REVELAÇÃO GERAL

A Revelação geral, confirmada pela Bíblia, não deve ser confundida com o conceito pagão do panteísmo. O panteísmo é a crença de que Deus é tudo o que existe, ou seja, Ele não é uma entidade pessoal que existe fora (ou para além) da Sua própria criação mas sim, o conjunto de tudo o que existe.
Quando a Bíblia fala na Revelação geral, ela se refere a magnífica beleza e ordem apresentada pelos elementos criados, e que apontam para o Criador, a causa de todas as causas.
A criação não deve ser confundida com o Criador. A sua função é revelar, destacar e despertar admiração no que diz respeito ao saber criador de Deus.

Dentro da Revelação Geram, identificam-se duas categorias:
1. Revelação Geral Imediata
O termo imediato, de origem latina (immediatu-) significa que algo acontece sem passar por nenhum agente, objecto ou meio intermediários. Uma acção imediata é aquela que ocorre sem a participação de intermediários.
Neste sentido, podemos afirmar que todo o Universo é um meio de revelação divina, dando testemunho do seu Criador.
2. Revelação Geral Mediada
Além de revelar a sua glória indirectamente por meio da criação, Deus também se revela directamente (de modo mediato) à mente humana (Romanos 2: 12-16). Calvino chamou-o de um senso divino implantado na mente de cada pessoa, facto esse que explica a forte inclinação religiosa no âmago do ser humano. Essa voz interior (que pode ser levada ao extremo em forma de idolatria) pode ser abafada, mas jamais destruída.


(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul e Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd e Teologia Sistemática de Wayne Gruden).

Pastor Samuel Quimputo

A INTERPRETAÇÃO PESSOAL

A Reforma protestante do Séc. XVI foi um marco de grande importância na História do Cristianismo. Foi um movimento de retorno às bases e aos fundamentos da fé cristã, ensinada pelo Senhor Jesus e pelos Seus incansáveis apóstolos.
A Reforma protestante deixou-nos dois legados de grande valor:
- O princípio da interpretação pessoal da Bíblia
- A tradução da Bíblia para a língua do povo.
Diante da Dieta de Worms (concílio no qual foi acusado de herege por causa dos seus ensinos) Lutero declarou:
“A menos que eu seja convencido pela Escritura, a minha consciência continuará cativa da Palavra de Deus – não aceito a autoridade de papas e concílios, porque se têm contraditado. Não posso nem quero retratar-me, porque ir contra a consciência não é certo nem seguro. Que Deus me ajude. Amém.”
Tanto a declaração de Lutero assim como a sua subsequente tradução da Bíblia para a sua língua vernácula, tiveram dois efeitos tremendos:
1º Tirou da Igreja Católica Romana o direito exclusivo de interpretação das Escrituras. O povo deixou de estar à mercê das doutrinas da Igreja, que impunha as suas tradições, fazendo com que os seus ensinos tivessem autoridade igual à da Palavra de Deus.
2º Colocou a interpretação da Palavra nas mãos do povo. Esta mudança foi mais problemática, levando aos mesmos excessos que caracterizavam a Igreja Católica, isto é, excessos de interpretações subjectivas do texto, cujas consequências foram o afastamento da sã doutrina bíblica e da fé cristã pura e simples.
O subjectivismo tem sido o grande perigo da interpretação pessoal das Escrituras. Por isso, convém dizer que o “princípio da interpretação pessoal não deve significar o direito de usar o texto bíblico de maneira que bem se entende”.
O ‘direito’ de interpretar as Escrituras traz consigo uma responsabilidade acrescida de interpretá-las correctamente, com reverência e santo temor.
Os crentes são livres de descobrir do verdadeiro sentido das Escrituras, aquele pretendido pelo autor original, mas não são livres para impor as suas próprias verdades, fazendo com que o texto diga o que se quer e não o que realmente pretende dizer.
O intérprete deve buscar compreender os sólidos princípios de interpretação, evitando, assim, os perigos do subjectivismo hermenêutico ou exegético.
A interpretação pessoal deve, sempre, levar em conta o significado objectivo das Escrituras, isto é, compreender o que a Palavra de Deus diz, no seu próprio contexto, antes de prosseguirmos para a tarefa igualmente necessária de aplicá-las à nossa vida.
Uma declaração particular pode ter inúmeras aplicações pessoais possíveis, contudo só pode ter um único significado correcto.
A interpretação pessoal da Bíblia não pode (nem deve) servir de pretexto para moldar o ensino das Escrituras ao sabor dos caprichos do intérprete. Como se diz “o texto fora do seu contexto é puro pretexto”.
O intérprete das Sagradas Escrituras deve cultivar uma honestidade mental e uma humildade espiritual, deixando que Elas falem ao seu coração, tendo a consciência de que o que elas afirmam é a Palavra do Senhor Todo-Poderoso.
A obediência e a busca humilde do poder orientador do Espírito Santo devem caracterizar a atitude e a vida do intérprete bíblico.

