ADMIRANDO A GLÓRIA DE DEUS




Segundo o apologeta e conferencista Ravi Zacharias, um dos requisitos para se viver a vida com sentido e equilíbrio é o exercício do “senso de admiração”, que estimula a mente e desperta as nossas emoções a deixar-se encantar pela beleza da criação divina.

A abordagem acertada de Ravi Zacharias leva-nos, necessariamente, a um patamar mais alto, no qual o “senso de admiração” ou o “encanto pelo maravilhoso” se transforma numa grata apreciação da beleza e da harmonia de tudo o que foi criado e que existe, de certo modo, para estimular a nossa imaginação.
Por sua vez, a verdadeira apreciação do mundo criado (com propósito e com sentido) deve conduzir o observador a uma atitude de gratidão, que é a “marca registada” de um coração e de uma vida crucialmente alcançados pela graça divina.

Uma das disciplinas espirituais a serem exercitadas diariamente, e o melhor legado que podemos deixar às gerações mais novas (tais como filhos, por exemplo), é a assunção da nossa satisfação em Deus, fruto da nossa admiração pela sua bondade, pelo seu poder e pela sua providência.

A atitude de admiração, de gratidão e de louvor que deve caraterizar a vida do crente piedoso evidencia-se no seu caráter e no convívio com os demais seres humanos (crentes ou não) como expressão da sua fé e do seu amor pelo Criador.

Uma das falácias do cristianismo contemporâneo é, precisamente,  a cultura de autocomiseração (e egoísmo) que nos “rouba” o gozo da plena satisfação em Cristo e  limita a nossa influência testemunhal das bênçãos com que do alto temos sido agraciados.

A intimidade que Davi desfrutava com Deus levou-o a reconhecer e a proclamar, com admiração e gratidão, a magnificência do nome do seu Criador.

Ao contemplar os céus e todo o seu esplendor, a singularidade do Homem, reflexo e imagem de Deus no ser, no governo e cuidado pelo resto da criação, o grande poeta e músico Davi é impulsionado  a compor este salmo de louvor, com senso de espanto, temor e gratidão  àquele que trouxe tudo à existência, que preserva e dá sentido a tudo o que os nossos olhos podem contemplar e apreciar.

É tão enriquecedor e edificante para a nossa alma ouvir o testemunho de irmãos que não se conformam em limitar a interpretação da realidade do seu viver quotidiano àquilo que não está bem e que os aflige, antes pelo contrário, procuram destacar a glória de Deus e  proclamar as maravilhas da sua bondade e a constância da sua misericórdia, que se revela e se renova em cada manhã, sem, contudo, ignorar as contingências e as contrariedades da vida.

Que o senso de admiração, a cultura de apreciação do belo e a atitude de gratidão a Deus sejam cada vez mais desenvolvidos na nossa experiência de vida e no nosso convívio com os nossos concidadãos, expressando, deste modo, o nosso culto racional ao amado Senhor e Salvador, que por nós deu a sua vida, a fim de desfrutarmos de uma sólida comunhão com ele.

Que a beleza da santidade de Deus continue a estimular e a encantar os nossos corações, prontificando-nos a prestar-lhe o culto que lhe é devido e a servi-lo, com gratidão, edificando os nossos irmãos através do exercício dos nossos dons.

“Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome!”

Que o brado de Davi, um amigo próximo de Deus, ecoe bem alto nos nossos corações, encorajando-nos a louvar (isto é, a elogiar) o nome que é sobre todo o nome, o nome do Senhor Jesus.
Soli Deo Gloria! 

