VERDADES BÍBLICAS QUE NÃO PODEMOS ESQUECER

           

 

Hebreus 9.27-28


Este capítulo de Hebreus fala da imperfeição dos ritos, ofertas e sacrifícios da lei. Nele é enfatizado a perfeição, a suficiência e o carácter definitivo e superior do Sacrifício de Cristo. Porquanto o sacrifício de Cristo na Cruz providenciou uma eterna redenção (9.11,12); um sacrifício eficaz para sempre (9.26). Ao lermos os versículos 27 e 28, deparamo-nos com quatro verdades bíblicas que nunca devemos esquecer:


Aos homens está ordenado morrer uma vez (Hebreus 9.27a). Esta é uma regra geral para toda a humanidade. Ninguém pode fugir da morte. Só temos uma única vida para viver aqui na terra. A vida que vivemos sobre a terra em breve chegará ao fim (Sl 90.9). Como diz a Escritura: “O homem, nascido da mulher, é de poucos dias e farto de inquietação. Sai como a flor, e murcha; foge também como a sombra, e não permanece” (Jó 14.1-2). Vivemos num mundo onde todas as coisas são temporais e estão a morrer. Tudo sobre nós está morrendo, exceto nossa alma.


“Não sabemos o que acontecerá amanhã. A vossa vida é como um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece” (Tg 4.14). Outrossim, “nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele” (1 Tm 6.7). Não há camiões de mudanças nos funerais (H. D. Lopes). Uma roupa selecionada para cobrir o corpo morto, um caixão, e uma sepultura, é tudo aquilo que o homem mais rico do mundo é capaz de ter com toda a sua riqueza (M. Henry). Por isso, busque mos em primeiro lugar o Reino de Deus (Mt 6.33). Busquemos as coisas lá do alto, pois o mundo e os seus desejos passam (1 Jo 2.17).


Há duas exceções bíblicas a esta regra universal: (a) As pessoas ressuscitadas que morreram duas vezes. No Antigo Testamento temos os casos do menino que Elias ressuscitou (1Reis 17.17-24), o menino que Eliseu ressuscitou (2Reis 4.32-37), e o caso de um homem que foi ressuscitado quando teve contacto com os ossos de Eliseu (2Reis 13.20-21). No Novo Testamento temos os casos de Lazaro (Jo 11.43-44); da filha de Jairo (Mt 9); do filho da Viúva de Naim (Lc 7), de Dorcas (At 9); e de Êutico (At 20.9-12). Por conseguinte, nenhum deles receberem um corpo glorioso e nem uma vida corpórea interminável. Portanto, morreram duas vezes. (b) Outra excepção são aqueles que não experimentaram a morte: Enoque (Gn 5.2) e Elias (2Rs 2.11); e aqueles que não experimentarão a morte: os crentes que estivem vivos na Segunda Vinda de Cristo, e que serão arrebatados a encontrar o Senhor nos ares, para estarem para sempre com o Senhor (1 Ts 4.17; 1Co 15.51-52).


A morte é uma consequência directa do pecado (Rm 5.12). Por causa do pecado de Adão, Deus pronunciou a sentença de morte sobre a raça humana (Gn 3.19). A Escritura afirma que a morte entrou no mundo após o pecado de Adão e Eva, não antes. “O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 6.23).


Depois da morte vem o juízo (Hebreus 9.27b). A morte e o julgamento seguem-se um ao outro numa sequência lógica, porque o homem deve comparecer no tribunal de Deus para prestar contas de seus pecados. Portanto, cada pessoa tem apenas uma vida antes do julgamento eterno. Esta verdade bíblica repudia por completo (1) a teoria da reencarnação; (2) a crença de que a morte física é o fim da existência pessoal; (3) e qualquer ideia de que haverá uma segunda chance de mudança de status após a morte; como ensinam os defensores da teoria do purgatório.


No entanto, não há nada que você possa fazer para mudar o seu destino depois da morte. A vida curta que vivemos aqui definirá a eternidade. “Não há engano mais fatal do que pensar que se pode viver aqui como um ímpio e acordar na ressurreição como um santo. Estar sem Cristo nesta vida e passar a eternidade com ele.” (H. D. Lopes). Agora, portanto, é o tempo de voltar-se para Deus. Se você sair desse mundo sem pôr sua confiança em Cristo, descobrirá que melhor lhe fora nunca ter nascido.


O juízo aqui é um termo geral que inclui o julgamento de todas as pessoas, tanto cristãos (2Co 5.10, Rm 14.10-13) como incrédulos (Ap 20.11-15). A salvação é pela graça, mas a condenação no juízo final será segundo as obras de cada um. “Deus trará cada acto a julgamento, inclusive as coisas escondidas” (Ec 12.14). Seremos pesados na balança de Deus. Nossos pensamentos são contados, nossas palavras pesadas, nossas obras julgadas. 


Em Apocalipse 20.11-15, vemos uma descrição do Juízo Final. A partir do 12 lemos: “E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. 13 E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. 14 E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. 15 E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo”. Temos aqui uma advertência solene e que exige de todos uma resposta. Como proclamou o apóstolo Paulo dizendo: “No passado Deus não levou em conta a ignorância, mas agora ordena que todos, em todo lugar, se arrependam. Pois estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio do homem que designou. E deu provas disso a todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (At 17.30-31). Para onde você está indo? O caminho para o céu é Jesus Cristo. A porta do céu é Jesus Cristo. “E o inferno, onde fica? Fica no final de uma vida sem Cristo!” (H. D. Lopes).


Cristo foi sacrificado uma só vez para tirar os pecados (Hebreus 9.28). “O homem está destinado a morrer uma só vez” e “Cristo foi sacrificado uma só vez” (Hb 9.27-28). “Uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo” (Hb 9.26). “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” (1 Co 15.3). Ele levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro” (1Pe 2.24). 


Quando o Senhor Jesus Cristo morreu, carregou a plena penalidade do pecado do seu povo. O Pai aceitou-o completamente e, assim, Cristo está perpetuamente no céu. Ele representa-nos diante do Pai. Tudo que separa-nos de Deus já foi resolvido. Quando o substituto morreu em nosso lugar, todo o castigo que nosso pecado merecia recaiu sobre ele. Nada resta que tenha de ser pago. Não há oferta que ainda seja exigida. Tudo que tinha de ser feito, foi feito. O sacrifício de Cristo foi completo, suficiente, eficaz e definitivo. Sua ressurreição e a simples presença de Cristo no céu garante a nossa aceitação ali. Para aproximar-se de Deus, a única coisa que o pecador precisa fazer é confiar que seus pecados foram plenamente tratados na Cruz e que Deus aceitou aquilo que Cristo fez em seu favor.  Enquanto o Senhor Jesus Cristo estiver no céu, nenhum pecador que pela fé invoque o Seu nome poderá ser rejeitado! (Olyott). Como é grande o amor que foi derramado sobre nós! Quão grande é o acesso que temos!