Textos de apoio: (Jó 38:1-41:34; Salmo 139:1-18; Isaías 55:8-9; Romanos 11: 33-36;
I Coríntios 2: 6–16)

(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R. C. Sproul; Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones; Teologia Sistemática de George Eldon Ladd e Teologia Sistemática de Wayne Gruden)
Pastor Samuel Quimputo

A HUMANIDADE (OU POSTERIDADE) E O PECADO ORIGINAL

O problema humano não é, primariamente, ambiental; é sim, uma questão de natureza. Desde que os nossos primeiros pais pecaram, caindo do seu estado original de perfeição, a corrupção (deterioração moral e espiritual) tomou conta de toda a experiência da vida humana. A corrupção da sociedade é apenas o resultado da natureza pecaminosa de cada um dos seres humanos que vem a este mundo.
Os frutos pecaminosos evidenciados nos actos e nas atitudes dos seres humanos, são o resultado incontestável da “qualidade da árvore”, ou seja, do seu coração, do seu ser mais íntimo, que é essencialmente mau. E tudo isso porque os nossos originais ancestrais caíram em pecado.
A Queda “não é simplesmente uma questão de dedução racional. É uma parte da revelação divina” (R.C. Sproul). A doutrina da Queda do Homem é claramente ensinada nas Sagradas Escrituras.
O pecado original não se refere primariamente ao primeiro pecado cometido por Adão e Eva. Antes, refere-se ao resultado do primeiro pecado; refere-se ao início da corrupção da raça humana, à condição caída em que nascemos, antes mesmo de cometermos qualquer acto pecaminoso.
Por esta razão, não podemos perguntar: “Quando é que um ser humano se torna pecador?” A verdade bíblica afirma que o ser humano já vem à existência no estado de pecador (Salmo 51:5). Como descendente do primeiro Adão, o representante “federal” da raça humana, todo ser humano (excepto o Senhor Jesus) vem a este mundo com um natureza decaída, inclinada para o mal.
As consequências do pecado, como vimos, atingiram toda a criação, colocada sob a gerência do Homem. Por causa do pecado do seu “pai federativo”, a posteridade (ou descendência) humana ficou sujeita à corrupção (Romanos 5: 12- 14; 8: 20; I Cor. 15: 20-22). Assim, o pecado de Adão teve um efeito devastador sobre a sua posteridade, o que se traduz na evidente universalidade do pecado e da consequente morte, mesmo que alguns não o designem como tal. O facto é que todos são testemunhas da maldade proveniente do interior o ser humano, capaz de levá-lo a cometer actos contrários ao seu carácter moral.
Em maior ou menor proporção, a realidade dos efeitos do pecado em todos os homens é inegável, facto este que revela a desorientação moral e espiritual em que se encontram (Isaías 53: 6; Romanos 3: 10-12, 23, Tiago 3:2; I João 1: 8,10).
A realidade da universalidade do pecado leva-nos a indagar: Como é que pecado foi transmitido?
Em primeiro lugar, convém-nos lembrar que o pecado é um tipo de mal moral e ético. “É ausência de integridade, de autenticidade; é carência de rectidão, é o abandono do caminho designado” (M. Lloyd-Jones). É errar o alvo traçado por Deus, que é a Sua lei implantada na mente (isto é, no coração) do homem. Portanto, o pecado é também uma atitude de revolta e de rebeldia contra Deus; é uma recusa activa (positiva) de submissão à autoridade legal de Deus. “É a quebra deliberada de uma aliança” (M. Lloyd-Jones).
Ele envolve culpa, vaidade espiritual, perversão (ou distorção da natureza). O que significa que:
- O pecado é um tipo de mal (moral ou ético);
- O pecado possui um carácter absoluto (apropria-se do homem como um todo);
- O pecado é algo que se acha directamente relacionado com Deus, com a Sua vontade e a com
a Sua lei;
- O pecado é algo que está no coração dos homens e das mulheres, e não à superfície das
suas vidas; está no mais profundo do seu ser;
- O pecado não consiste apenas de acções, mas essencialmente é uma condição;
- O pecado é culpa e uma espécie de poluição.