Pr. Samuel Quimputo

REVELANDO A BELEZA DE CRISTO

Quando pensamos na doutrina da salvação, o que, imediatamente, nos vem à mente é a bondade da graça divina que nos garante o perdão dos nossos pecados, a absolvição (ou libertação) da condenação eterna e a certeza e o gozo da vida eterna, que nos é outorgada no presente e que será plenamente desfrutada na presença de Deus, na nova terra que será preparada para esse mesmo fim.
Embora estas bênçãos façam, de facto, parte das consequências da obra expiatória que o Senhor Jesus realizou na cruz do Calvário, há, contudo,  um elemento qualificador que a todas elas dá sentido.
Segundo o ensino das Escrituras, o ponto mais alto da nossa experiência cristã será a nossa glorificação, isto é, a plenitude da santidade que irá caraterizar a nossa vida, adequando-a à nova realidade de proximidade e de comunhão com o Deus santo (Romanos 8: 17,18).
A ressurreição dos nossos corpos (ou a sua transformação aquando da vinda do Senhor Jesus) inaugurará o estado final e permanente da nossa nova vida em Cristo, isto é, a redenção do nosso corpo (Romanos 8:23).
A santificação, portanto, é a operação sobrenatural que o Espírito santo realiza no interior de cada um daqueles que foram regenerados e justificados por Deus, realizando as “cirurgias” necessárias a fim de que, no final, as marcas do caráter de Cristo estejam bem patentes na personalidade de cada filho do Pai celeste.
O processo da operação espiritual levada a cabo pelo ministério e pelo poder transformador do Espírito Santo requer uma resposta e uma entrega voluntárias por parte do crente.
A evidência das mudanças que vão sendo operadas no coração (centro da personalidade humana) garantem a qualidade da saúde espiritual, necessária a todos aqueles que foram alcançados pela maravilhosa graça divina. É por esta razão que o autor bíblico afirma que “sem a santificação, ninguém verá a Deus” (Hebreus 12:14). Significa que a santificação funciona como a “bússola” que garante a rota certa rumo à bendita presença de Deus.
O desafio divino aos salvos em Cristo é que estes, diferentemente de Moisés que resolveu ocultar a glória refletida em seu rosto, por ter estado na presença de Deus, reflitam a imagem do caráter de Cristo, por meio do seu viver.
A glória e a imagem de Cristo a serem reveladas têm a ver com o Seu caráter. Por outras palavras, essa glória corresponde ao fruto do Espírito, marca e evidência da presença e da Sua ação no interior de um coração quebrantado, amolecido e transformado pelo poder divino (Gálatas 5: 22,23).
Essa transformação é um processo contínuo, por meio do qual a experiência da fé vai alcançando, progressivamente, diferentes e crescentes graus de glória, até ao “dia de Cristo” (Filipenses 1:6).
Esta é a razão pela qual o apóstolo Paulo  apelou, com alguma emoção, aos crentes em Roma, rogando-lhes que se deixassem transformar pela renovação da sua mente (Romanos 12:2). É como se o apóstolo os estimulasse a “deixar que o Espírito realizasse a sua sensível obra de transformação interior” neles, a fim de que a beleza de Cristo, e não a feiura do mundo, fosse vista por todos.
Que o Senhor de toda a glória nos dê a sua graça, capacitando-nos a viver de modo tal que a glória, o caráter e a beleza de Cristo sejam patentes diante daqueles que se encontram no nosso raio de ação ou que connosco vivem.
Que o Senhor afaste de nós tudo o que venha ofuscar a santidade e a beleza do nosso bom Mestre, impedindo  muitos de verem a glória e os resultados (maravilhosos) do poder da cruz em nós e através de nós. 
Soli Deo Gloria! 

Pastor Samuel Quimputo
Boletim 164
26 julho 2015

GUIADOS PELO AMOR

                 
A Bíblia afirma que a vinda do Senhor Jesus ao mundo se deveu ao amor de Deus Pai, que o enviou com o propósito de salvar os homens (João 3:16).

Com toda a certeza, o Filho de Deus não foi constrangido a deixar as mansões celestiais e a penetrar no planeta terra, afetado pelo mal e dominado pelo príncipe das trevas. Ele veio porque ama o Pai e partilha do seu amor pela humanidade perdida, confusa e destituída da glória do seu estado inicial.

O amor de Deus, e não o mérito humano, é o fundamento sobre o qual assenta todo o plano de salvação que o Senhor Jesus veio executar, por meio da sua morte na cruz.

Esse amor de origem divina, que é a razão da vinda do Messias e a causa da nossa salvação, penetra os corações daqueles que respondem com arrependimento e fé à mensagem do evangelho, fazendo destes, “portadores” da marca divina que os capacita a amar o próprio Deus, a amar os outros filhos de Deus e a amar aqueles que (ainda) não pertencem ao núcleo da família de fé.

Antes que qualquer sentimento de auto-exaltação surja e invada o nosso coração, sempre usurpador da glória alheia, é mister afirmar que é impossível o exercício do verdadeiro amor no coração daqueles que ainda não passaram pela experiência da regeneração espiritual.