Cristo aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que esperam para a salvação (Hebreus 9.28b). No dia da expiação, o povo aguardava que o sumo-sacerdote saísse dos Santos dos Santos. Quando ele aparecia, o povo sabia que o sacrifício em seu nome havia sido aceito por Deus (MacArthur). Do mesmo modo, Cristo como o nosso Sumo-sacerdote, entrou no santuário celestial como o nosso mediador, e aparecerá em sua segunda vinda (At 1.11, 1Ts 2.19, 1 Jo 3.2), trazendo uma salvação plena e completa (Hb 1.14; Rm 8.18-23). Em 1Pe 1.3-5 fala de “uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para aqueles que mediante a fé estão guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo. Esta vindicação será totalmente manifestada quando Ele vier novamente (1Ts 1.10).


Desta vez, entretanto, Jesus não aparecerá para tratar do pecado - para fazer expiação pelos pecadores. Quando ele vier novamente, ele trará vindicação (a salvação final) àqueles que estão esperando por ele. Cristo aparecerá “sem pecado” é uma expressão que testifica da obra completa de Cristo, por meio do seu sacrifício em sua primeira vinda. O pecado já foi derrotado por Jesus Cristo em sua primeira vinda! Como escreveu Calvino: “Cristo, em sua segunda vinda, dará a conhecer plenamente quão realmente ele destruiu os pecados, de modo que já não haverá necessidade de outro sacrifício para satisfazer a Deus. É como se ele estivesse dizendo que quando nos aproximarmos do tribunal de Cristo, descobriremos que em sua morte nada foi imperfeito.”


Devemos achar descanso no único sacrifício de Cristo. “Não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4.15). Nosso sumo sacerdote é “santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus” (Hb 7.26). Ele “não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” (1 Pe 2.22). Ele nasceu sem pecado, viveu sem pecado, venceu o pecado e morreu pelos nossos pecados.


Cristo aparecerá segunda vez. Ele em breve voltará. Como diz as Escrituras: “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele” (Ap 1.7). Ele mesmo prometeu e disse: “quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também” (Jo 14.2). Em Atos 1.10-11, lemos que na acessão de Cristo os discípulos estavam “com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, quando junto deles se puseram dois homens vestidos de branco. Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir.”.


A Escritura ensina que todo cristão deve crer na possibilidade da volta de Jesus no seu tempo (2Pedro 3.4). A igreja primitiva acreditava na iminência da segunda vinda de Cristo: Fp 4.5 (“perto”); Tg 5.9 (“à Porta”); 1Pe 4.7 (próximo); Hb 10.25 (“se aproximando.”); Ap 3.11 (vem “sem demora.”); Ap 22.7 (“presto Venho.”); Ap 22.12 (“cedo venho”). Sem dúvida, sua vinda está mas próxima agora do que jamais esteve (Rm 13.11-14). Portanto, “… já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé…” (Rm 13.11).


A Escritura ensina que (1) a segunda vinda será imprevisível (1Ts 5.1-2). O tempo da segunda vinda é desconhecido da igreja (Mt 24.36). (2) A segunda vinda será repentina, como um ladrão de noite (Mt 24.42,43; 2Pe 3.10). O ladrão vem quando não é esperado e pega a família de surpresa. Será como no dilúvio (Mt 24.37), as pessoas vão estar cuidando dos seus próprios interesses: casando-se, e dando-se em casamento, comendo, bebendo. (3) A segunda vinda de Cristo é iminente. Por esse motivo advertiu-nos Jesus em Mateus 24.42: “Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há-de vir o vosso Senhor.” (4) A segunda vinda de Cristo põe fim a todas as esperanças de salvação. Não tem segunda chamada. Naquele dia a porta da oportunidade estará fechada. Naquele dia será tarde demais para se preparar (Mt 24.37-44).


Jesus aparecerá para aqueles que o aguardam. Cristo virá e nos levará. Porém, sem ele ninguém chegará ali. É melhor que aqueles que, como os hebreus, estiverem pensando em abandoná-lo lembrem-se bem disso. Suporte suas tribulações com paciência e fé. Olha para cima, pois sua redenção se aproxima. Em breve o Senhor enxugará dos seus olhos toda lágrima. Em breve a dor cessará. Há um descanso para o povo de Deus.


Somos instruídos a abandonar o estilo de vida ímpio e os prazeres pecaminosos, e a viver neste presente século sóbria, e justa, e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo” (Tt 2.12-13). “A nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Fp 3.20)”. 


Você está preparado para encontrar-se com Deus? A eternidade está a vir mui rapidamente sobre você. Você está indo muito rápido para ela. Mas onde você estará na eternidade? Você deseja ser salvo agora e por toda a eternidade? Então, renda-se a Cristo. Creia nele! A porta do céu está aberta. Ele tem vida eterna. A Escritura diz: Creia no Senhor Jesus e serás salvo (At 16.30,31). “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.” (Rm 10.9-10). Esta é uma decisão individual. Você precisa vir a Cristo para ser salvo! Só Nele há perdão e vida eterna. Hoje é dia de salvação. Venha enquanto a porta da graça está aberta. “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar" (Is 55.6,7). 

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Referências:

Attridge, H.W. & Koester, H. 1989. The Epistle to the Hebrews: a commentary on the Epistle to the Hebrews. Philadelphia: Fortress Press.

Calvino, J. 2012. Hebreus. São José dos Campos, SP: Editora FIEL (Hb 9.1-28).

Crossway Bibles, 2008. The ESV Study Bible, Wheaton, IL: Crossway Bibles.

Guthrie, D. 1983. A Carta aos Hebreus: introdução e comentário. SP: Edições Vida Nova (Hb 9).

Henry, M. 2002. Comentário Bíblico de Matthew Henry. RJ: CPAD (Hb 9.1-28).

Kistemaker, S. 2013. Hebreus. 2a ed. SP: Editora Cultura Cristã.

Laubach, F., 2000. Comentário Esperança, Carta aos Hebreus. Curitiba: Editora Evangélica Esperança.

Lopes, H. D. 2018. Hebreus: a superioridade de Cristo. SP: Hagnos (Hb 9.1-28). 

Lopes, H. D. II Coríntios

MacArthur, J. 2010. Bíblia de Estudo MacArthur. SP: SBB, p.1701-1703. 

Michaels, R.J., 2009. Commentary on Hebrews. In Cornerstone Biblical Commentary: 1 Timothy, 2 Timothy, Titus, and Hebrews. Carol Stream, IL: Tyndale House Publishers, p. 408-409.

Moo, D.J., 2018. The Letters and Revelation. In Carson,  D. A., ed. NIV Biblical Theology Study Bible. Grand Rapids, MI: Zondervan, p. 2213-2214.

Olyott, S., 2012. A Carta aos Hebreus Bem Explicadinha: E Como Seu Ensinamento Se Desenvolve na Prática. SP: Editora Cultura Cristã.

