Feliz Natal

Esta noite, em Belém, a cidade de David, nasceu o Salvador - sim, o Cristo, o Senhor.

feito pelas crianças de Sete Rios
ano 2013


O PRÍNCIPE QUE ENCARNA E NOS TRAZ A PAZ


“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso conselheiro, Deus forte, Pai da
eternidade, Príncipe da paz” (Isaías 9:6)

Um dos sentimentos mais devastadores para a personalidade humana é a sensação de intranquilidade interior, sensação essa que nos “rouba” o equilíbrio psíquico e nos “suga” a beleza física. Essa intranquilidade faz com que a nossa visão da realidade seja substancialmente reduzida, levando-nos a perder, gradualmente, a alegria de viver e a motivação para continuarmos a desenvolver a imaginação e a sonhar.
Contudo, a paz, isto é, a tranquilidade interior, gera uma “atmosfera saudável” de bem-estar,  levando aqueles que a sentem a expandir a sua capacidade de amar e de servir os outros, com alegria e com abnegação. Isto só é possível porque a sensação de paz  nos permite exercer a nossa cidadania (dever cívico e moral), no pleno uso das nossas faculdades pessoais.
Embora tudo isso seja verdade, no que diz respeito ao equilíbrio da personalidade humana, sabemos pelo ensino da Palavra de Deus que a verdadeira paz só pode ser experimentada quando (e só quando) o ser humano é reconciliado com Deus.
A Bíblia declara, sem reservas, que todo o homem não reconciliado com Deus vive num estado de inimizade com Ele (Romanos 5: 10; Colossenses 1:21). A paz com Deus só pode ser experimentada por meio da fé na obra redentora realizada na cruz do Calvário (Romanos 5: 1; Colossenses 1: 20).
O profeta Isaías anunciou, com uma antecipação desconcertante, que o menino  nascido seria, entre outras categorias, o Príncipe da paz, aquele que serve de mediador entre o Deus Santo e o pecador desesperado e perdido.
Mesmo sabendo que a profecia tinha como primeiro e imediato foco o filho da profetiza, sinal de garantia da proteção divina sobre Judá (Isaías 8: 3), ela se desdobra e se cumpre plenamente em Cristo, visto que nenhuma criança nascida em Israel foi identificada como “Deus poderoso” ou “Pai da eternidade”.
Embora o próprio Senhor tenha afirmado que não viera para estabelecer paz, mas, sim, dissensões entre os homens (Lucas 12: 51), o contexto das suas palavras mostra-nos o facto de que tais dissensões resultam da própria natureza do conflito entre os dois reinos (reinos espirituais), que entram em colisão sempre que um membro da família seja introduzido no reino de paz e de amor, pelo poder do sangue de Jesus.
Contudo, o Senhor continua a ser o Príncipe da paz, visto que o seu sangue vertido na cruz, em obediência ao Pai, estabelece a base sobre a qual a verdadeira paz é implementada. Não é de estranhar, portanto, que no momento do anúncio do seu nascimento, os anjos declarassem aos pastores que esse advento era a proclamação da “paz na terra entre os homens” (Lucas 2: 14).

Louvemos, pois, ao Senhor, nosso Deus, por nos ter conciliado consigo mesmo, na pessoa do Seu amado Filho (2 Coríntios 5: 19, 20). Exaltemos todos o Príncipe da paz! Celebremos o nascimento do grande Rei! 

Soli Deo Gloria!                          

Boletim 145 
01 dez 2013

o bolo do 15º aniversário


Para os que estiveram connosco, das mais variadas formas,  em celebração, o nosso obrigado

fotografia e confecção da família Menezes

EVANGELISMO BÍBLICO: TRÉGUAS OU RENDIÇÃO?

