17; 4: 23-25). O cristão recebe a justificação pela fé tal como Abraão a recebeu. Nas duas dispensações há um único Mediador, que é o Senhor Jesus (Apocalipse 13: 8). A antiga aliança da graça já apontava para Cristo, o Único Mediador entre Deus e os homens (João 5: 39, 46; 8: 56; Hebreus 9: 15), em cujo Nome há perdão dos pecados (Actos 10: 43; Romanos 3: 25).
Uma das grandes diferenças é que, no Velho Testamento, a verdade acerca do Senhor Jesus era caracterizada pelos “tipos e sombras, presságios e alusões, os quais constituíam a forma que a promessa assumia na primeira dispensação”. Nesse sentido, a Antiga Aliança foi mediada através dos servos Abraão e Moisés; mas a Nova Aliança foi mediada pelo Filho (Hebreus 3: 5,6). Na pessoa do Filho a revelação tornou-se mais clara, por meio da encarnação (Hebreus 1: 1–3; 9: 10-12).
A outra diferença entre as duas administrações reside no facto de que a antiga destinava-se a um só povo, embora o alcance final fosse universal. E isso por que a antiga dispensação era de carácter preparatório, enquanto que a nova é final.
Concluímos, pois, que a diferença entre ambas as dispensações pode ser comparada àquela entre uma criança e um adulto, embora em ambos os casos, ele continue sendo filho (Hebreus 11: 40).
Portanto, devemos enfatizar a realidade de que há tão-somente um pacto da graça, e todo ele concentra-se em torno do Senhor Jesus. O Antigo Testamento apontava para Ele e o Novo revela-o, exibindo a sua gloriosa pessoa, na qualidade de Filho do Homem encarnado.


(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden, Comentário de Génesis de Derek Kidner).
Pastor Samuel Quimputo

O PACTO DA GRAÇA NO VELHO TESTAMENTO

(Hebreus 1: 1,2)
O Homem foi criado perfeito e sem pecado. Mas tendo falhado em guardar a lei e o mandamento de Deus, caiu em pecado, tornando-se escravo de Satanás, o que resultou na sua morte espiritual ou insensibilidade para com o seu Criador (Efésios 2: 1-3). A verdade bíblica é a de que, se ele fosse deixado à sua mercê, a sua condição transformar-se-ia mais e mais num quadro de total desespero. Contudo, pela Sua infinita graça, amor e misericórdia, Deus condescendeu-se e buscou o homem com compaixão, informando-o do Seu grande plano de salvação.
Deus revelou-se ao homem através de um pacto, conhecido como o Pacto de redenção ou o Pacto de salvação.
Esta realidade mostra-nos o facto de “a estrutura básica do relacionamento que Deus estabeleceu o seu povo é a aliança” ou o pacto.