O coração não regenerado pode revelar alguns traços de simpatia, de cordialidade e de generosidade para com o próximo. Contudo, é incapaz de amar a Deus e de amar o próximo como Deus o faz.

Só um coração transformado e habitado pelo Espírito Santo é capaz de expressar genuíno amor. É o amor divino que vitaliza o interior do ser humano para que este, por sua vez, se torne um verdadeiro amante (1 João 4:10,17).

Partindo desta premissa, é possível afirmar, com claro apoio das Escrituras, que todo aquele que se assume como filho de Deus, a fonte do amor santo, deve “andar” no amor, o que equivale dizer que deve “viver num constante exercício de amor”, fazendo com que todas as suas motivações sejam por ele sustentadas.

Tendo como base o conceito hebreu (ou semítico) de “andar”, o desafio colocado diante dos crentes é que “se comportem” como possuidores do amor divino.

É interessante notar que o amor é apresentado como o “vínculo” ou a “argamassa” da perfeição, isto é, a força impulsionadora que nos permite alcançar a maturidade espiritual, assim como “o caminho sobremodo excelente” que deve ser perseguido para o bom exercício dos dons espirituais (1 Coríntios 12:31; 14:1; Colossenses 3:14).

Como seguidores do Senhor Jesus, somos constrangidos a andar ou a viver em contínuo exercício de amor, visto que Ele próprio é o exemplo do sublime amor, amor esse tão radical que vai até às últimas consequências em favor dos amados.

Paulo afirma que Ele “nos amou e se entregou por nós a Deus”, isto é, amou-nos a ponto de sacrificar a própria vida em nosso lugar e em nosso benefício.

E a gloriosa notícia, que deve impulsionar os nossos corações e nos deve estimular a fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para “continuarmos a andar no amor”, é que o sacrifício do Senhor Jesus, a oferta da sua  própria vida, foi aceite pelo Pai. Metaforicamente falando, a santidade da sua vida foi “inalada pelas narinas divinas” como um cheiro suave e agradável, o que nos garante segurança.

Portanto, nada mais importa, do que      possamos afirmar ou fazer em nome de Deus e perante os outros, a não ser que tudo seja motivado pelo amor.

Que as nossas vidas, o nosso serviço a Deus, assim como o nosso trato para com os demais irmãos sejam sempre motivados e fundamentados no amor que nasce no coração do nosso Pai. 