“E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: 
Que faremos, irmãos?” (Atos 2: 37)

Martinho Lutero, uma das mais destacadas figuras da Reforma Protestante do século XVI, afirmou que, tendo em conta a facilidade com que o homem se afasta da verdade, a Igreja do Senhor Jesus devia fazer, ciclicamente, uma autoavaliação, de modo a ver quão próximo ou distante se encontrava da verdade das Escrituras, relativamente às doutrinas fundamentais da fé cristã e à conduta que devia pautar o viver diário dos seus membros, na qualidade de seguidores de Cristo.
Segundo Lutero, a Igreja devia realizar “reformas internas” que a protegeriam de tendências nocivas que a podiam levar a desviar-se da sua identidade apostólica, centralizada em Cristo. A autoavaliação periódica protegê-la-ia dos perigos do sincretismo religioso, de desvios doutrinários e de toda a influência prejudicial à preservação da pureza do evangelho bíblico.
O conselho de Lutero reveste-se de grande relevância nos dias de hoje, onde impera o relativismo absoluto (ou quase), o determinismo materialista, o sincretismo religioso e o liberalismo teológico (ainda resistente) .
Um exemplo prático, e bem evidente à vista de todos, é a mudança do paradigma bíblico, no que diz respeito ao evangelismo atual, fortemente influenciado pelo movimento carismático do início do século XX, centralizado no homem e nos dons espirituais (Carismata, Carismata), fazendo dele a causa e o centro de toda a proclamação do evangelho da salvação, em vez de Deus e da sua glória.
Nesta nova abordagem “evangelística”, o amor de Deus é apresentado de  forma isolada do resto dos atributos divinos, apelando ao ouvinte que creia na mensagem, que aceite Cristo no seu coração, contudo, sem ser desafiado a reconhecer o seu pecado, a sua culpa e a sua incapacidade de salvar-se a si mesmo.
Essa mensagem suave, elaborada ao “gosto do cliente e do consumidor”, que não leva o pecador a  sentir-se compungido em seu coração e a clamar, com todas as suas forças: “que farei?”, em sinal de desespero diante da suprema santidade de Deus e da Sua justa indignação (diga-se, ira), afasta-se grosseiramente do padrão bíblico (João 3: 36; Romanos 1: 18).
O método bíblico de evangelização, representado pela pregação do apóstolo Pedro, no dia de Pentecostes, é aquele que desafia o pecador perdido e o convida ao arrependimento e à rendição completa Àquele que pode perdoar os pecados e conceder vida eterna, vida essa outorgada com o dom do Espírito Santo (Atos2: 38).
O padrão bíblico de pregação mostra-nos, com toda a clareza, que enquanto o evangelho era proclamado com amor e com verdade, os pecadores eram confrontados com o Deus santo e justo, que um dia irá julgar o mundo, por meio do varão perfeito, o Seu Filho amado, o Senhor Jesus (Atos 17: 30, 31).
Portanto, proclamar o evangelho da salvação não é declarar tréguas entre Deus e o  pecador, mas sim convidar o pecador a render-se, em humildade, diante do único Deus que salva e perdoa, pela Sua maravilhosa graça.

Soli Deo Gloria!      

Boletim 144 
27 out 2013

A PROFECIA QUE PROTEGE E PRESERVA

“Onde não há profecia, o povo se corrompe, mas o que guarda a lei, esse é bem-aventurado.” 
(Provérbios 29: 18)

Quando a questão da espiritualidade bíblica, autêntica, é discutida, é frequente a polarização de opiniões entre os que destacam a importância singular da doutrina (teologia correta ou ortodoxia) e aqueles que sobrevalorizam a experiência (conduta certa ou ortopraxia), cada um dos grupos procurando provar que o seu ponto de vista é o melhor e o mais relevante para o testemunho cristão.
Uma cuidada leitura da Bíblia, particularmente em textos onde há instruções claras sobre o modo correto de se viver a fé e de agradar a Deus, provará que as duas perspetivas se complementam mutuamente, embora obedeçam a uma ordem lógica e teologicamente coerente, onde, a doutrina, salvo raras exceções,  aparece sempre como a força orientadora do modo de viver.
Uma das causas da atual crise de identidade cristã, prende-se com a confusão doutrinária que tem vindo a assolar as nossas igrejas (por culpa dos seus líderes), levando os seus membros a sobrevalorizar a doutrina (ou ensino teológico) em detrimento da boa conduta, ou a optar por uma espiritualidade definida pela experiência (conduta), que menospreza a doutrina, mesmo que essa experiência não possa ser sustentada pelo ensino das Escrituras.
As epístolas do Novo Testamento, escritas com o propósito de instruir comunidades de fé recém formadas, dão-nos uma boa orientação acerca dessa questão  determinante para uma vivência de fé sólida e equilibrada.
De um modo geral, a doutrina (ensino), que estabelece o conteúdo das verdades a serem cridas, deve desempenhar o seu papel orientador e delimitador da conduta e da experiência a ser vivida. Quer isto dizer que qualquer modo de vida considerada aceitável, do ponto de vista dos crentes, deve sempre passar pelo crivo do ensino claro das Escrituras. Assim, a conduta deve ser moldada pela orientação doutrinária.
Os apóstolos e os profetas, considerados o fundamento do edifício santo que constitui a família de Deus, são os mensageiros autorizados por Deus para orientar o Seu povo, por meio da revelação (Efésios 2: 20; 3:5).
Quando o escritor de Provérbios afirma que “onde não há profecia, o povo se corrompe”, pretende ensinar-nos a verdade de que onde não existe ensino, revelação da vontade divina, diga-se, doutrina, o povo perde as referências para viver dentro dos limites estabelecidos e, consequentemente, entra num processo crescente de confusão doutrinária e ética e de degradação moral.

