SER UMA BENÇÂO NUM MUNDO EM CRISE

E aconteceu que, desde que o pusera sobre a sua casa e sobre tudo o que tinha, o Senhor abençoou a casa do egípcio por amor a José; e a bênção do Senhor foi sobre tudo o que tinha, na casa e no campo” (Génesis 39: 5)



Alguns anos atrás, alguém me fez a seguinte pergunta: “Porque é que Deus não facilitou as coisas, levando para si todos os crentes, logo após a sua conversão?”

Esta pergunta, aparentemente fácil de responder, levou-nos a uma conversa demorada e profundamente interessante, sobre vários assuntos existenciais.

Concordei no que diz respeito aos vários problemas, aos desafios, às tentações e às lutas que seriam evitados, se todos os salvos fossem levados para o glorioso céu, logo após a sua conversão, em pleno gozo da experiência do seu primeiro amor.

Contudo, pude mostrar o outro lado da situação: a pobreza de uma espiritualidade que não é testada pela experiência de lutas, de dúvidas e incertezas, de falhas, de restauração e, por fim, de serviço aos outros.

Essa conversa levou-me a pensa e refletir seriamente acerca da perspectiva bíblica que encara a vida dos crentes, no mundo, como uma passagem temporária que deve obedecer a um imperativo missionário: revelar Deus aos outros e ser um “canal” de bênçãos que traz graça e paz às suas vidas.

Deus tem o santo prazer de (segundo a Sua soberana vontade) manter vivos os seus eleitos (salvos) no mundo, a fim de, através deles, revelar a Sua glória e derramar a Sua graça comum, mesmo àqueles que não o reconhecem (ainda) como seu Criador.

Essa foi a experiência de José, na terra do Egito, na casa de Potifar, oficial de Faraó, capitão da sua guarda, que o comprara pela mão dos ismaelitas (Génesis 39:1).

O segredo da vida de José é-nos revelado em Génesis 39: 2, 3, 21 e 23. Nestes versículos sobressai a tese de que “o Senhor estava com José”. Este é, sem dúvida, o pressuposto básico que sustenta a qualidade de vida daquele jovem que passara por uma das experiências mais traumatizantes que um ser humano pode suportar - ser vendido a desconhecidos pelos próprios familiares.

Apesar da experiência de José ter sido dolorosa e humilhante, o facto é que a sua presença no Egito e na casa de Potifar trouxe mudanças marcantes. A casa de Potifar, um capitão pagão, foi abençoada! A família e os bens de Potifar foram “agraciados” pela presença e pela influência de José.

O texto afirma que todas estas bênçãos que alcançaram a Família de Potifar foram possíveis “por amor de José”, isto é, ele foi o “canal” das bençãos vindas do trono da graça de Yahweh. A presença providencial de José no Egipto apontava já para a formação da futura nação de Israel.

A história de José ensina-nos uma verdade fundamental acerca da presença e da permanência dos filhos de Deus no mundo, e em particular, no seu ambiente de acção e de influência.

Encarar a vida através de uma perspectiva missionária é manifestar a glória de Deus, é assumir, de um modo consciente, o papel da influência transformadora que cada filho de Deus deve desempenhar, na promoção da paz e do bem estar comuns, tão necessários num mundo à deriva e sem esperança.

Que as nossas vidas sejam uma prova real da graça divina que faz dos seus filhos “canais” de bênçãos para os outros.

Soli Deo Gloria!                                                                                                     

Pr.Samuel Quimputo
Boletim nº 122
31Dez 2011

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