Sproul, R.C. ed. 2015. The Reformation Study Bible: English Standard Version. Orlando, FL: Reformation Trust.

Wiersbe, W. W. 2006. Comentário Bíblico Expositivo, vl. 5. RJ: Central Gospel, p. 840-842. 




Pastor Leonardo Cosme de Moraes



ÉFESO, A IGREJA DO AMOR ESQUECIDO

         

 

Apocalipse 2.1-7


Éfeso era uma das quatro cidades mais poderosas do Império Romano (junto com Roma, Alexandria e Antioquia da Síria). Era a maior, mais rica, e mais importante cidade da Ásia Menor. Era o centro do culto à Diana, cujo templo era uma das sete maravilhas do mundo antigo. Era uma cidade mística, cheia de superstição e também um dos centros do culto ao imperador. Não apenas imperava na cidade o misticismo e a idolatria, mas também a perseguição implacável àqueles que buscavam ser fiéis a Deus. Também prevalecia na cidade a imoralidade associada aos cultos pagãos. 


Paulo visitou a cidade de Éfeso no final da segunda viagem missionária. Em sua terceira viagem, passou lá 3 anos (At 19.10). Deus realizou sinais e prodígios na cidade de Éfeso: (a) As pessoas ao ouvirem o evangelho denunciam publicamente as suas obras; b) As pessoas que se convertiam rompiam com o ocultismo, queimando seus livros mágicos. Paulo escreveu uma carta aos Efésios, agradecendo a Deus o profundo amor que havia na igreja (Ef 1.15). Timóteo é enviado para ser pastor da igreja. Mais tarde o apóstolo João pastoreia aquela igreja (1 Tm 1.3). Agora, depois de anos que a igreja fora fundada, na segunda geração de crentes, Jesus envia uma carta à igreja, mostrando que ela permanecia fiel na doutrina, mas já havia se esfriado em seu amor (Ap 2.1-7). Jesus tem uma mensagem para essa igreja e essa mensagem também é para nós.

O Senhor Jesus governa ativamente sua Igreja (2.1). Jesus tem todo o poder e autoridade sobre a igreja e seus líderes. A palavra anjos, no grego, significa mensageiros. Pode referir-se a mensageiros humanos, especificamente os pastores das igrejas, ou aos seres angelicais a serviço de Deus. A proeminência dos anjos no livro de Apocalipse apoiaria este último significado (22.6). Outros interpretes entendem que os anjos destas igrejas são personificações da identidade de cada igreja. Acontece, entretanto, que as sete estrelas são identificadas como o anjo de cada igreja (Ap 1.20). O anjo neste caso é um símbolo, e é definido pela Palavra de Deus como sendo um mensageiro (Hb 1.14). A estrela é usada para orientar e para guiar (Gn  1.16; Mt. 2.2). Portanto, estas estrelas que são os anjos das igrejas, representam seus pastores. Já os sete castiçais de ouro estão simbolizando as sete igrejas, que por sua vez englobam todas as igrejas do mundo (Ap 1.20). 


O Senhor Jesus faz elogios a sua Igreja (2.2-3,6). A igreja de Éfeso era ortodoxa, era uma igreja doutrinariamente pura e conservadora (2.2-3,6). A heresia não precedeu a ortodoxia como afirma a tese de Bauer-Ehrman. O próprio Novo Testamento já denunciava os desvios da doutrina original e apostólica. Um destes desvios fui o surgimento da doutrina dos Nicolaítas (Apocalípse 2.6, 12-17). Os Nicolaítas pregavam uma nova versão do Cristianismo. As práticas dos nicolaítas estavam ligadas a Balaão (2.14,15) e a Jezabel (2.20-23). Os pecados encontrados nestas duas figuras históricas são: idolatria, sincretismo e imoralidade. Parece que eles pregavam um evangelho sem exigências, libertino, sem proibições. Eles eram pessoas que se diziam crentes, mas não eram. Eles incentivavam os crentes a comer comidas sacrificadas aos ídolos. Eram imorais e ensinavam que a imoralidade não era pecado. Contudo, a igreja de Éfeso não tolerou a heresia e odiou as obras dos Nicolaítas (Ap 2.6). A Igreja de Éfeso, portanto, era uma igreja ortodoxa! 


A igreja de Éfeso era trabalhadora (2.2). O labor inclui trabalho físico e mental – ambos são normalmente difíceis e cansativos. E este texto mostra que Deus não se esquece dos combates de aflições dos seus servos Hebreus (6.10; 10.32). O facto de ter que se opor a homens maus, falsos apóstolos e nicolaítas na comunidade, sem dúvida alguma causava exaustão entre os membros da igreja de Éfeso. 


A igreja de Éfeso era perseverante nas tribulações (Ef 2.2-3). Hoje muitas igrejas preferem ser reconhecidas pelo mundo do que conhecidas no céu. Hoje muitos crentes querem a coroa sem a cruz. Querem a riqueza sem o trabalho. Querem a salvação sem conversão. Querem as bênçãos de Deus sem o Deus das bênçãos” (H. D. Lopes). Muitas igrejas preferem ser reconhecidas pelo mundo do que conhecidas no céu. 


O Senhor Jesus repreende sua igreja (2.4). A Igreja de Éfeso olhada de fora, era muito bonita. Aparentemente estava tudo bem. Mas nem tudo estava bem e de acordo com os parâmetros de Cristo, o Senhor e Rei que governa a igreja. Muitos estavam a abandonar o primeiro amor. A igreja de Éfeso é ortodoxa, trabalhadora, fiel nas provas, mas perdeu o calor da sua primeira experiência cristã. Esta igreja “é como uma esposa que não trai o marido, mas também não lhe devota amor” (Lopes). 


Em Éfeso havia fidelidade na doutrina, mas faltava amor na prática do Cristianismo. O zelo pela doutrina pura não pode nunca ser um substituto para o amor. A luta pela ortodoxia, o intenso trabalho, e as perseguições levaram a igreja de Éfeso à aridez. O amor é a marca do discípulo (João 13.34-35). Sem amor, nosso conhecimento, nossos dons, e nossa própria ortodoxia não têm nenhum valor (1 Coríntios 13.1-3). Odiar o erro e o mal não é o mesmo que amar a Cristo. O trabalho de Deus não pode tomar o lugar de Deus na nossa vida. 


A igreja de Éfeso examinava os outros e era capaz de identificar os falsos ensinos, mas não era capaz de examinar a si mesma. Tinha doutrina, mas não tinha amor. Identifica a heresia nos outros, mas não a frieza do amor em si. O primeiro amor havia esfriado e sido trocado por um rude zelo pela ortodoxia. Já não era um zelo motivado pelo amor a Deus e ao próximo (Mateus 23).


