A SEMENTE DE ABRAÃO

“Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão...De modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão” (Gálatas 3: 7,9)

Momentos antes de deixar esta terra e ascender aos céus, depois de várias aparições aos seus discípulos e amigos, o Senhor Jesus comissionou-os a envolverem-se na gigantesca tarefa de fazer discípulos, de todas as nações, a começar pela cidade de Jerusalém, percorrendo toda a região da Judeia, passando por Samaria até os confins da terra.
No cumprimento dessa missão, os enviados deviam selar  a experiência de conversão de todos aqueles que iriam aceitar a mensagem da salvação, com o batismo, símbolo de compromisso e de lealdade para com o Salvador.
Todos aqueles que, de todas as partes do mundo e de todos os quadrantes, se tornam discípulos do Senhor Jesus, fazem-no por meio da fé, isto é, da confiança nele e da aceitação do facto de a sua morte na cruz do Calvário ser de caráter expiatório e substitutivo.
Segundo o claro ensino das Escrituras, a salvação tem como causa o amor de Deus, materializado no envio e na morte do Seu Filho Unigénito, amor esse,“colorido” pela Sua maravilhosa graça.
Sendo Deus Soberano no plano e na execução da salvação, Ele estabeleceu um meio, por excelência, através do qual todos os chamados (pela proclamação do evangelho) deviam usufruir o dom da vida, que lhes é oferecido, por meio da obra realizada pelo Senhor Jesus. Este meio denomina-se fé.
Assim sendo, a fé salvadora assume o seu verdadeiro papel instrumental e não causal na salvação, tornando-se a marca distintiva na vida de todos aqueles que seguem a Jesus de Nazaré, submetendo todo o seu ser ao senhorio de Cristo.
De um modo extraordinário (e de certa forma surpreendente), Abraão é escolhido e chamado por Deus, de um ambiente profundamente idólatra, para ser o protótipo da fé e parâmetro de toda a verdadeira experiência espiritual diante daquele que é a fonte de toda a graça (Josué 24: 1-3).
Tendo Abraão como “modelo” de piedade e de fé, todos os discípulos de Cristo são avaliados e considerados parte da família universal dos herdeiros das promessas feitas ao patriarca, cujo cumprimento se faz evidente na salvação e transformação de homens e mulheres de todas as tribos, povos e nações, alcançados pelo poder do evangelho.
Sem méritos morais ou obras da lei, afirma Paulo, os verdadeiros discípulos do Senhor Jesus são aqueles que seguem os passos do seu “pai” Abraão, cuja justiça lhe foi imputada (creditada) por meio da confiança depositada em Deus (Romanos 4: 1-3,9).
Concluímos, pois, que a verdadeira semente (ou descendência) de Abraão é aquela caraterizada pela fé; uma fé ativa, mas que se apoia na graça e na bondade do Deus que salva, perdoa e transforma.
Que o bondoso Deus, que se compadeceu de nós ao ponto de nos enviar o Seu bendito Filho para morrer em nosso lugar, derrame a sua graça sobre nós, fortalecendo a nossa fé, de modo a que as nossas vidas sejam inconfundivelmente marcadas por uma fé inabalável, ancorada na cruz e nos méritos daquele que cumpriu toda a lei de Deus, cujo sangue pode purificar qualquer pecador de toda a iniquidade. Soli Deo Gloria! 

Pr. Samuel Quimputo
Boletim 151
25 de maio 2014

FAMÍLIAS CONSTRUÍDAS EM DEUS

“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não proteger a cidade, em vão vigia a sentinela” 
(Salmo 127: 1)