A revelação da vontade de Deus (profecia), consubstanciada na Palavra escrita, serve de âncora na preservação da fé do povo redimido, contra as heresias e práticas religiosas não bíblicas, contribuindo, desta forma, para uma experiência feliz  que evidencia o fruto do Espírito. 
Soli Deo Gloria!  
in Boletim da igreja nº 143
29 setembro 2013

PALAVRA, MUDANÇA E DISCÍPULOS


“E crescia a palavra de Deus, e  em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé.” (Atos 6: 7)


Vivemos num tempo de mudanças rápidas e constantes que, muitas vezes e de várias maneiras, não nos permitem desfrutar e “digerir as novidades durante um período de tempo relativamente suficiente para as desfrutar e “digerir”. Quando começamos a habituar-nos ao que nos é apresentado como a solução mais eficaz para satisfazer as necessidades do momento, eis que surge, algures, outra notícia da última novidade, enfeitada com o mais sofisticado knowhow publicitário, capaz de convencer até o mais cético dos consumidores. O resultado desse tipo de “amor pela novidade” afeta negativamente a nossa capacidade de admirar o durável, de apreciar o que permanece e de nos deixarmos encantar pelo eterno, tornando-nos presas fáceis de um pragmatismo compulsivo, promovido e incentivado pelos “vendedores da última novidade”.
A Igreja dos nossos dias, formada (como é óbvio) por pessoas do nosso tempo, sujeitas à pressão e à persuasão dos media, tem vindo a tentar adaptar-se ao “curso natural deste mundo”, onde o desejo de mudanças rápidas se destaca como a mais relevante das marcas da sua identidade.
Contudo, qualquer igreja que queira prosperar na sua missão de ser sal e luz, numa sociedade desequilibrada e em crise de identidade própria, deve permanecer firme, mantendo-se inabalável sobre o alicerce colocado pelos apóstolos, cuja pedra principal é o próprio Senhor Jesus (Efésios 2:20; 1 Pedro 2:4,5).
Embora as mudanças façam parte de qualquer processo de desenvolvimento natural de um organismo vivo, elas devem ser promovidas e sustentadas pelo poder transformador do Espírito Santo, que opera no interior da alma, e devem apoiar-se nas claras orientações da Palavra revelada de Deus.
Quando a Palavra é exposta fielmente no seio da igreja reunida, ela exerce uma influência reguladora de todo o contexto de culto, permitindo que o Espírito Santo atue, com poder e liberdade, em cada congregado, proporcionando a todos um excelente ambiente de bem-estar e de crescimento saudável.
É a mudança produzida pela influência da pregação biblicamente alicerçada que faz com que as igrejas sejam formadas de verdadeiros discípulos do Senhor Jesus, cujas vidas revelam sinais inequívocas da obra graciosa de transformação contínua, que o Espírito Santo, cuidadosamente, vai realizando no seu interior.
Concluímos, pois, que a mudança legítima e sustentável que deve ocorrer na igreja do Senhor Jesus (e na vida de cada crente) é aquela que resulta da operação realizada pelo Espírito Santo, por intermédio da exposição clara e fiel das Escrituras. Esta mudança é a verdadeira marca que carateriza os seguidores de Cristo, cujas vidas revelam fé e graça. 
Soli Deo Gloria!                           
Pr. Samuel Quimputo
in boletim da igreja 142
1 de setembro 2013