O Senhor Jesus ordena a sua igreja a recuperar o seu primeiro amor (2.5, 7). A igreja de Éfeso precisava recuperar o seu primeiro zelo, ternura e fervor. Eles deviam orar tão fervorosamente e vigiar tão diligentemente como quando entraram ao princípio nos caminhos de Deus. “Sempre que a presença da graça de Cristo for por nós descuidada, podemos esperar o seu desagrado” (Henry). 


Temos aqui conteúdo da ordem de Jesus para os que deixaram o primeiro amor: Lembra-te, arrepende-te e volta (2.5). Lembra-se da alegria da salvação. Arrependa-se de trabalhar sem amor. Volta a fazer como antes. Como nos melhores tempos da sua peregrinação espiritual com Cristo. 


Lembra-se de onde caíste volta à prática das primeiras obras. O Filho Pródigo começou o seu caminho de restauração quando lembrou-se da Casa do Pai; mas apenas lembrou-se da Casa do Pai. Ele voltou para a Casa do Pai. Lembrança sem mudança é remorso. Arrependimento não é emoção, é uma mudança radical de atitude. Arrepender-se é mudar a mente, é mudar a direção, é voltar-se para Deus. É deixar o pecado. É voltar a prática das primeiras obras, que são os frutos do arrependimento. Esta foi a diferença entre Pedro e Judas. Esta é a diferença que há entre crentes nominais e os que nasceram de novo. 


O Senhor Jesus faz uma solene advertência: “e, se não, venho a ti e tirarei do seu lugar o teu castiçal” (2.5). “O Castiçal é feito para iluminar. Se ele não ilumina, ele é inútil, desnecessário. A igreja não tem luz própria. Ela só reflete a luz de Cristo” (Lopes). Mas, se uma igreja não ama ela não brilha, porque quem não ama está nas trevas (1 Jo 2.9). A Escritura diz que o juízo começa pela Casa de Deus. Antes de julgar o mundo, Jesus julga a igreja (1Pe 4.17). Historicamente, a igreja de Éfeso deixou de existir. Seu castiçal foi removido. Hoje só existem ruínas e uma lembrança de uma igreja que perdeu o tempo da visitação do Senhor.

 

O Senhor Jesus faz promessas aos vencedores - “mas ao que vencer” (2.7). Cada uma das sete cartas termina com uma promessa ao vencedor. Uma promessa para aqueles obedecerem (ouvirem) o que o Espírito diz à igreja. Jesus fala em vitória porque estamos numa guerra espiritual. O vencedor alimenta-se da árvore da vida. Isto é, o vencedor é aquele que tem a vida eterna em Cristo Jesus (2.7). Muitos haviam abandonado o seu primeiro amor, mas os vencedores iriam morar no céu. Os que rejeitaram as comidas sacrificadas aos ídolos oferecida pelos Nicolaítas (Apocalipse 2.14-15; 2.20), irão alimentar-se da Arvore da Vida, no paraíso celestial. A paraíso de Deus é uma expressão figurada, tomada do relato do jardim, no Éden (Génesis 2.8), usada para falar do lugar onde Deus está. O Paraíso é mais do que um lugar, é um estado. Este é o Paraíso no Céu (2 Co 12.4).


Nota teológica: Todas as pessoas, ao morrerem salvas ou perdidas, continuam sob o controle soberano de Deus (Ec 12.7; Mt 10.28; Lc 23.46). Os salvos são levados para o Paraíso, no Céu (Fp 1.23; 2 Co 5.8; 1Pe 3.22). Os ímpios vão para o Hades (Hb. Sheol), um lugar de tormento (Sl 139.8; Pv 15.24; Sl 9.17 - cf. tb.: Lc 16.19-31; Lc 23.43; 2 Co 12.1-4; e Jo 14.1-6; Ap 6.9-11; 14.13). Entre a morte e a ressurreição do corpo (Jo 5.28, 29), a criatura humana encontra-se num estado intermediário. No entanto, o destino final e eterno do povo de Deus redimido será no “novo céu e a nova terra" (Ap 21.1); enquanto o lugar definitivo e eterno dos ímpios será no inferno (γέεννα, geenna - Mt 25.46; Mc 3.29; Hb 6.2; 2Ts 1.9; Jd 1.7). A Escritura ensina tanto a duração interminável dos sofrimentos penais dos perdidos quanto a “vida eterna” das bem-aventuranças dos salvos. As mesmas palavras gregas no Novo Testamento (aion, aionios, aídios) são usadas para expressar (1) a existência eterna de Deus (1Tm 1.17; Rm 1.20; 16.26); (2) de Cristo (Ap 1.18); (3) do Espírito Santo (Hb 9.14); e (4) a duração eterna dos sofrimentos dos perdidos (Mt 25.46; Jd 1.6). O tormento final dos ímpios é descrito nos seguintes termos: “Fogo que não se apaga” (Mc 9.45, 46); “fogo inextinguível” (Lc 3.17); “o verme que nunca morre”; “o poço sem fundo” (Ap 9.1); “a fumaça do seu tormento subindo para todo o sempre” (Ap 14.10, 11). Portanto, a “segunda morte” (Ap 20.14) é representada como um futuro sofrimento consciente que dura para sempre. Por outro lado, a “vida eterna” é representada como um estado de felicidade suprema e indiscritível, na presença de Deus, numa nova realidade cósmica redimida (Ap 21.3,4).


A mensagem enviada à igreja de Éfeso é uma palavra viva e actual para a igreja hoje. Os problemas que aquela igreja enfrentou são os problemas que enfrentamos hoje. O Senhor Jesus anda no meio da sua igreja (2.1). Aquele cujos os olhos é como chama de fogo está a ver-nos (2.18). O que ele está vendo? Que elogios ou exortações ele tem para nós? Que mudanças precisamos fazer? Ouça o que o Espírito diz a esta igreja!


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Referências: 

Andrade, C. 2016. Os sete castiçais de ouro. RJ: CPAD.

Ashcraft, Morris. 1987. Apocalipse. (Em Allen, Clifton J., ed. 1987. Comentário Bíblico Broadman: Novo Testamento. 2º ed. RJ: Junta de Educação Religiosa e Publicações).

Crossway Bibles, 2008. The ESV Study Bible, Wheaton, IL: Crossway Bibles (Ap 2.1-7).

Easton, M.G. 1893. Easton’s Bible Dictionary.

Henry, M. 2002. Comentário Bíblico de Matthew Henry. RJ: CPAD (Ap 2.5).

Kistemaker, S., 2014. Apocalipse. 2a ed. SP: Editora Cultura Cristã (Ap 2.1-7).

Lopes, H. D. 2005. Apocalipse/o futuro chegou, as coisas que em breve devem acontecer. SP: Hagnos (2.1-7).

Ladd, G. 1980. Apocalipse: introdução e comentário. SP: Vida Nova (Ap 2.1-7).

Sproul, R.C. org., 2015. The Reformation Study Bible: English Standard Version (2015 Edition), Orlando, FL: Reformation Trust (Ap 2.1-7).