Teorias de transmissão do pecado de Adão à Humanidade:

- A Teoria realística – Esta teoria afirma que a humanidade inteira estava em Adão; quando ele pecou e caiu, a natureza humana toda caiu com ele (com a base de que a alma é algo que herdamos dos nossos pais, uma espécie de identidade seminal; ex. Hebreus 7: 9, 10); Contudo, esta teoria tende a materializar a alma e entra num labirinto filosófico.
Uma outra dificuldade é o facto de que não somos responsabilizados por todos os pecados de Adão, e sim em apenas um (Romanos 5: 18),
- A Teoria do pacto – Por sua vez, esta teoria apoia o ponto de vista de que todos nós herdamos o pecado de Adão porque ele não é só o cabeça da raça humana, mas também porque Deus fez com ele um pacto, e designou-o como representante da raça. Segundo esta teoria, que tem muito a seu favor, Adão era uma espécie de representante federal da humanidade inteira. Portanto, tudo o que Adão fez teve consequências para todos que provieram dele.

Textos de apoio: Génesis 3: 1-24; Efésios 2: 1-3; 4: 17-19; I João 1:8-10

(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden, Comentário de Génesis de Derek Kidner e A Terra…De Onde Veio de John C. Whitcomb).
Pastor Samuel Quimputo

A DOUTRINA DA QUEDA DO HOMEM

No nosso estudo anterior procurámos analisar, à luz da Bíblia, a doutrina do Homem, tal como foi criado por Deus, à Sua imagem e semelhança, e como foi colocado no Paraíso, numa relação de plena comunhão com o Senhor. Vimos que ele foi criado perfeito e em perfeito exercício das suas faculdades pessoais, e vivendo em pleno estado de felicidade, usufruindo da justiça, da rectidão, da moralidade e de um carácter correspondente ao de Deus. Tudo isso foi fruto da perfeita comunhão que partilhava com o Senhor, e da harmonia existente entre a vontade de Deus e a da Sua criação especial.
Contudo, quando contemplamos o Homem como ele é hoje, reconhecemos que algo difere do quadro traçado em Génesis, nos capítulos 1 e 2. Logo, surge uma pergunta inevitável: O que é que provocou tal mudança?
O estado e a condição moral e espiritual, juntamente com a sua degradação física e mental, são evidências claras de que algo inteiramente novo interferiu e afectou o estado e a condição iniciais.
Qual foi, então, o problema? O que é que aconteceu, de facto, para que o ser humano se tornasse tal e qual o conhecemos hoje?
A resposta bíblica é que, esse “algo” que mudou tudo é o Pecado. E sem a realidade do pecado é impossível compreendermos a profundidade das doutrinas tanto do Homem como da própria Salvação.