A visão e o padrão bíblicos da família estão intrinsecamente ligados à esfera espiritual do relacionamento do ser humano com o seu Criador. Toda a abordagem  bíblica da questão familiar é quase sempre feita numa base teológica, onde a relação homem/mulher, dentro do pacto marital, encontra o seu padrão e a sua referência na relação de Deus com o seu povo.
No princípio da criação da raça humana, o primeiro casal não conhecia a experiência de uma vida familiar sem a perfeita comunhão com o seu Criador. Adão e Eva desfrutavam de um relacionamento saudável um com o outro e ambos com Deus,  de quem recebiam orientação para lidar com o resto da criação e sobre a qual eram responsáveis. 
O padrão divino apontava no sentido de que a relação familiar fosse o reflexo humano do modelo divino da relação ontológica e económica (ou funcional) existente entre as três pessoas da Santíssima Trindade.  Não admira, pois, que a instrução a ser dada aos mais novos (especialmente os filhos) fosse da responsabilidade dos pais (Deuteronómio 6: 5-7). 
Tendo em vista este pano de fundo bíblico, percebe-se, claramente, a incongruência da existência de “famílias de descrentes”, onde, às vezes, o ateísmo é orgulhosamente assumido e declarado como sendo uma opção válida. Infelizmente, esta realidade é a prova inegável da presença e da influência do pecado na raça humana. 
A existência de famílias nas quais o Senhor não é reconhecido como soberano e ideal construtor das mesmas, nem está sentado no centro dos corações dos seus componentes, revelam as idiossincrasias  do homem caído, que perdeu as referências da sua origem.
O ideal divino é o de que as famílias humanas constituam ambientes privilegiados de adoração genuína , onde o amor a Deus, sobre todas as coisas, seja a base de todo o processo educacional dos membros do seu agregado, especialmente dos mais novos (Deuteronómio 6: 5-7; Josué 24: 15). 
Famílias construídas no temor do Senhor, onde Cristo assume o protagonismo de ser o convidado mais importante, são uma bênção para a vida da igreja local. Famílias enriquecidas com o amor e a graça de Cristo exercem uma influência positiva, contribuindo para o convívio e o crescimento de todos os congregados. 
Que as nossas famílias reflitam o modelo bíblico que coloca Deus e a sua glória no centro e acima de qualquer outro interesse humano, por mais importante que este seja. Que por meio de vidas quebrantadas e transformadas pelo poder do Espírito Santo, santificadas e nutridas pela viva e infalível Palavra de Deus, as marcas da nossa identidade cristã sejam bem evidentes diante de todos os que construíram as suas famílias fora da tutela divina. Que através de relacionamentos saudáveis, sólidos e redentores, muitos venham a reconhecer que só famílias edificadas por Deus cumprem o padrão idealizado pelo  inventor e arquiteto da vida familiar, único capaz de, com segurança inabalável,  proteger e cuidar de qualquer casa ou cidade. Soli Deo Gloria! 

Boletim 150
27 de abril 2014

O AMOR RADICAL DE DEUS

“ Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós,  como não nos dará também com ele todas as coisas?” 
(Romanos 8: 32)