Soli Deo Gloria! 
Pr. Samuel Quimputo
Boletim163
05 de julho 2015

UM COMPROMISSO RADICAL

Lucas 14: 26-27

Durante os cerca de três anos em que exerceu o seu ministério terreno, o Senhor Jesus foi conhecido como mestre. A razão era simples: ele tinha congregado à volta de si um grupo de seguidores (discípulos), cujo número foi aumentando de dia para dia, chegando a produzir ciúmes nos demais  mestres, concorrentes, que havia em Jerusalém.
O seu ensino era admirado por todos os que o ouviam. A autoridade com que expunha a verdade e fazia as suas afirmações era sublime e incomparável. Dos seus lábios, a mensagem do reino de Deus era proclamada com amor, com segurança, mas sem demagogias. 
Não procurava subterfúgios para denunciar práticas reprováveis dos líderes religiosos, não importando o grau de respeitabilidade que possuíssem diante das massas.
Mesmo em relação aos próprios discípulos que o seguiam, nunca deixou de lhes anunciar a temerosa mensagem acerca do inferno e dos insuportáveis terrores que aguardam aqueles que rejeitam a mensagem da salvação, por ele trazida, e que se recusam a aceitá-lo como o Messias prometido a Israel. 
Não restam dúvidas que quando fez afirmações, tais como: “filho, perdoados estão os teus pecados” ou “...para que todos honrem o Filho, como honram o Pai”, ou ainda, “eu e o Pai somos um”, estava a declarar, embora de modo indireto, a sua divindade (Marcos 2:5; João 5:23; João 10:30).
Portanto, embora fosse um mestre igual aos outros, no sentido comum de quem “instrui” os seu fiéis alunos, Ele era, ao mesmo tempo, diferente de todos os outros. 
Sendo um mestre singular, a lealdade a Ele devida tem de ultrapassar todo e qualquer vínculo que alguém possa estabelecer com os que lhe são mais próximos.
É nesta base de um compromisso sério e de uma lealdade completa e sem reservas que o Senhor Jesus desafia todos aqueles que se prontificam a segui-lo a colocarem em segundo plano todos os outros relacionamentos.
Para Ele, todo o vínculo de amor, de afeto e de lealdade que se iguale ou ultrapasse aquele que o discípulo deve estabelecer com Ele, significa desqualificação para o verdadeiro discipulado. 
Segundo o parâmetro estabelecido pelo Senhor Jesus, ser seu discípulo é prontificar-se a enfrentar, caso seja necessário, a própria morte. A lealdade devida a Ele deve suplantar todo o tipo de dedicação a outros, inclusive, à própria vida.
Não é de estranhar que o Senhor Jesus coloque o desafio dessa forma tão radical. Afinal de contas, o amor a Deus deve ser vivido e expresso “acima de todas as coisas”, isto é, acima de tudo e de todos. 
Ser discípulo do Senhor Jesus exige uma dedicação e uma renúncia completas (Lucas 14:33). Ou Ele ocupa o lugar de primazia nas prioridades do discípulo, ou tudo não passará de discipulado superficial e temporário.
Ser discípulo do Senhor Jesus requer um completo abandono do amor pela própria vida e uma prontidão destemida para anunciar o seu amor e a sua graça a um mundo sem vida, sem luz e sem esperança (Lucas 9:23-26).
Que o Senhor tenha misericórdia de nós e derrame sobre nós a sua graça, de modo a podermos viver a nossa espiritualidade de forma abnegada, dando ao Senhor Jesus a primazia em nossos corações, dedicando-lhe todo o nosso ser, assumindo o facto de que, para nós, tal como assumiu o apóstolo Paulo, “o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Filipense 1:21). Soli Deo Gloria! 

Pastor Samuel Quimputo
Boletim 162
31 maio 2015


VI Conferência Bíblica |17 a 21 de agosto 2015 | Água de Madeiros




Tema: 
Adoração Bíblica
Conhecendo e adorando o Senhor em tudo 
O que ensina a Bíblia sobre adoração? Resume-se a adoração a certos atos ou terá́ adoração a ver com tudo na vida? Adoramos porque amamos a Deus ou porque Deus nos amou primeiro? De que forma a adoração se relaciona com o nosso desenvolvimento? Como poderão as pessoas adorar a Deus sem O conhecerem?   
Mas virá a hora, e de facto já́ chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai no Espírito e em verdade; porque são esses os adoradores que o Pai procura. Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem no Espírito e em verdadeJoão 4: 23-24 
A VI Conferência Bíblica é uma iniciativa do Acampamento Baptista com o apoio do Seminário Teológico Baptista. 
O propósito é oferecer às lideranças das igrejas evangélicas em Portugal, num ambiente tranquilo e saudável, um tempo de reflexão e formação bíblica com a colaboração de oradores  reconhecidos pelo seu amor à Palavra.

A equipa do programa proporcionará ajuda prática tanto na exposição dos conteúdos, na sua aplicação, como na exploração de formas para o seu uso posterior na igreja local. É pois um programa planeado a pensar na aprendizagem pessoal e na capacitação para abençoar outras pessoas na igreja local.

Programa:

Adoração no Velho Testamento (5 sessões com o Pastor Luis Sayão)
Adoração no Novo Testamento (5 sessões com o Pastor Manuel Alexandre Júnior)
        Adoração: Uma abordagem missional (3 sessões com o Pastor Alcir de Souza)

Seminários:
  “Dez livros que um crente não pode deixar de ler" (Pastor Valdemar Kroker, editor de Edições Vida Nova)
  “Como aplicar e ensinar na minha igreja local o que aprendi nesta conferência” (Pastor Valdemar Kroker)
   
Lançamento do livro sobre adoração, da autoria do Pastor Manuel Alexandre Júnior 

Além destas sessões o programa inclui tempos de adoração, uma sala de oração, convívio e refeições comunitárias. Os tempos livres permitem passeios na praia, na região Oeste, entre muitas outras coisas agradáveis. 

A conferência incluirá uma exposição especializada de livros de autores cristãos com preços especiais.
Inscrição e questões:
Tlm: 965054936
email: geral@acampamentobaptista.com.pt

Acampamento Feminino 2015 - Contamos consigo!