1. A Natureza do Pecado
O significado mais básico que a Bíblia atribui ao pecado é errar o alvo. Ainda, segundo a visão e o ensino bíblicos, o alvo que não foi atingido são as normas da Lei de Deus, que expressa a Sua justiça e representa o padrão supremo para o nosso comportamento. Quando falhamos em alcançar (ou cumprir) esse padrão, pecamos; erramos o alvo e ultrapassamos os limites estabelecidos pelo próprio Criador.
A outra realidade sobre a natureza do pecado é que, ele envolve uma atitude positiva de desobediência às orientações dadas e à vontade de Deus, assim como de desrespeito e de rebeldia em relação a própria pessoa de Deus.
No conceito do pecado existem duas dimensões cruciais:
A primeira é a dimensão da omissão, isto é, pecar é deixar de fazer o que Deus ordena, por livre e espontânea vontade ou da falta de conformidade com as normas justas de Deus.
A segunda é a dimensão da comissão, isto é, pecar é transgredir a lei estabelecida. Nesta dimensão, o pecador ultrapassa os limites estabelecidos e vai além. Pode-se dizer que, nesta dimensão, pecar é cometer a ilegalidade; é violar a lei estabelecida.
Várias teorias têm sido elaboradas na tentativa de explicar a incontornável situação do estado actual do homem e do mundo, em que nos encontramos. Entre elas destacam-se a teoria do dualismo. Esta teoria que remonta ao tempo antes da era cristã, afirma que existem dois princípios de vida igualmente grandes: o do bem e o do mal. Atesta esta teoria que o bem e o mal são de igual essência e são controlados por um deus que controla o bem, e pelo outro que controla o mal. Existem, porém, ramificações dentro dessa teoria.
A outra é a teoria da evolução, que afirma que afirma que o homem não passa de um animal que deu um “salto” no processo evolutivo, de tal modo que, o que testemunhamos na vida e no mundo nada mais é senão uma manifestação de certas qualidades e características que trazemos, como animais, que com “maturidade” intelectual e racional temos vindo a abandonar, tornando-nos mais humanos e menos irracionais.
Alguns são da opinião que o que a Bíblia chama de pecado não passa de uma espécie de resistência, isto é, de uma parte essencial da natureza humana, posta ali por Deus, a fim de que tenhamos “algo” que superar e que, ao superá-lo, possamos evoluir e nos desenvolvermos.
Outros, ainda, afirmam que o pecado é simplesmente a ausência de algumas qualidades positivas tais como: conhecimento e discernimento (por exemplo, em vez de dizermos que uma pessoa é má, temos que dizer que ela não é boa”).
Como podemos verificar, quando homens e mulheres são confrontados com a realidade do mal, há uma clara tendência para se evitar o conceito bíblico de pecado, como força activa e em profusa operação em cada aspecto da nossa vida.
O que nos convém fazer é, sem receio, voltarmos para o ensino das Escrituras e buscarmos o Seu ensino sobre a causa ou a origem da presente situação em o homem e o mundo se encontram. E para isso, o capítulo 3 de Génesis é fundamental.
A doutrina ensinada nas Escrituras acerca da origem do pecado, encontra a sua base do capítulo 3 de Génesis, e nos é apresentado como sendo um relato histórico, sem qualquer insinuação de uma pretensa alegoria. O relato deve ser aceite como um facto histórico, confirmado pelo Senhor Jesus e pelos inspirados apóstolos, cujo ensino serve de fundamento para a edificação da Igreja cristã (Efésios 2: 20).
A confirmação histórica do relato de Génesis encontra-se espalhada em todas as partes da Bíblia. Vejamos as seguintes passagens: Jó 31: 33; Oséias 6:7; Romanos 5: 12-21; 2 Coríntios 11:3; I Timóteo 2: 14, etc.
A tentativa subtil de considerar os primeiros 11 capítulos de Génesis como não históricos, mas como um conjunto de mitos, ou de considerar partes do seu relato não são históricos, é um confronto à autoridade das próprias Escrituras, que afirmam a historicidade desses relatos.
Fazer “jogos” de interpretação para tentar encaixar “verdades” científicas nos relatos bíblicos, leva, invariavelmente, à confusão exegética e à deturpação hermenêutica. O procedimento sábio é aquele que encara a Bíblia como um Livro que aborda questões de âmbito natural e sobrenatural.
Se o Deus em que cremos é Aquele que a Bíblia nos apresenta, se cremos na existência de seres sobrenaturais e espirituais, como Satanás e seus anjos, então, temos que esperar realidades sobrenaturais, que escapam a nossa capacidade de raciocínio e de compreensão.
Dito isto, podemos perguntar: quais são as verdades ensinadas no capítulo 3 de Génesis?

1º O mal, o pecado e a tentação vieram de fora; vieram de (e com) Satanás, fazendo uso da serpente. Isto quer dizer que, antes da queda, nada houve no próprio homem que tivesse produzido a queda; não houve nenhuma causa física ou mental. Ele possuía um perfeito livre arbítrio para decidir o que fazer com ele. O homem era perfeitamente equilibrado e todos os aspectos do seu ser.
Os passos foram os seguintes: a serpente atacou a mulher, e não o homem; ela começou por dar ouvidos às calúnias do diabo contra Deus; começou a ter dúvidas das palavras e do amor de Deus. Em seguida, começou a olhar aquilo que Deus havia proibido ao ponto de desejá-lo. Esse passo levou-a a um definitivo acto de desobediência. Deliberadamente ela quebrou o mandamento dado por Deus a ambos. Depois, partilhou o fruto com Adão e ambos caíram em transgressão, errando o alvo.
Diante disto, somos levados a fazer a seguinte pergunta: o que é que os fez agir dessa maneira? Honestamente, devemos afirmar que não sabemos. Contudo, podemos supor que “a constituição moral do homem – o ter sido feito à imagem de Deus e possuir livre arbítrio – de qualquer forma reteve a possibilidade da sua desobediência”. Para além desta possibilidade, é difícil encontrarmos uma resposta final.

2º O diabo insinuou dúvidas acerca do amor de Deus. Foi a recusa por parte de Adão e Eva de se submeterem à vontade de Deus e de O deixarem determinar o curso da sua vida. A sua escolha demonstrou o seu desejo de afastar Deus de suas vidas. Enfim, foi o desejo de se tornarem independentes do Criador. Foi o amor à criação (criatura) em substituição do amor ao Criador que os levou à ruína e ao desastre. A suposta liberdade transformou-se em escravidão e humilhação (I João 2: 15, 16). Aquele que se tinha apresentado como o melhor amigo de Adão e Eva, não passava do seu pior inimigo, determinado em destruir a harmonia que existia entre Deus e os pais da raça humana.
Concluímos, pois, que “o pecado só foi possível ao homem, no princípio, visto que ele possuía uma personalidade espiritual livre”. O pecado só se tornou possível, por causa da sua personalidade livre ou seja, por ser capaz de exercer o seu livre arbítrio.
Como resultado da queda:
1. Adão e Eva tomaram consciência da sua nudez (Génesis 3:7 vs. 2:25);
2. Tiveram sentimento de culpa (Génesis 3:8); perderam a sua comunhão com Deus;
3. Experimentaram a morte espiritual (Génesis 3:24);
4. Passaram a viver numa relação inteiramente nova com a natureza (Génesis 3: 17 -19);
5. Experimentaram uma perversão da sua natureza moral;
6. Experimentaram a morte física. A morte já não era uma possibilidade, mas sim, uma
realidade (Génesis 3:19 cf. Romanos 5:12).