O relato bíblico que conta a história da saída do povo de Israel do Egito configura um quadro bastante ilustrativo, no que diz respeito à história da salvação da humanidade, em geral, e de cada indivíduo, em particular.
Quando o tempo determinado pela soberana vontade chegou, Deus resolveu dar fim à humilhação e ao desprezo pelos quais os descendentes de Abraão, Seu amigo, estavam a passar (2 Crónicas 20:7, cf. Tiago 2:23). Moisés, cuja vida revelou o poder providencial de Deus, foi o líder escolhido para “comandar” a longa e demorada peregrinação até às portas da Terra Prometida.
Quando, sob a orientação de Moisés, o povo de Israel se preparava para deixar “a terra da escravidão”, Deus puniu os egípcios pela sua maldade e idolatria, castigando-os com a décima praga, que culminou na morte de todos os seus primogénitos, trazendo um clamor indescritível e sem paralelo (Êxodo 11:6).
Contudo, antes do dia da execução da punição dos egípcios, os israelitas foram aconselhados a marcar os umbrais e as vergas das portas das suas casas com o sangue do cordeiro (ou cabrito), com requisitos específicos: os animais deviam ser machos, adultos (de um ano) e sem defeito (Êxodo 12: 5).
A obediência ou não  a esta orientação divina, dada a Moisés e a Arão, seria determinante para a vida ou morte dos primogénitos dos filhos de Israel. O sangue colocado sobre os umbrais e as vergas das portas seria “o sinal” claro de que uma vida tinha sido dada para preservar as demais (Êxodo 12: 12-13).
O significado moral e espiritual deste facto dramático tornou-se evidente quando o Senhor estabeleceu a Páscoa como um memorial a ser guardado e celebrado por estatuto perpétuo (Êxodo 12: 14).
Quando o Senhor Jesus veio ao mundo e morreu na cruz, a sua morte representou o clímax de todos os sacrifícios, para o qual a Páscoa judaica apontava. Assim como o sangue dos cordeiros (ou cabritos) poupou a vida dos primogénitos dos israelitas, assim também o sangue “do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”, poupa a todos os que nele se lavam e se purificam.
A Bíblia, sem hesitação, afirma que foi Deus, o Pai, que entregou o Seu Filho à morte, não como um mártir ocasional, mas sim, como expressão de garantia da própria vida divina doada. Ele veio para que, através da fé nele, homens e mulheres experimentassem a plenitude da verdadeira vida (João 10: 10).
Depois de demonstrar o poder salvador de Deus na presciência, na predestinação, na chamada eficaz, na justificação e na glorificação final dos santos, Paulo afirma com toda a segurança que, se Deus é por nós, nenhum outro poder cósmico nos poderá arrancar das Suas mãos, separando-nos do seu amor, e que nenhuma acusação, por mais fundamentada que seja, nos poderá afetar, visto ser o próprio Deus quem nos declara justos e “inocentes” (Romanos 8: 31, 33).
Se Cristo pagou o preço por nós, derramando o seu precioso sangue, então, não existe mais sacrifício a ser exigido para que sejamos absolvidos da condenação eterna (Romanos 8: 34).
Tudo isso é verdade porque Deus, o Pai, fez o mais difícil - deu-nos o melhor de Si mesmo - o Seu próprio Filho. Sacrificou-o na cruz por nós, a fim de que a sua morte nos garantisse vida. Deus não poupou o Seu Filho para que nós fossemos “poupados” da morte certa e da merecida condenação eterna .
Que esta preciosa verdade, a segurança da nossa salvação, “inunde” as nossas mentes, fortalecendo a nossa fé, estimulando-nos a assumir um compromisso mais sólido na proclamação do evangelho da salvação, a todos aqueles que carecem da vida abundante que há no Senhor ressurreto. Soli Deo Gloria! 

Pr. Samuel Quimputo
Boletim 149
abril 2014

MORDOMOS SÁBIOS E EMPENHADOS


“ Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Deus os abençoou, e lhes disse: “sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra” 
(Génesis 1:  27, 28)

Segundo o claro ensino das Sagradas Escrituras, o homem foi criado à imagem do seu Criador, isto é, comunga e partilha  certas caraterísticas pessoais, morais e espirituais com aquele  que o criou de um modo peculiar, diferenciando-o do resto de todos os seres vivos criados sobre a terra.
É com muito pena que observamos o facto de, em grande medida, o homem ser essencialmente comparado aos demais animais, fazendo dele nada mais do que um mero animal que, por meio de um processo puramente aleatória, atingiu alguma maturidade pessoal e desenvolveu uma complexidade orgânica.
Embora seja evidente que o ser humano partilha de algumas semelhanças físicas e bioquímicas com os demais seres vivos, tais como: mateis, sais, gases, compostos químicos, etc., a verdade é que estas caraterísticas não circunscrevem nem delimitam a profundidade da essência do seu ser. O homem é muito mais que um mero aglomerado de células ativas, de fluidos orgânicos, telecomandados por uma imparável sequência de curtos circuitos nervosos em constante atividade.
Á Bíblia valoriza o aspeto físico e material do homem, ao ponto de prometer a redenção do corpo para um estado de glorificação final (Romanos 8: 23). Apesar de tudo, as Sagradas Escrituras continuam a destacar a sua semelhança com o Criador e não a que partilha com os animais.
Entre as bênçãos recebidas da parte do que o Criou, o homem foi ordenado a dominar sobre o resto da criação; ele deve assumir o seu papel de gerente, de governador responsável, capaz de administrar com sabedoria e empenho tudo o que foi colocado sob a sua gerência.
Possuindo um estatuto de superioridade em relação a tudo o que foi criação, o homem recebeu esta incumbência de gerir, com inteligência e tato, tudo o que o rodeia e que foi posto sob o seu governo.
A bênção de ser fecundo, de encher a terra com uma ampla descendência de adoradores e de exercer domínio sobre os outros seres vivos criados, traz consigo um elevado grau de responsabilidade, visto que qualquer que seja a qualidade da gerência exercida, o homem terá que prestar contas ao seu Criador, àquele que por direito próprio é dono e Senhor de tudo.
A mordomia pode ser exercida através do bom uso das faculdades pessoais com que o homem foi dotado, o que implica uma boa e saudável capacidade de gerir os dons pessoais, quer mentais, quer emocionais, quer morais, quer espirituais; de usar os recursos materiais colocados ao seu dispor; de proteger o meio físico e ambiental; de fazer uma sábia e correta distribuição dos bens materiais com os seus semelhantes.
Embora o tempo não seja uma grandeza possível de gerir, o homem pode, mesmo assim, gerir as suas atividades de modo a que o tempo seja bem aproveitado.
Que o Senhor da criação nos dê a consciência de que, embora a bênção e os privilégios da nossa nobre missão de mordomia sejam uma realidade, não passamos de meros mordomos, cuja responsabilidade é gerir os dons e os recursos que o Senhor nos confiou para equilíbrio e bem-estar de toda a criação.
Busquemos todos a sabedoria vinda do alto, a fim de sermos administradores competentes e mordomos fiéis daquele que tanto nos amou e nos criou para a honra e exaltação do Seu santo nome
Soli Deo Gloria!
Pr. Samuel Quimputo