A Natureza de Um Pacto
Embora, de um modo geral, uma aliança seja entendida como um contrato, existem algumas diferenças entre elas. Ambos são acordos obrigatórios. Os contratos são feitos a partir de posições de pesos relativamente equilibradas e iguais. Em certo sentido, uma aliança também é um acordo, embora não envolva partes, necessariamente, iguais.
Contudo, na Bíblia, as alianças geralmente não são entre partes iguais. O padrão comum seguido é o do antigo Médio Oriente, semelhante aos tratados estabelecidos entre suseranos e vassalos (ex. entre os reis hititas), que eram firmados entre um rei vencedor e outro vencido, cujos elementos eram, com base em Êxodo 20, os seguintes:
- O preâmbulo, que relacionava as duas partes (v. 2);
- O prólogo histórico, que provava o que o suserano tinha feito para merecer a lealdade exigida (v. 2);
- As estipulações, que representavam as exigências do dominador sobre os dominados (vv. 3-17), isto é, as condições da própria aliança (v23);
- Os juramentos ou votos, que constituíam as promessas que obrigavam as partes aos termos (vv. 22-24);
- As sanções, isto é, as recompensas ou as punições (bençãos/maldições) resultantes da obediência ou violação da aliança;
- A ratificação, que representava a selagem da aliança (ex. Génesis 15) que, geralmente, era celebrada por meio do sacrifício de um animal (Génesis 17).
Assim sendo, podemos definir o Pacto como sendo “uma aliança ou um acordo que é assumido por duas partes, sendo essas duas partes, geralmente, mais ou menos de posição igual”.
Contudo, quando Deus faz um pacto com um homem, não há dois participantes em igualdade de circunstâncias; neste caso é Deus que está a conferir o Seu pacto ao homem. Ele não tinha necessidade de fazê-lo. Simplesmente resolve fazê-lo por causa da Sua livre e boa vontade, comprometendo-se a ser “o seu Deus”, numa relação outrora quebrada por Adão, por causa do pecado (Êxodo 6: 7; Jeremias 31: 33; 32:38-40; Apocalipse 21:3).
Como o primeiro pacto foi violado, o pacto original das obras, estabelecido com Adão, Deus fez um novo pacto, que se chama de Pacto da Graça que se encontra em Génesis 3: 15, onde o Evangelho é prefigurado numa espécie de prenúncio das boas-novas.
A Razão disso é que, o único pacto das obras estabelecido entre Deus e a humanidade, no qual exigiu perfeita e total obediência ao Seu governo, foi violado. Todos os seres humanos, desde Adão até ao dia de hoje, estão debaixo desse pacto. Um único pecado foi suficiente para violá-lo. Adão violou-o (Gálatas 3: 10 -14).
O único ser humano que o cumpriu e obedeceu na íntegra foi Jesus. A sua acção, como segundo Adão, satisfaz todos os termos da nossa aliança original com Deus. O Seu mérito em satisfazer as suas exigências, faz dele o único meio através do qual todos os seres humanos entrariam no céu e beneficiariam da comunhão com Deus (Romanos 5: 12-14).
Assim, Jesus é a primeira (e única) pessoa humana a entrar no céu pelas suas boas obras. Todos os outros seres humanos entram no céu, na vida de comunhão com Deus, através das boas obras, isto é, das boas obras de Jesus, mediante a fé Nele e na Sua obra, realizada na cruz do Calvário (Romanos 10: 5-13).


(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden, Comentário de Génesis de Derek Kidner).

Textos de apoio: Génesis 15; Êxodo 20; Jeremias 31:31-34; Lucas 22:20; Hebreus 8; 13: 20, 21
Pastor Samuel Quimputo

A REDENÇÃO: O ETERNO PLANO DE DEUS (Continuação)

Em terceiro lugar, a Bíblia ensina que o plano da redenção não foi uma reflexão posterior à queda. Não foi uma resolução tomada a posteriori do momento em que o Homem pecou. Supor tal coisa é contrariar, claramente, o ensino das Escrituras. O que Elas afirmam é que, antes mesmo de Deus ter criado o Homem, o plano da Redenção já se encontrava nitidamente esboçado na mente de Deus (Efésios 1:4).
Esta verdade afasta definitivamente o ensino de que Deus está constantemente a modificar o Seu plano e os Seus propósitos, consoante as acções e os procedimentos humanos. A verdade é que, os pormenores das actuações humanas é que se ‘encaixam’ no grande plano divino, funcionando como causas secundárias do propósito divino.
Em quarto lugar, as Escrituras indicam que antes da fundação do mundo, houve o conselho divino em relação, não só à criação do Homem mas também, à sua redenção; e nesse conselho, a obra da redenção foi distribuída às três pessoas da Santa Trindade, sendo o Deus Pai o originador, o Filho o executor e o Espírito Santo aquele que aplicaria nos corações humanos a obra realizada pelo Filho.
Foi nesse conselho que se estabeleceu uma espécie de pacto entre o Pai e o Filho, onde o Filho foi feito o “herdeiro de todas as coisas” (Hebreus 1:2). Assim, tudo o que foi feito foi entregue (ou legado) ao Filho, sendo Ele o Senhor de tudo (João 17: 2).
O Filho, nesse mesmo conselho, foi feito o “cabeça” ou representante de uma nova humanidade (Romanos 5). Nenhum outro homem caído podia representar a humanidade e cumprir o pacto das obras a não ser o próprio Filho de Deus, através de quem o mundo seria vivificado (1 Cor. 15: 22).
Nesse pacto estabelecido entre ambos, o Pai deu ao Filho o povo a quem Ele ressuscitaria no último dia (João 6; 17: 1, 2, 6, 12; Hebreus 2: 13). Antes da fundação do mundo, o Pai deu ao Filho uma tarefa que Ele realizou, que realiza no presente e que realizará, com sucesso, no futuro (João 17: 4). Tudo tornou-se efectivo, quando o Filho se ‘vestiu’ do corpo que lhe foi preparado pelo Pai (Salmo 40; Gálatas 4: 4; Hebreus 10: 5). Assim como ninguém vai ao Pai sem passar pelo Filho, assim também, ninguém vem ao Filho se pelo Pai não for enviado (João 14: 6; João 6: 37, 44).
Em quinto lugar, o plano de Deus, como Senhor do universo que é, será executado e cumprido na íntegra. Nada há nele de fortuito ou de contingente. É um plano perfeito desde o princípio. O Seu cumprimento será cabal, tal como foi delineado no princípio. Embora esse plano se realize no tempo, tudo o que acontece foi previsto desde o início por Deus. É por esta razão que as profecias bíblicas se têm cumprido com infalível precisão (Génesis 6 e 7; Génesis 15: 13-16). Todas as predições aconteceram no momento preciso designado por Deus.
O próprio fim só terá lugar quando “todo o Israel for salvo” (Romanos 11: 25, 26). Nada irá falhar.
Em sexto lugar, assim como a promessa do Salvador, anunciada no momento da queda, teve cumprimento real (Génesis 3: 15; Gálatas 4: 4), assim também, toda a História caminhará para o fim previsto e predestinado por Deus. Esta verdade deve estimular a nossa alegria e consolidar a nossa confiança, visto que as promessas que nos são feitas terão real cumprimento. Há um Deus Soberano e poderoso que dará cumprimento a tudo o que foi prometido aos que têm fé em Cristo Jesus. Aleluia!
Não existe poder natural ou sobrenatural, capaz de impedir o perfeito desenrolar do plano de Deus, proposto no Seu eterno conselho, antes da fundação do mundo!