Textos de apoio: Génesis 3: 1-21; Jeremias 17:9; Romanos 3:10 – 26; 5: 12-19; Tito 1: 15


(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden, Comentário de Génesis de Derek Kidner e A Terra…De Onde Veio de John C. Whitcomb).

Pastor Samuel Quimputo

A IMAGEM DE DEUS NO HOMEM

Depois de nos debruçarmos sobre a doutrina do Homem, onde abordámos questões tais como: a sua origem, a sua singularidade em relação ao resto da criação, a sua humanidade caracterizada pela consciência própria, pela liberdade moral, pela elaboração de pensamentos abstractos e pela capacidade de possuir religião e de prestar culto. Falámos, também, da sua perfeição original, assim como da unidade de toda a raça humana, confirmada pelas tradições comuns, tais como a Queda e o Dilúvio e pela Filologia, que desvenda as afinidades entre as línguas.
A constituição do ser humano é integral, embora haja evidências nas Escrituras sobre as diferentes partes que compõem a sua pessoa (1 Tessalonicenses 5 :23; Hebreus 4: 12).
Agora, passamos a abordar a importantíssima questão da Imagem de Deus implantada no Homem. Reflectiremos sobre as implicações no entendimento e na compreensão da Antropologia bíblica e na valorização da doutrina da Salvação (a Soteriologia).
A doutrina da Imagem de Deus no Homem é basilar para a compreensão de toda a Antropologia bíblica. “Não podemos explicar o mundo e o que estamos a fazer nele, a menos que estejamos esclarecidos sobre a nossa origem, a nossa natureza e o nosso ser essenciais”. Só um entendimento correcto sobre a imagem de Deus no Homem pode nos capacitar a discernir o ensino acerca da humanidade do Senhor Jesus e da Cristologia em geral. O que Ele fez por nós torna-se relevante em nossas mentes quando compreendemos a posição em que nos colocou, depois de termos sido salvos. E para isso, devemos desenvolver o interesse pela “psicologia bíblica”, visto que, toda verdade sobre a nossa salvação passa, necessariamente, pelo entendimento de quem é o Homem.
Assim, a primeira questão a ser abordada é a seguinte: Qual é o significado das expressões “imagem” e “semelhança”?
Em primeiro lugar, não há diferença real de significado entre “imagem” e “semelhança”. Ambos os termos são cambiáveis. Eles significam a mesma coisa, dependendo da ênfase que é dada no contexto em que aparecem.
Convém salientar que a questão da imagem de Deus no Homem revela a grandiosidade do Homem no plano da criação divina. É neste ponto que reside o grande erro da Humanidade, e de um modo particular, da Sociedade actual visto que, contraditoriamente, ao tentar exaltar o ser humano, rebaixa-o com a sua doutrina (a Teoria da Evolução). Esta Teoria é um insulto à grandeza e à dignidade que a Bíblia coloca sobre o Homem.
O termo “imagem” ou “semelhança” transmitem-nos a ideia de um espelho e de um reflexo (ex. 2 Coríntios 3:18). Sermos feitos à imagem de Deus significa sermos uma espécie de reflector de Deus, a saber, uma “espécie de reflector de algo da própria glória divina. Essa é a ideia essencial.
Em segundo lugar, convém notarmos que o termo “imagem” é usado antes e depois da Queda do Homem. Quer isto dizer que, a imagem de Deus no Homem não foi inteira e totalmente perdida quando Adão e Eva pecaram e caíram. Há teorias que defendem que a imagem foi perdida na queda e que, só mediante a redenção (pelo novo nascimento) é que ela é restituída.
Contudo, as Escrituras, como iremos provar, confirmam o contrário, e mostram que a posição do salvo é mais elevada em relação à do Homem, antes da queda.
É verdade o facto de que, quando o Homem caiu, perdeu algo da sua imagem. Entretanto, não perdeu toda a dimensão da mesma. Algo essencial à imagem ainda permanece.
Em terceiro lugar, é um engano definir a imagem original de Deus no Homem em termos do que nos é dito sobre o homem regenerado.
Este princípio esclarece a confusão que se gera quando se tenta equiparar a regeneração à imagem original implantada no Homem. O que aconteceu na regeneração não se restringe ao regresso ao estado original; ultrapassa a realidade anterior à queda (Romanos 5:20).
A salvação, a redenção e a regeneração colocam-nos a um nível superior e mais elevado do que o original em que se encontravam Adão e Eva.
Em Quarto lugar, há uma diferença entre o homem como criado no princípio por Deus e a natureza humana do Senhor Jesus Cristo. Esta diferença reside no facto de que, o Senhor Jesus é “a expressa imagem da pessoa de Deus”. Todo o brilho da glória divina encontra-se nele, realidade esta que não pode ser contemplada no homem.
Contudo, tendo em conta a verdade acerca da imagem divina no homem, podemos dizer que, ele é uma espécie de cópia criada. Cristo é a imagem real e essencial do próprio Deus.
Ainda no que diz respeito à imagem de Deus no homem, há dois elementos importantes a ter em conta: a imagem natural e a imagem espiritual. Isso pode ser definido da seguinte forma: “a imagem consiste da natureza intelectual e moral do homem, bem como da sua perfeição moral original”.
A sua natureza intelectual e moral constitui a sua imagem natural.
A sua perfeição moral original constitui a sua imagem espiritual. João Calvino afirmou que “a sede da imagem no homem é a alma, ainda que alguns raios dela brilhem igualmente no corpo”. Significa que, a imagem de Deus no homem, representa “a integridade original do homem, a sua unidade, a sua justiça e a sua rectidão”. Essa imagem “se estende a tudo o que há no homem e que excede a de todas as demais espécies de animais”. Esta imagem diferencia o homem de qualquer outra espécie do mundo animal – o seu aspecto espiritual.