Exposição de Cânticos dos Cânticos 2.7

 



NOTA EXEGÉTICA

Cântico dos Cânticos 2.7


Texto: הִשְׁבַּעְתִּי אֶתְכֶם בְּנוֹת יְרוּשָׁלִַם בִּצְבָאוֹת אוֹ בְּאַיְלוֹת הַשָּׂדֶה אִם־תָּעִירוּ וְאִם־תְּעוֹרְרוּ אֶת־הָאַהֲבָה עַד שֶׁתֶּחְפָּץ 

             (Cântico dos Cânticos de Salomão 2.7, Bíblia Hebraica Stuttgartensia).


Análise

Aqui temos uma típica fórmula hebraica de juramento negativo em que o falante exorta seu público a fazer um voto de não fazer algo que teria consequências destrutivas: A expressão הִשְׁבַּעְתִּי (hishba'ti, “Conjuro-vos”) é usado quando um orador exorta seu público a fazer um juramento.


Frequentemente, quando os juramentos eram feitos no mundo antigo, testemunhas eram invocadas para solenizar o voto e agir como juristas, caso o juramento algum dia fosse quebrado. Neste caso, as “testemunhas” são as “gazelas e cervas do campo” (2.7; 3.5). Estes animais eram frequentemente usados ​​como símbolos de amor romântico no AT (Pv 5.19). Assim, as “gazelas” e “cervas do campo (ou selvagens)” seriam zoomorfismos para o amor personificado. Noutras palavras, o testemunho deste juramento é o próprio “amor”. Se as filhas violarem este voto que são solicitadas a fazer, o próprio “amor” as responsabilizará. Alguns especialistas na língua hebraica (como Sheri L. Klouda), destacam que a palavra para ‘gazelas’ é semelhante à palavra hebraica tseva’ot (בִּצְבָאוֹת), ’exércitos’, que era usada na identificação tradicional ‘Yahweh (יהוה = YHWH) dos exércitos’. Caso seja uma imitação intencional de uma invocação divina, esta seria uma paráfrase para evitar jurar em nome do Senhor.


Os termos ָתּעִירוּ (ta'iru, "despertar"; imperativo Hiphil de עוּר) e תְּעוֹרְרוּ (té'oréru, "provocar"; Polel imperativo de עוּר) são provavelmente expressões figurativas (hipocatástase) em vez de literais, porque o objeto não refere-se a uma pessoa (o amante), mas a um estado emocional (“amor”). Estas expressões traçam uma comparação implícita entre a ação literal de despertar uma pessoa do sono e provocá-la à uma ação estimulada, com a imagem figurativa dum amante despertando e provocando o desejo sexual de sua amada. Portanto, a tradução proposta pela Nova Versão Internacional corresponde perfeitamente ao sentido do texto na língua hebraica: “não despertem nem provoquem o amor enquanto ele não o quiser” (2.7). A versão Almeida Século 21 vai no mesmo sentido: “não acordeis nem provoqueis o amor até que ele o queira” (2.7)


A função sintática do artigo sobre הָאַהֲבָה (ha’ahavah, "amor") é debatida. A razão disso pôde ser parcialmente sentida na aula desta manhã (Domingo, 11/10/20). A maioria das traduções entende a função do artigo sobre ha’ahavah (“amor”) como um artigo que denota um conceito abstrato. No entanto, algumas traduções (por exemplo: KJV, BPT, RCF, JB, NEB), vêem-no como um uso abstrato do artigo para o concreto, e o traduzem como "meu amor", referindo-se tanto aos próprios sentimentos da mulher quanto aos sentimentos de seu amante. Ao longo de Cântico dos Cânticos, o termo אַהֲבָה ('ahavah, "amor") não é usado como um termo afetuoso em referência a um dos amantes; normalmente refere-se ao amor físico/sexual (Cântico 2.4, 5, 7; 3.5; 5.4; 8.4, 6, 7). A referência ao desejo sexual em 2.4-5, e חוֹלַת אַהֲבָה (kholat ’ahavah, "doente de amor”) em 2.5, sugere que o uso de אַהֲבָה ("amor") em 2.7 é desejo sexual.


Comparação de traduções portuguesas

Leia abaixo as versões de Cantares 2.7 e atente para as diferenças sintáticas, “meu amor/amado”, no lado esquerdo do quadro, e “o amor”, no lado direito. As traduções portuguesas versam o texto hebraico das duas formas. Tomei nota destas diferenças durante a aula desta manhã, mas era impossível dar uma resposta adequada e técnica sem verificar o texto na língua original.   


Ó filhas de Jerusalém, conjuro-vos, pelas gazelas e cervas dos bosques, que não acordem o meu amado. Deixem-no dormir! (BPT)

Mulheres de Jerusalém, eu as faço jurar pelas gazelas e pelas corças do campo: não despertem nem provoquem o amor enquanto ele não o quiser (NVI)


Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não desperteis e nem acordeis o meu amor, até que ele queira (KJF)


Ó filhas de Jerusalém, pelas corças e gazelas do campo eu vos conjuro: não desperteis, não acordeis o amor, até que ele o queira! (KJA). 

Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis nem desperteis o meu amor, até que queira. (RC). 

Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis, nem desperteis o amor, até que este o queira (ARA)

Moças de Jerusalém, eu proíbo, pelas gazelas e cervas do campo, que vocês acordem o meu amado. Deixem que ele durma! (BV)

Mulheres de Jerusalém, eu as faço jurar pelas gazelas e pelas corças do campo: não despertem nem provoquem o amor enquanto ele não o quiser (NVT). 



Comentário simplificado

- A expressão deste verso (Cantares 2.7) reaparece em 3.5 e 8.4. Cada refrão segue uma descrição da consumação da relação conjugal. À luz da natureza consumidora do amor, conforme descrito em 2.3-6, a esposa procurou desencorajar as jovens de evolverem-se prematuramente num relacionamento sexual. A admoestação promove a castidade e o autocontrole. Portanto, temos neste refrão um lembrete de que o acto sexual deve aguardar o momento certo com a pessoa certa. O contexto mais amplo das Escrituras indica que o momento certo é o casamento, e a pessoa certa é seu cônjuge.

- Por mais atraente que seja o amor, ele não deve ser forçado ou apressado, daí a conjuração da mulher às filhas neste versículo. É claro que o casal já está apaixonado, mas deve permitir que seu amor prossiga em seu ritmo adequado, o que inclui esperar até o momento certo para consumá-lo (no casamento).