Em sétimo lugar, a Bíblia ensina o facto de que a redenção é um mistério que estava oculto e que, agora, foi revelado, mostrando o grande plano da salvação de Deus, cuja vontade é a de reunir toda a Sua obra, renovando-a na Pessoa do Seu Filho (Efésios 1: 9, 10).
É comum (mesmo entre nós evangélicos) pensarmos que a redenção só se destina à salvação da humanidade. Contudo, as Escrituras mostram claramente que “este grande propósito de Deus inclui os céus e a terra”. Tudo, em todos lugares, está envolvido no Seu propósito redentor, até mesmo o destino final de Satanás, do mal e de tudo quanto pertence ao seu domínio, estão predeterminados pelo Rei do universo. A separação final é infalível. Todo o mal será banido da realidade e da presença de tudo o que for remido e purificado (2 Pedro 3:13).
Em oitavo lugar, o apóstolo Paulo afirma que o propósito de Deus Pai consiste em que tudo seja realizado em torno do Seu Filho (Efésios 1:10,11). Esta verdade é fundamental. A Redenção não pode funcionar à parte de nosso Senhor Jesus Cristo. O ensino acerca de uma “eventual” nova dispensação da lei que terá lugar, quando a da graça tiver terminado (encontrada em algumas notas bíblicas) não tem suporte bíblico.
Na Bíblia “não há nenhuma menção de qualquer meio de salvação que seja, em qualquer parte, excepto em e através do Senhor Jesus Cristo”. Há um só evangelho; um só meio de salvação (Actos. 4: 12). Os santos do Velho Testamento foram salvos em Cristo tal como nós somos; e todos quantos ainda viverão no futuro, serão salvos em Cristo. Ele veio e morreu por ser a Única via de salvação, o Único meio da reconciliação com Deus.
É preciso salientar que, tanto o Velho quanto o Novo Testamentos, têm como figura central o Senhor Jesus Cristo (Lucas 24: 44). O Velho Testamento foi (e é) a promessa, a preparação da vinda do Messias. O Novo Testamento é o seu cumprimento. O Novo Testamento é o cumprimento de cada tipo e de cada sombra encontrados no Velho Testamento. É o antítipo (original) de todos os tipos (cópias ou figuras).
Em nono lugar, a Bíblia ensina que Deus, em Sua imensa condescendência, em Sua infinita graça e benevolência, não só determinou o plano de redenção, mas também fez algo maravilhoso e extraordinário, isto é, fez acordos com os homens.
O “omnipotente e eterno Deus, o soberano Senhor do Universo, volta-se para homens e mulheres pecadores e que se rebelam contra Ele”, para contar-lhes o que pretende fazer. Ainda mais, confirmou o que pretende fazer com um juramento, a fim de que o homem pudesse ter uma plena e segura esperança (Hebreus 6: 17-20).
Esta verdade acerca dos pactos estabelecidos por Deus, unilateralmente, embora exija obediência e fidelidade da parte dos homens, prova o Seu incompreensível amor para com a humanidade pecadora, fraca e carente de recursos próprios para sair da situação em que se encontra.
A compreensão desta doutrina (como princípio bíblico) deve afastar, em qualquer coração redimido, toda atitude de arrogância e de auto-suficiência, substituindo-as por outra de constante humildade e gratidão.
Toda a honra e toda a glória devem ser atribuídas somente a Deus e a ninguém mais!