Qual é, então, o significado da imagem com que o homem foi criado no princípio? O que significa essa semelhança de Deus em nós?
Antes de mais, ela refere-se à alma ou ao espírito, isto é, à nossa espiritualidade. Trata-se da nossa “invisibilidade” espiritual.
Em certo sentido, a essência do nosso ser é invisível. Ninguém é capaz de ver o que somos em termos do nosso ser essencial, nem nós próprios. A nossa percepção de nós próprios é deficiente pelo facto de que a nossa personalidade, o nosso ser essencial, é invisível, tal como a Pessoa de Deus (João 1:18). A nossa alma ou espírito é invisível.
Em segundo lugar, a imagem de Deus em nós refere-se à nossa “imortalidade”. Com imortalidade queremos dizer que a nossa alma (ou espírito) continua activa e consciente, mesmo depois da experiência da morte física. Nem mesmo a sua “morte” espiritual significa extinção ou inexistência. Significa, apenas, separação da presença graciosa do Deus que é a fonte da verdadeira vida.
De certa forma, por termos sido criados à imagem de Deus (como no início), fomos capacitados a viver por um tempo indeterminado.

Para além da invisibilidade e da imortalidade, a imagem refere-se às nossas capacidades e faculdades psicológicas (da alma). Aqui o interesse está em fenómenos psicológicos e não psíquicos.
Somos seres racionais e morais; quer dizer que possuímos intelecto e temos a capacidade de pensar; possuímos vontade e podemos desejar. A nossa capacidade de pensar e de desejar condiciona-nos a raciocinar, pensar, meditar e a desejar o que é eterno, ou seja, Deus (Eclesiastes 3:11).

Como imagem de Deus, também possuímos “auto consciência”. Temos consciência de nós mesmos. Possuímos auto consciência e reconhecemos a nossa incapacidade de fugir da nossa própria pessoa, do nosso próprio “eu”. De forma geral, como imagem de Deus, possuímos a “capacidade para a auto contemplação e de análise. Podemos nos contemplar a nós próprios e fazer uma auto análise. E quantas vezes não queremos exercer essa capacidade, chegando mesmo ao ponto de detestarmos o facto de sermos possuidores da mesma!
Outra característica da imagem de Deus no homem é a sua integridade intelectual e moral, que se revela no conhecimento, na justiça e na santidade. Esta realidade faz parte do ser humano, visto que ele foi criado intelectual e moralmente “de tal forma que havia uma espécie de integridade nele, sem falsidade, sem imperfeição e sem erro”. Havia nele rectidão, justiça e verdade. Ele foi preparado para ser íntegro moral e intelectualmente (Efésios 4: 24).