Análise teológica  

  • A Bíblia não condena o sexo, apenas o sexo pervertido (1 Coríntios 6.18; Gálatas 5.19). Deus criou o sexo (Gn 1.27) e ordenou que fosse desfrutado dentro dos limites do casamento monogâmico e sob um relacionamento de amor (confira Provérbios 5.18-19).
  • Depois de advertir àqueles que proíbem o casamento (1 Timóteo 4.3), o apóstolo declara que "tudo que Deus criou é bom" (4.4), e prossegue falando do Deus "que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento" (6.17). O livro de Hebreus destaca que "digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros" (Hb 13.4).
  • Deus tem consciência de que as pessoas normais têm desejos sexuais, mas ele acrescenta: "mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido" (1 Coríntios 7.2). Assim, o sexo em si não é pecado, assim como os desejos sexuais também não o são. Deus os criou com a pretensão de que fossem desfrutados dentro dos laços de amor de um casamento monogâmico. O Cântico dos Cânticos de Salomão é um exemplo de como o amor conjugal deve expressar-se no casamento, dado com a autoridade divina.


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Apêndice: Alguém mencionou a expressão “harém de Salomão” e apercebi-me da necessidade de fazer um esclarecimento adicional.


Estimados irmãos, apenas porque a Bíblia relata o pecado de poligamia praticado por Salomão, não significa que Deus a aprove. 


Não seria necessário comentar Cantares 6.8, uma vez que o versículo 9 já resolve a questão com relativa clareza. Todavia, se este texto faz referência directa ao Rei Salomão, então temos aqui um tópico que exige-nos estudo detalhado. 


O livro Cântico dos Cânticos menciona “sessenta rainhas, oitenta concubinas (= esposas secundárias) e incontáveis virgens" (Cantares 6.8) como parte do “harém de Salomão”. Posteriormente, conforme lemos em 1 Reis 11.1, este número aumentou. A pergunta que se faz é a seguinte: por que Deus permitiu que Salomão tivesse tantas mulheres, se ele condena a poligamia?


A monogamia é o padrão de Deus para os homens. Isto está claro pelos seguintes factos: (1) Desde o princípio Deus estabeleceu este padrão ao criar o relacionamento monogâmico de um homem com uma mulher, Adão e Eva (Génesis 1.27; 2.21-25). (2) Esta ficou sendo a prática geral da raça humana (Génesis 4.1), seguindo o exemplo estabelecido por Deus, até que o pecado a interrompeu (Génesis 4.23). (3) A Lei de Moisés claramente ordena: "Tampouco para si multiplicará mulheres" (Deuteronómio 17.17). (4) A advertência contra a poligamia é repetida na própria passagem que dá o número das muitas mulheres de Salomão (1 Reis 11.2): "Não caseis com elas, nem casem elas convosco". (5) Jesus reafirmou a intenção original de Deus ao citar esta passagem (Mateus 19.4) e ao observar que Deus "os fez homem e mulher" e os juntou em casamento. (6) O NT enfatiza que "cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido" (1 Coríntios 7.2). (7) De igual forma, Paulo insistiu que o líder da igreja deveria ser "esposo de uma só mulher" (1 Timóteo 3.2; 12). (8) Na verdade, o casamento monogâmico é uma prefiguração do relacionamento entre Cristo e sua noiva, a Igreja (Efésios 5.31-32).


A poligamia nunca foi estabelecida por Deus para nenhum povo, sob circunstância alguma. De facto, a Bíblia revela que Deus puniu severamente aqueles que a praticaram, como se pode ver pelo seguinte (Geisler): (1) A primeira referência à poligamia ocorreu no contexto de uma sociedade pecadora em rebelião contra Deus, na qual o assassino “Lameque tomou para si duas esposas" (Génesis 4.19,23). (2) Deus repetidamente advertiu ou polígamos quanto às consequências de seus atos: “para que o seu coração se não desvie" de Deus (Deuteronómio 17.17; cf. 1 Reis 11.2). (3) Deus nunca ordenou a poligamia como o divórcio, ele somente a permitiu por causa da dureza do coração do homem (Deuteronómio 24.1; Mateus 19.8). (4) Todo praticante da poligamia na Bíblia, incluindo Davi e Salomão (1 Crónicas 14.3), pagou um alto preço por seu pecado. (5) Deus odeia a poligamia, assim como o divórcio, porque ela destrói o seu ideal para a família (Malaquias 2.16).


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Referências:

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Anon, 2017. The Lexham Analytical Lexicon of the Hebrew Bible.

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Geisler, N. L., ed. 1999. Manual popular de dúvidas, enigmas e “contradições” da Bíblia. SP: Mundo Cristão.

Murphy, R.E., 1990. The Song of Songs: a commentary on the Book of Canticles or the Song of Songs S. D. McBride, org., Minneapolis, MN: Fortress Press.

Sproul, R.C. org., 2015. The Reformation Study Bible: English Standard Version (2015 Edition), Orlando, FL: Reformation Trust.

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Waltke, B.K. & O’Connor, M., 2006. Introdução à Sintaxe do Hebraico Bíblico 1a edição., São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.

Whitaker, R. et al., 1906. The Abridged Brown-Driver-Briggs Hebrew-English Lexicon of the Old Testament: from A Hebrew and English Lexicon of the Old Testament by Francis Brown, S.R. Driver and Charles Briggs, based on the lexicon of Wilhelm Gesenius.


Pr Pastor Cosme de Moraes

O DRAMA DA INVEJA

             


Génesis 4.1-16


A inveja é um pecado e torna-se uma doença (Pv 14.30). A inveja é como podridão nos ossos, enfraquece a vida, afeta a saúde e rouba a paz. A inveja destrói os relacionamentos e cria conflitos. A palavra de Deus diz que “onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa" (Tiago 3.16). A Escritura apresenta a inveja como uma ‘obra da carne’ que caracteriza a vida daqueles que “não herdarão o reino de Deus” (Gl 5.21). O amor é a marca dos redimidos por Cristo e a Escritura diz que “o amor não é invejoso" (1Co 13.4). É por isso que os cristãos, logo que se convertem a Cristo, devem deixar toda malícia e invejas (1 Pe 2.1). 


A inveja é uma mistura de desejo por alguma coisa com o ressentimento por alguém está desfrutando da mesma, e nós não. É querer ter o que o outro tem e ficar infeliz porque ele tem o que tem. O invejoso fica ressentido por causa de generosidade de Deus pelos outros (Mt 20). A inveja é um tipo de tristeza. É a tristeza de ver o outro feliz. A tristeza de ver o favor de Deus na vida do outro. O invejoso em vez de alegrar-se com o que tem, entristece-se com o que os outros têm.


A inveja é um acto mesquinho, pois não consegue alegrar-se com o outro pelas suas vitórias. A inveja é um acto de ingratidão com Deus. É pensar que Deus é injusto e não sabe lidar com sua providência. A inveja é um ato de soberba, porque o invejoso não tem a humildade de aceitar sua própria história e limitações. A inveja é um pecado de esquecimento do quanto Deus já foi bom e tem sido gracioso connosco. A oração de ações de graças é um excelente remédio contra este tipo esquecimento (1 Tm 2.1). 


Deus não fez todos iguais e distribuiu os seus dons de uma forma desigual para que possamos receber essas graças uns dos outros. Não temos o direito de exigir nada de Deus, pois somos pecadores (Rm 3.23). Deus não nos deve nada. Tudo que Ele fez e faz por nós é pela sua graça - maravilhosa graça. 