A PALAVRA QUE MOLDA E ORIENTA PARA O SERVIÇO

“Temos, assim, tanto mais confirmada a Palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em nosso coração” 
(2 Pedro 1: 19)

O pragmatismo reinante na nossa sociedade atual, caraterizado pela obtenção rápida e imediata de resultados, faz com que a nossa perspetiva da vida, assim como a nossa cosmovisão sejam sustentadas, fundamentalmente, pela experiência. Isto é, o que recebe (ou deve receber) maior relevância na vida é aquilo que sentimos e não o que pensamos acerca das causas ou consequências de tais sensações, independentemente do seu valor intrínseco.
Se os resultados imediatos estão à vista, se a maioria está de acordo, se a experiência nos transmite uma sensação agradável, então, pensar sobre a razão de ser daquilo que experimentamos ou nos resultados a médio ou longo prazo, torna-se um exercício mental de pouca relevância, quando não, um desperdício de tempo e de energias.
Na experiência religiosa, de um modo geral, ou na fé cristã, em particular, tem havido uma ênfase, cada vez mais gritante, na sobrevalorização da experiência em detrimento da compreensão refletida das verdades que, à partida, devem caraterizar, qualificar e orientar a nossa experiência de fé (ou religiosa, se quisermos).
O crente é, muitas vezes, estimulado a amar a Deus num envolvimento total da sua personalidade, isto é, emocional, psicológica e mentalmente, de um modo dinâmico (Deuteronómio 6:5; Marcos 12:30; Lucas 10: 27a). Nessa relação de amor obediente, o crente é transformado, num processo progressivo de mudanças que afetará todas as suas faculdades e aptidões pessoais.
Uma fé simplesmente pensada e não experimentada, emocionalmente, é uma espécie de estoicismo, que à primeira vista parece valente e destemida, mas logo  revelará a sua vacuidade. Por outro lado,  uma experiência de fé fundamentalmente estática é equivalente a um espiritismo bruto e que roça a irracionalidade.
Perante esta realidade reinante nos nossos dias, que exalta e “adora” o pragmatismo e a experiência imediata, temos o dever de (re)destacar o valor da Educação Teológica nas nossas Igrejas e Centros de formação cristã, afastando, com determinação, a ideia de que o lugar para esta formação se deve circunscrever a um Seminário ou a um Instituto Bíblico.
Sem dúvida, há um benefício incalculável quanto à existência de tais instituições, onde muitos servos do Senhor adquirem a sua formação cristã mais profunda (Graças a Deus por isso!) Contudo, a Educação Cristão (ou Formação Teológica) deve ser um desafio constante para todas as igrejas, em geral, e para cada crente, em particular.
Nesse processo de formação, a Palavra escrita deve ocupar, por mérito próprio, o lugar central. Por outras palavras, a educação cristã que procura orientar a vida cristã deve encontrar, necessariamente, a sua fundamentação na Verdade, que é a Palavra inspirada de Deus.
A experiência é importante, na medida em que faz parte dos resultados produzidos pela compreensão, ou melhor, pela aprendizagem. Mas, como os factos o comprovam, muitas vezes as sensações revelam-se  enganosas.
Pedro e os outros discípulos tiveram muitas experiência, foram contemplados com fenómenos sobrenaturais extraordinários. Contudo, a Palavra da profecia sempre foi o pilar que sustentou a compreensão e a validade das suas experiências. É a palavra que deve coordenar e regular a vida cristã.
Louvemos ao Senhor pela Sua Palavra bendita. Soli Deo Gloria!