(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden, Comentário de Génesis de Derek Kidner e A Terra…De Onde Veio de John C. Whitcomb).

A SANTIDADE DE DEUS

A doutrina da Santidade é umas das doutrinas mais esclarecedoras e que distingue o Criador e Único Deus de todas as Suas criaturas. Ela expressa a combinação da grandeza e da bondade de Deus, numa escala inatingível e com uma profundidade insondável.
Este será a nossa primeira doutrina sobre Deus, enquadrada nos chamados atributos comunicáveis de Deus, isto é, características ou qualidades divinas que são compartilhadas (ou comunicadas) às criaturas morais e espirituais.
Quando pensamos na santidade de Deus, geralmente, associamos esta característica, quase exclusivamente, a pureza e a justiça divinas. Certamente a ideia da santidade contém as duas virtudes. Contudo, existe um outro aspecto que possui o carácter central e primário quanto ao conceito da santidade.
A palavra bíblica “santo” possui dois significados distintos. O significado primário é o da “separação” ou “distinção”. Quando a Bíblia afirma que Deus é santo, ela aponta, em primeiro lugar, para a profunda diferença existente entre Ele e toda a Sua criação. Refere-se à majestade transcendente de Deus, isto é, à Sua augusta superioridade, em virtude de que Ele é digno de toda a honra, reverência, adoração e louvor. Ele é ‘distinto’ ou diferente de nós (e de todas as criaturas) em glória.
Segundo o claro ensino das Escrituras, santificar é colocar à parte; é consagrar algo para um propósito e uso especiais; é diferenciar daquilo que é comum (pessoas, objectos, tempo, etc.).
O que torna a criatura santa não é, diferentemente da pessoa de Deus, a sua essência própria, mas, sim, a sua proximidade com a santidade divina. É a aproximação ao divino, ou seja, ao Deus santo, que torna o ordinário subitamente extraordinário, transformando aquilo que é comum em incomum (invulgar ou especial).
O significado secundário de santo refere-se às acções puras e justas de Deus. Ele faz sempre o que é certo. Nunca erra. Ele age de maneira certa porque a Sua natureza é santa. Este segundo transmite a ideia da excelência moral de Deus.
Isto leva-nos a uma observação muito importante acerca da justiça de Deus. Podemos distinguí-la de duas maneiras:
1ª a justiça interna de Deus (a Sua natureza);
2ª a justiça externa de Deus (as Suas acções)
Podemos, assim, concluir que Deus é grandioso e bom porque Ele é Santo. Os Seus motivos são puros e as Suas acções são justas. A motivação que move as realizações divinas é pura e não contém dolo. As Sua intenções não são ambíguas.
Como povo do Deus santo, somos chamados a ser santos. Isso não significa que participamos da Sua majestade, mas que devemos ser diferentes da nossa natureza pecaminosa “normal” como criaturas caídas. Significa que devemos, seguindo o exemplo do Senhor Jesus, viver de modo a glorificar Deus, fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance para cumprir a Sua santa vontade (Romanos 12: 1,2; 1 Pedro 3: 15).
O desafio que nos é colocado é o de reflectirmos o carácter, a imagem e a actividade moral de Deus, imitando a Sua bondade e rectidão. Devemos ser santos porque Ele é Santo (1 Pedro 1: 15,16).
Amém!

Textos de apoio: Êxodo 3:1-6; I Samuel 2:2; Salmo 99: 1-9; Isaías 6: 1-13; Apocalipse 4:1-11

(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul e Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd e Teologia Sistemática de Wayne Gruden).