Textos de apoio: (Génesis 1: 26, 27; Génesis 5: 1,3; Génesis 9:6; Tiago 3:9; Efésios 4:24; Colossenses 3:10)

(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden, Comentário de Génesis de Derek Kidner e A Terra…De Onde Veio de John C. Whitcomb)

RECAPITULAÇÃO DOS ESTUDOS JÁ REALIZADOS

  1. A Revelação
    Revelação Geral e a Especial (sol, Lua, chuva, mar e milagres, aparições, sinais, prodígios, sonhos, visões, inspiração da Bíblia e a revelação em Cristo).
    A Bíblia e a Revelação especial. A Sua autoridade assenta-se na sua origem e na sua inspiração. Na Bíblia encontramos doutrinas fundamentais em matéria de piedade, de fé e de conduta (isto é, do comportamento correcto e de acordo com o padrão divino).
    A Bíblia não é uma história geral do mundo. Exemplo, só em Génesis, Ela acumula cerca de 2 mil anos em apenas 11 capítulos.
    Em sua essência a Bíblia é a grande História da Redenção.
    Deus revelou-se por ser Bom e misericordioso (Actos 14: 15 – 17). Ele quis, de um modo gracioso, revelar-se, isto é, dar-se a conhecer.
  2. A Existência de Deus
    Vimos que Ele é Soberano demais para ser contido na mente humana limitada (Romanos 11:33). A Bíblia não argumenta sobre a existência de Deus. Parte do princípio que a Sua existência é real. Não entra em questões cosmológicas, teleológicas ou morais da existência de Deus. O Conhecimento de Deus é resultado da fé (Hebreus 11:6). A seguir, reflectimos sobre a incompreensibilidade de Deus.
    Abordamos as qualidades (ou atributos) de Deus: Sua infinidade, espiritualidade, personalidade, unidade (trindade).
    Aprendemos sobre os Seus atributos: comunicáveis e incomunicáveis, pessoais e morais tais como: eternidade, imutabilidade, omnipresença, omnisciência, omnipotência, vontade (prescritiva, “decretativa” e permissiva), glória, santidade (distinção e pureza), justiça, bondade, graça, misericórdia, longanimidade, fidelidade, etc.

    Analisámos os nomes divinos que representam o Seu carácter: El (o primeiro), Elohim, Elion (sublime, exaltado), Adonai (soberano), Shadadai (poderoso), Jehováh (o Grande EU SOU, o Deus da aliança), Emanuel (emanu ‘el). Também Pai, Filho e Espírito Santo.

    Falámos acerca dos Decretos de Deus. Vimos que eles são eternos, cumprem-se sempre, são a expressão da Sua vontade, são incondicionais, soberanos e eficazes; são perfeitamente consistentes com a Sua natureza. Não negam a existência de agentes livres, mas concorrem com eles.
  3. Anjos
    Abordámos a doutrina dos anjos, como poderosas criaturas Deus (Colossenses 1:16), criados perfeitos no princípio. Alguns deles se rebelaram, sob a liderança de Lúcifer, e se tornaram inimigos de Deus e de tudo o que constitui o plano benéfico e redentor de Deus.
    Vimos que existem em número bastante grande e que são poderosos em seus feitos. Aparentemente são assexuais (Mateus 22: 29,30), são imortais (Lucas 20:36) e obedecem a uma hierarquia definida (em ambos os grupos – bons e maus); possuem liderança mais elevada (Miguel e Lúcifer) e estão empenhados naquilo que fazem.
    Os anjos bons estão envolvidos no plano da salvação dos homens: protegem (Salmo 91:10,11); orientam (Actos 8:26); animam (Actos 27: 23,24); livram (Actos 12: 7,8); acompanham os crentes na morte (Lucas 16:22,23), executam o juízo presente e futuro (Mateus 24:30,31; Actos 12: 23);
    Os maus são inimigos de Deus e dos homens, semeiam dor e escravizam o homem espiritual e moralmente, dominam os homens, apoderam-se deles, maltratando-os em termos físicos, mentais, morais e espirituais. São qualificados de inimigos, adversários, mentirosos, enganadores, acusadores, caluniadores, etc.
  4. Criação
    Falámos da criação do mundo (Colossenses 1:17; Actos 17: 24-28; Hebreus 11:3). Enfatizámos de que Deus criou tudo do nada. Que o Pai, o Filho e o Espírito participaram na criação inicial.
    Aprendemos que nada provém do nada (um princípio científico); tudo o que existe teve origem numa causa última, que não se criou.
    Abordámos ligeiramente a Teoria da Evolução (incluindo o evolucionismo teísta) e as suas contradições.
    Falámos da criação do Homem (Actos 17:26), como algo singular, criado à imagem de Deus e conforme a Sua semelhança. Falámos bendita providência divina.