Este ano faça planos para participar no Acampamento Feminino !

Deseja juntar a um merecido período de repouso momentos preciosos de louvor a Deus, estudo da Sua palavra e comunhão fraternal com outras mulheres de todo o país? Então não perca esta oportunidade e reserve a semana de 4 a 11 de Julho para participar no Acampamento!
Inscreva-se até 5 de Junho para beneficiar de uma redução no preço da sua inscrição. Consulte a brochura dos acampamentos de 2015

Este ano, na mesma semana, decorre o primeiro Acampamento de Homens. Assim, venha com o seu marido, que poderá desfrutar, também ele, de uma semana especial!
Para mais informações sobre os acampamentos visite o site do Acampamento Baptista


PARA O BEM COMUM DA FAMÍLIA


Um dos aspetos mais marcantes e singulares da espiritualidade cristã é a verdade de que todos os que foram regenerados pelo Espírito divino e que receberam a nova vida como dádiva do bom Deus recebem uma nova identidade e são integrados na nova família, onde encontram novos irmãos, novos amigos,  enfim, um novo espaço de partilha de cuidados e de afetos.

O extraordinário em tudo isto é facto de, nesse novo ambiente de vida e de culto, se destacarem mais os aspetos que os membros desta nova família desfrutam em comum: o mesmo Deus e Pai, o mesmo Espírito santificador, o mesmo Senhor e Salvador, o mesmo evangelho, a mesma fé, a mesma esperança.

Na experiência da nova vida em comum, as diferenças não são, nem anuladas, nem  ignoradas; contudo, as semelhanças e tudo aquilo que os membros da família partilham em comum são destacados e sobrevalorizados. Tudo o que ganhava revelo, no que diz respeito aos padrões do mundo, como a diferença de classes, de género, de nacionalidade, é suplantado por um espírito de  comunhão, de respeito mútuo e de aceitação, onde todos são encarados como irmãos, santos e amados do Deus da graça.

Infelizmente, existe no âmago da personalidade humana uma apetência e um desejo doentio de sobrevalorizar mais as diferenças do que aquilo que se partilha em comum.

Pelo contrário, a Bíblia estabelece uma única divisão entre os humanos: aqueles que amam e temem ao Senhor, por um lado, e os impenitentes (ou ímpios),  que desprezam a graça, por outro.

Desafortunadamente, mesmo no ambiente da própria Igreja, a nova família de Deus, a tendência para destacar o que é diferente continua a estar presente. Muitas vezes, os interesses e as inclinações pessoais egoístas colocam obstáculos que impedem o usufruto dos benefícios comuns que nos foram outorgados pela maravilhosa graça de Deus.

Não é por acaso que o apóstolo Paulo, ao escrever aos coríntios, os exorta (com rogos) a concordarem no seu modo de falar, isto é, que procurassem ter um discurso consensual. De igual modo, desencorajou-os de forma a não semear um ambiente de dissensões e de rixas, que só produzem estagnação espiritual e esterilidade evangelística. 

Em vez de promoverem egos exaltados e divisões, os coríntios são incentivados a desenvolver um espírito de unidade mental, que não ignora as diferenças, mas que procura convergir os interesses pessoais para o bem comum de toda a família de fé.

Todo o esforço para promover o equilíbrio no relacionamento de cada membro da família cristã com os demais irmãos é prova de maturidade espiritual, reveladora do caráter cristão que promove a paz entre os santos (2 Coríntios 13:11).

Partindo de uma das metáforas prediletas do apóstolo Paulo, com a qual compara a Igreja a um corpo vivo, podemos afirmar, sem reserva, que, embora ele distinga os membros do corpo uns dos outros quanto ao cumprimento das suas funções, o que o apóstolo procura destacar é a interdependência existente entre os mesmos e a sua relação com a “cabeça”, que é Cristo (1 Coríntios 12: 12, 20, 25; Romanos 12:5,6).

Resta-nos, portanto, escolher o caminho indicado pelo Senhor, e seguido pelos apóstolos, que contribui para o crescimento de cada membro, para a edificação da igreja, como um todo, e para a promoção do bem comum de toda a família de fé. 

Soli Deo Gloria! 

Pr. Samuel Quimputo
in Boletim 161
26 abril 2015