O drama da inveja na família de Adão e Eva (Gn 4.1-16). O pecado da inveja entrou na família de Adão e Eva. Seus filhos Caim e Abel receberam as mesmas instruções. Aprenderam a adorar a Deus. Mas desde o princípio os homens são diferentes uns dos outros. Até entre irmãos havia uma nítida diferença. Caim era lavrador e Abe pastor de ovelhas (4.2); funções típicas da Mesopotâmia naquele tempo. A maioria das pessoas subsistia pela combinação de ambas.


O texto informa que ambos vieram ofertar ao Senhor. Caim trouxe dos produtos da terra e Abel das primícias do seu rebanho; reconhecendo a bênção divina sobre suas atividades e que tudo vinha do Senhor. Deus agradou-se de Abel e de sua oferta, mas não agradou-se de Caim e de sua oferta. O adorador e sua oferta são inseparáveis. Antes de receber a oferta, Deus precisa receber o ofertante. Antes de colocarmos nossa oferta no altar precisamos apresentar a Deus a nossa vida. Deus não agradou-se de Caim. Por conseguinte, não agradou-se de sua oferta. O texto não indica como isso foi comunicado, mas indica que Caim e Abel souberam imediatamente. 


Em vez de Caim reconhecer seu pecado e imitar seu irmão Abel, encheu-se de inveja e resolveu matá-lo. Seu ódio velado transformou-se em dissimulação criminosa. Caim chamou seu irmão para uma armadilha e, depois de matá-lo, tentou abafar sua consciência, fugindo da culpa e da responsabilidade pelo gravíssimo crime que cometeu. 


A inveja não foi o único pecado de Caim. O texto apresenta-nos pelo menos dez pecados de Caim: impiedade (v. 3); ira; semblante carrancudo (v. 5–6); inveja; planejamento para o mal; assassinato (v. 8); mentira; indiferença (v. 9); egoísmo (v. 13); e autopiedade (v. 14). Portanto, esta passagem demonstra as consequências da Queda (Rm 5.12) e a natureza cruel e perversa do pecado que contaminou a humanidade.


O pecado de Caim (Gn 4.1-16). Caim é o autor do primeiro fratricídio e assassinato da história da humanidade. Muitos pormenores acentuam a gravidade do pecado de Caim. O contexto é o culto divino, a vítima, um irmão (a palavra irmão ocorre sete vezes na narrativa, Gn 4.2–11). Enquanto Eva fora persuadida a pecar, Caim não aceita ser dissuadido de seu pecado nem sequer pelo próprio Deus; também não irá confessar seu pecado e nem aceitar o castigo divino.


O primeiro acto de violência esta relacionado com o culto divino. A história da humanidade está repleta de lutas e guerras motivadas pelo zelo religioso. O que deve unir os homens os separa. 


Ambos, Caim e Abel, foram diante de Deus como sacerdotes, adoraram o mesmo Deus e desejaram ser aceitos por ele, mas somente Abel levou um tributo aceitável (vs. 3-4). Por que Deus Rejeitou Caim e a sua oferta (Gn 4.2-5)?


Não é correto afirmar que a ausência de sangue desqualificou a oferta de Caim e qualificou o sacrifício prestado por Abel (Dt 26.1-11). Ambos trouxeram ofertas relacionadas à sua vocação. O problema não está na oferta sem sangue, pois era apropriada. Por exemplo, em Levítico 2.14-15, a Torá descreve os procedimentos cerimoniais da Antiga Aliança sobre a “oferta de alimentos das primícias” ao Senhor. Tudo que é explícito nesta passagem é que Abel ofereceu o melhor do seu rebanho e que o espírito de Caim era orgulhoso (4.5). Portanto, Deus rejeitou a oferta de Caim porque Caim não trouxe o melhor de sua colheita. Abel, expressando maior devoção, ofereceu as “mais godas das primeiras crias” de seu rebanho (4.4). Caim falhou em oferecer as “primícias” e o melhor de sua produção (4.2; comp. Êx 23.19). Caim trouxe tudo o que estava à mão, enquanto Abel trouxe o melhor que tinha (Gn 4.4; cf.: Ex 13.12; Nm 18.17). O pecado de Caim é a superficialidade. Ele parece religioso, porém seu coração não é totalmente dependente de Deus, não é sincero nem grato.


Várias passagens do Novo Testamento fazem inferências legítimas desta narrativa, a saber: (1) que Caim demonstrou um coração mau por suas obras más, enquanto Abel demonstrou um coração piedoso por suas obras justas (1Jo 3.12); (2) que Abel ofereceu seu sacrifício pela fé e foi elogiado como justo por esse motivo (Hb 11.4); (3) que os inimigos da fé cristã serão condenados porque “entraram pelo caminho de Caim” (Jd 11); (4)  e que Abel era um homem justo (Mt 23.35), enquanto Caim, como o próprio Diabo, era um mentiroso (4.9) e assassino (4.8; cf. Jo 8.44).


Logo, Deus rejeitou a vida de Caim antes de rejeitar sua oferta. Deus vê a atitude do ofertante e não apenas a oferta. A Escritura ensina que a vida vale mais que a oferta. “O sacrifício dos ímpios já é abominação; quanto mais oferecendo-o com má intenção!” (Pv 21.27, ACF). Deus rejeita uma oferta quando a obediência e a vida em santidade são substituídas por rituais religiosos” (Victor Hamilton). Em 1 Samuel 15.22,23, está escrito que “obedecer é muito melhor do que sacrificar! Deus está muito mais interessado em que o escutes e sigas, do que na gordura de carneiros. A rebelião é um pecado tão grave como a própria feitiçaria; a obstinação é coisa tão má como a idolatria.” 


O crente e o incrédulo, o justo e o ímpio, são diferenciados por suas atitudes em relação a Deus. A Escritura, com clareza, distingui eleição de reprovação. O fundamento da eleição é a graça de Deus (Ef 1), ao passo que o fundamento da reprovação é a justiça de Deus. A reprovação é vista como algo que traz tristeza a Deus, não deleite (Ez 33.11), e a responsabilidade pela condenação dos pecadores é sempre lançada sobre as pessoas ou anjos que se rebelam, nunca sobre o próprio Deus (Jo 3.18-19; 5.40). Assim, pelo que as Escrituras apresentam, a causa da eleição está em Deus, e a causa da reprovação jaz no pecador.


Deus jamais faz o mal e jamais deve ser culpado pelo mal (Atos 2.23 e 4.27-28; Lc 22.22; cf. Mt 26.24; Mc 14.21; Mt 18.7). Embora se possa dizer que Deus é o Autor da regeneração, da chamada eficaz, da fé salvadora, da justificação e da santificação dos eleitos e, portanto, mediante Sua ação directa sobre eles, leva a eleição deles à realização concreta. Não se pode dizer que Ele é também o autor da condição iníqua e dos atos pecaminosos dos reprovados, agindo diretamente neles e, portanto, sendo o responsável directo por isso tudo (Gn 45.5; 50.20; Êx 14.17; Is 66.4; Rm 9.22; 2 Ts 2.11).