Pastor Samuel Quimputo

A CRIAÇÃO DO HOMEM

Seguindo a ordem cronológica e teológica das doutrinas bíblicas, fundamentais para a fé cristã, chegamos, neste momento, àquela que ocupa uma grande parte do relato bíblico: a doutrina do Homem. A particular importância desta doutrina prende-se com o facto de que, ela ocupa um lugar especial na abordagem que se faz dela nas Escrituras. Com certeza, “as Escrituras foram-nos dadas a fim de podermos chegar a um conhecimento da verdade concernente a nós mesmos e à nossa relação com Deus”.
Portanto, é de extrema importância começarmos com o que a Bíblia diz sobre a origem da raça humana.
Quando lemos o relato no primeiro capítulo de Génesis (complementando-o com o segundo), o próprio relato faz transparecer a impressão óbvia de que algo especial aconteceu; algo singular, distinto e marcante em sua especificidade.
A criação do Homem é enfatizada pela seguinte afirmação: “Disse Deus, façamos o Homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Génesis 1:26). Enquanto que no resto do processo da criação vegetal e animal o feito tenha sido coroado com a distintiva frase “segundo a sua espécie” (vs. 11, 12, 21, 24, 25), aqui, na criação do homem, todo o discurso é inovador. As três pessoas da santíssima trindade unem-se, numa espécie de conselho, para determinar a singularidade e a personalidade daquela criatura, cuja existência estava prestes a ser concretizada.
É forçoso demais concluir que a expressão “façamos” seja, apenas uma forma de um género de plural majestoso, com frequência usado por personagens reais, quando se expressam, dizendo “nós” em vez de “eu”. Esta forma de expressão não encontra apoio nas Escrituras. Muito menos pode ser visto como uma consulta de Deus feita aos anjos. Também essa tentativa de interpretação não encontra nenhum apoio bíblico. Desde os primórdios da fé bíblica (ou cristã), tem havido uma acentuada concordância no sentido de ver na expressão “façamos” uma alusão ao acordo entre Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo. Este aspecto específico e singular não é evidenciado em relação ao resto da criação, embora a obra da criação tenha sido sempre da competência do Deus Triúno.
O Homem, portanto, foi criado à imagem de Deus, conforme a Sua semelhança.
Em seguida, somos informados em Génesis 2:7 que o Homem foi formado do pó da terra (que constituiu o seu corpo), e que depois, o Senhor “soprou em seus narizes o fôlego da vida; e, então, o Homem foi feito uma alma vivente”. Embora os outros animais fossem criados do pó da terra, tal como o Homem (Génesis 2:19), há, no entanto, uma diferença essencial quanto ao modo como ele veio a ser uma alma vivente.
O Homem é caracterizado, essencialmente, pela “consciência própria; liberdade moral; capacidades de pensamentos abstractos e capacidades de exercício da religião e de culto”. Estas características são peculiares ao ser humano, distinguindo-o dos outros animais, mesmo os tipos mais excelentes e mais desenvolvidos.
Se o Homem evoluiu (como afirma a teoria da evolução), e sempre num processo ascendente, partindo do primitivo e do simples para o mais complexo, altamente organizado e desenvolvido, movendo-se em direcção à perfeição, como “encaixar” a doutrina bíblica da queda? A Bíblia afirma que o Homem começou no “topo” e que, depois, caiu de lá e não o contrário. Ela ensina a doutrina da Queda logo no início da existência humana. Esta doutrina é uma parte vital da doutrina bíblica da salvação. Todo o ensino bíblico acerca da salvação repousa sobre a premissa de que o homem criado perfeito, caiu e se tornou imperfeito, ao contrário do que é ensinado pela teoria da evolução (mesmo do ainda mais incoerente evolucionismo teísta).
A negação do ensino bíblico da Criação do homem, como ser especial, coloca sérios problemas, relativamente à doutrina da salvação. Mesmo o chamado evolucionismo teísta não responde às questões básicas da antropologia bíblica.
A Bíblia afirma a unidade da raça humana. Toda a humanidade veio de Adão e Eva. O Novo Testamento corrobora com a narração de Génesis em várias passagens, incluindo as afirmações do Senhor Jesus (Mateus 19:4, 5). Os apóstolos criam na criação espontânea do ser humano e no relato histórico de Génesis (Romanos 5: 12 – 19; 1 Coríntios 11: 8 – 12; 2 Coríntios 11: 3; 1 Timóteo 2: 13, 14).
Experiências científicas na área da genética têm vindo a provar a unidade da raça humana, confirmando a História das migrações dos povos, com tradições comuns (queda, dilúvio) e evidências filológicas.

Textos de apoio: (Génesis 1: 26, 27; Génesis 11: 1-9; Deuteronómio 32:8; Actos 17: 26; Romanos 5)

(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden, Comentário de Génesis de Derek Kidner e A Terra…De Onde Veio de John C. Whitcomb)