Pr. Samuel Quimputo
Boletim 147
26 janeiro 2014

COM O SENHOR NO NOSSO MEIO

“Então, disse-lhe: Se a tua presença não for connosco, não nos faça subir daqui”
 (Êxodo 33: 15)

Alguém afirmou que o que torna o céu “um lugar encantador e incomparavelmente maravilhoso é a presença de Deus”. Esta afirmação contém uma verdade bíblica incontestável, visto que Deus é o único ser ontologicamente perfeito, em cuja presença tudo se torna belo e adquire real significado.
As vidas de Adão e Eva ficaram arruinadas porque se afastaram de Deus (Génesis 3:8). A vida de Enoque foi positivamente marcada pelo facto de que ele “andou com Deus” (Génesis 5: 22, 24). Noé foi salvo e poupado do dilúvio que inundou a terra e vitimou quase a totalidade dos seus habitantes. Essa singular salvação do patriarca (e da sua família mais próxima) teve a ver com o facto de que “Noé achou graça aos olhos do Senhor” e, também, porque ele “andava com Deus” (Génesis 6: 8, 9c). O jovem José esteve à altura dos desafios que enfrentou diante do implacável assédio da mulher de Putifar;  sofreu e venceu a injustiça, dentro e fora da prisão; encarou e perdoou os seus invejosos irmãos; demonstrou extraordinária capacidade de gestão socioeconómica da nação mais poderosa do seu tempo, o grande Egito. A explicação bíblica para todo esse sucesso encontra-se no facto de que “o Senhor estava com ele” (Génesis 39: 3,21,23). O próprio Faraó ficou convencido de que “nele se encontrava o Espírito de Deus (Génesis 41: 38).
Ao longo de todo o relato bíblico, o traço que carateriza aqueles que foram usados por Deus, independentemente das suas fraquezas e limitações, é que todos estiveram “perto do Senhor”, aprenderam a andar humildemente com Ele. Podemos, portanto, concluir que o segredo para uma espiritualidade vitoriosa, sadia e equilibrada  encontra-se numa experiência de intimidade com o Senhor (Salmo 25:14).
Moisés, o grande libertador do povo de Israel e mediador humano por meio de quem Deus providenciou o código moral e o padrão de conduta, que revela a santidade e a bondade de Yahweh (Jeová), percebeu, como poucos o conseguem discernir, que o que dá sentido à vida e a torna próspera é a presença e a liberdade de ação do Espírito do Senhor em nós, que proporciona uma experiência de intimidade e de comunhão com aquele que é a fonte de toda a graça e bênção.
Embora a certeza da entrada na terra prometida fosse uma certeza e constituísse motivo de grande alegria, Moisés sabia que só a presença divina, sinalizada com o seu amor fiel e imutável, faria com que tudo adquirisse brilho e se tornasse belo.
O usufruto das bênçãos de Deus sem a presença e a comunhão com o Deus que abençoa pode conduzir à idolatria, que sempre escraviza e dececiona. Para Moisés, a continuação da viagem só faria sentido se o “Grande Companheiro” estivesse presente. Sem Deus  a peregrinação deixaria de ser segura, a terra prometida perderia o seu encanto. Tudo ficaria sem cor e sem graça (Êxodo 34: 9).
Que neste novo ano que se avizinha, a presença do Emanuel se torne mais real e adorne o nosso viver, santifique o nosso serviço e ilumine o nosso caminhar, para bênção de muitos e para louvor do Seu nome. Soli Deo Gloria!                            

Pr. Samuel Quimputo
in Boletim 146
29dez2013