“O motivo da condenação dos réprobos é o pecado” (Berkhof). Quando as pessoas rejeitavam a Jesus, ele sempre atribuía-lhes a responsabilidade pela escolha deliberada de rejeitá-lo, e não em algum decreto de Deus Pai (cf.: Jo 8.43-44; Mt 23.37; Jo 5.40; Rm 1.20). Portanto, Deus culpa e julga justamente as criaturas morais pelo mal que fazem (Is 66.3-4; Ec 7.29). A culpa pelo mal moral é sempre da criatura responsável que o comete, seja homem, seja demónio, e a criatura que comete o mal sempre merece castigo.


O caminho da restauração e as consequências da impenitência (Gn 4.5-8). Deus confronta Caim e o encoraja a superar seu coração pecaminoso. Deus admoestando-o a exercer domínio sobre seu pecado. Caim tem a consciência divina do certo e errado, porém rebela-se contra Deus. 


O rosto abatido de Caim expressava seu ódio e amargura. O simples olhar para o rosto de Caim o traia (v.5). O quadro do “pecado ... jaz à porta”, desenvolve-se na metáfora da doma de um animal selvagem. O pecado é retratado como um predador agachado e pronta para atacar sua presa. Assim, “o desejo pecaminoso é retratado como um predador selvagem “ansiosa para entrar nele”, mas Caim tinha o dever dominá-lo.


A pergunta de Deus é um incentivo para Caim fazer o que é certo. Tudo mudará se ele se arrepender. Deus lhe mostrará favor, ele não ficará zangado e seu rosto refletirá isso. Caim devia dominar o seu ciúme e inveja contra o seu irmão Abel, senão seria dominado pelo seu ciúme e inveja. “Atrás do fratricídio está o ódio, atrás do ódio a inveja, e atrás da inveja o orgulho ferido”. Caim tinha o dever de abandonar o seu pecado. Ele precisava controlar seu desejo pecaminoso. No entanto, acabou sendo controlado pelo pecado.


Caim renuncia a Deus e sua imagem. Tendo-se desfeito de seu irmão, ele agora nega qualquer responsabilidade. Tiago 1.15 adverte-nos de que o pecado inicia-se de forma pequena, mas cresce e leva à morte. A mesma coisa aconteceu com Caim. Vemos desapontamento, ódio, ciúme e, por fim, o assassinato (Mt 5.21-26). Deus advertiu-o de que o pecado, como uma besta selvagem, estava a espreita para destruí-lo. Caim alimentou a besta selvagem da tentação, depois abriu a porta e a convidou a entrar! 


A “voz” do sangue de Abel condena Caim, assim como uma testemunha ocular num tribunal. “O assassinato é um pecado que clama. O sangue pede sangue, o sangue do assassino pelo sangue do assassinado” (M. Henry). Em contraste, o sangue inocente de Jesus oferece misericórdia e perdão ao pecador arrependido (Hb 12.24).


Caim alienou-se de seu irmão e de Deus, por isso Deus alienou Caim do solo cultivável. Caim foi amaldiçoado e banido da presença de Deus (4.11, 14). Ele foi rejeitado pelo céu e recusado pela terra! A terra seria improdutiva para Caim. Ele viveria como um fugitivo, sem paz, e um enjeitado pelo Criador (v. 12; 16). A maldade dos maus traz a maldição a tudo o que fazem, e a tudo o que possuem. Aqueles que apartam-se de Deus jamais podem encontrar repouso em qualquer outro lugar (Henry).


Caim queixou-se não de seu pecado, mas de seu castigo. Ele estava mais com os seus sofrimentos do que os seus pecados. Caim teme que qualquer um que o encontrar queira matá-lo (v. 14). Mas o Senhor disse que “qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado” (4.15). Sete denota um ciclo completo e, portanto, aqui significa a justiça perfeita (Waltke). Quem ousar matar Caim será punido com gravidade e irremediavelmente. 


Com este sinal, Deus declara que tirar a vida é prerrogativa Sua, em contraste com o assassinato de Abel. Posteriormente, com a ameaça do desenvolvimento da violência generalizada, o Senhor instituiu a pena capital para restringir o homicídio (Gn 9.6; Dt 19.11-13).


O texto não diz o que é a marca, mas evidentemente é um sinal facilmente visível e permite que qualquer pessoa veja que Deus marcou Caim para sua segurança (Ez 9.4), contra qualquer vingança de sangue. Por outro lado, esta marca seria um sinal vitalício da sua vergonha e das trágicas consequências do pecado.  


Este é um sinal da benignidade de Deus até mesmo para com os que não se arrependem. Deus age com sua “graça comum” mesmo entre os maus como disse Jesus (Mt 5.45). Pense naqueles cientistas, que sequer declaram Deus como Senhor, têm inteligência e vida para trazer benefícios à humanidade. Observe que a terra, ano após anos, dá o seu fruto e traz riquezas para os homens. Note como a graça comum de Deus permite que haja autoridades, justiça, ordem – ainda que imperfeita. Observe que muitos seres humanos conseguem viver uma vida com bons valores mesmo estando afastados de Cristo. Tudo isso é a demonstração da “graça comum de Deus” sobre a vida na terra. Não fosse esta “graça comum” de Deus, o mundo estaria num caos muito maior do que o que vemos hoje.


Conclusão

Grandes desastres já aconteceram como fruto da inveja. A história de Caim e Abel ensina-nos que precisamos dominar o pecado da inveja, ou então, seremos dominados. Caim foi rejeitado por Deus, sua oferta não foi aceita, e sofreu duro castigo por não arrepender-se do seu pecado e por não submeter-se a Deus. Ele preferiu vingar-se de Deus, matando seu próprio irmão.


O ser humano é absolutamente responsável quando cede ao pecado. A Escritura é clara no tocante ao dever moral da humanidade: “Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” (Tiago 4.7 ACF). Grande tormento está reservado para aqueles que “entrarem pelo caminho de Caim” (Jd 11). A Escritura diz que eles serão “condenados para sempre à mais profunda escuridão (Jd 13), no Dia do Senhor (Jd 15). Por outro lado, “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” … Portanto, “agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 6.22, 23). Amém! 


A inveja nasce no coração de quem busca a felicidade no lugar errado - nos ídolos deste mundo. Cristo é a solução para a inveja. A nossa alegria e suficiência está em Cristo. O que simplesmente necessitamos é mais de Jesus. Devemos parar de fazer comparações entre nós, pois já temos Cristo e com Ele desfrutamos do maior de todos os privilégios: a vida eterna (Jo 17.3). 

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Referências: 

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Pastor Leonardo Cosme de Moraes