SER UMA BENÇÂO NUM MUNDO EM CRISE

E aconteceu que, desde que o pusera sobre a sua casa e sobre tudo o que tinha, o Senhor abençoou a casa do egípcio por amor a José; e a bênção do Senhor foi sobre tudo o que tinha, na casa e no campo” (Génesis 39: 5)



Alguns anos atrás, alguém me fez a seguinte pergunta: “Porque é que Deus não facilitou as coisas, levando para si todos os crentes, logo após a sua conversão?”

Esta pergunta, aparentemente fácil de responder, levou-nos a uma conversa demorada e profundamente interessante, sobre vários assuntos existenciais.

Concordei no que diz respeito aos vários problemas, aos desafios, às tentações e às lutas que seriam evitados, se todos os salvos fossem levados para o glorioso céu, logo após a sua conversão, em pleno gozo da experiência do seu primeiro amor.

Contudo, pude mostrar o outro lado da situação: a pobreza de uma espiritualidade que não é testada pela experiência de lutas, de dúvidas e incertezas, de falhas, de restauração e, por fim, de serviço aos outros.

Essa conversa levou-me a pensa e refletir seriamente acerca da perspectiva bíblica que encara a vida dos crentes, no mundo, como uma passagem temporária que deve obedecer a um imperativo missionário: revelar Deus aos outros e ser um “canal” de bênçãos que traz graça e paz às suas vidas.

Deus tem o santo prazer de (segundo a Sua soberana vontade) manter vivos os seus eleitos (salvos) no mundo, a fim de, através deles, revelar a Sua glória e derramar a Sua graça comum, mesmo àqueles que não o reconhecem (ainda) como seu Criador.

Essa foi a experiência de José, na terra do Egito, na casa de Potifar, oficial de Faraó, capitão da sua guarda, que o comprara pela mão dos ismaelitas (Génesis 39:1).

O segredo da vida de José é-nos revelado em Génesis 39: 2, 3, 21 e 23. Nestes versículos sobressai a tese de que “o Senhor estava com José”. Este é, sem dúvida, o pressuposto básico que sustenta a qualidade de vida daquele jovem que passara por uma das experiências mais traumatizantes que um ser humano pode suportar - ser vendido a desconhecidos pelos próprios familiares.

Apesar da experiência de José ter sido dolorosa e humilhante, o facto é que a sua presença no Egito e na casa de Potifar trouxe mudanças marcantes. A casa de Potifar, um capitão pagão, foi abençoada! A família e os bens de Potifar foram “agraciados” pela presença e pela influência de José.

O texto afirma que todas estas bênçãos que alcançaram a Família de Potifar foram possíveis “por amor de José”, isto é, ele foi o “canal” das bençãos vindas do trono da graça de Yahweh. A presença providencial de José no Egipto apontava já para a formação da futura nação de Israel.

A história de José ensina-nos uma verdade fundamental acerca da presença e da permanência dos filhos de Deus no mundo, e em particular, no seu ambiente de acção e de influência.

Encarar a vida através de uma perspectiva missionária é manifestar a glória de Deus, é assumir, de um modo consciente, o papel da influência transformadora que cada filho de Deus deve desempenhar, na promoção da paz e do bem estar comuns, tão necessários num mundo à deriva e sem esperança.

Que as nossas vidas sejam uma prova real da graça divina que faz dos seus filhos “canais” de bênçãos para os outros.

Soli Deo Gloria!                                                                                                     

Pr.Samuel Quimputo
Boletim nº 122
31Dez 2011

O SALVADOR QUE REVELA AMOR E TRAZ VIDA

Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco: que Deus enviou  O seu Filho unigénito ao mundo, para que por ele vivamos”

Uma das características marcantes da personalidade de Deus, revelada nas Sagradas Escrituras, é a sua graciosa predisposição em dar-se a conhecer ao ser humano, criado à sua imagem e semelhança.

No relato bíblico, há uma constante interação entre o Criador, que tem o prazer de se revelar, visto que de outra forma não seria possível, e o homem que precisa conhecer o seu Deus, a fim de (re)encontrar o rumo certo na sua peregrinação e o propósito básico da sua existência.

Segundo o claro ensino  da Bíblia, nós, seres humanos, fomos criados para celebrarmos eternamente a glória (beleza, bondade e soberania) daquele que nos criou. Deus não só é a causa da nossa existência, mas também a finalidade da mesma.

O Deus santo que a Bíblia nos revela é um soberano motivado pelo amor. O seu amor santo move o seu coração em direção ao ser humano rebelde, ingrato e pecador, perdido e morto (isto é, insensível aos estímulos espirituais e escravizado) nos seus delitos e pecados (Efésios2:1,5).

Ao longo de toda a História da existência humana, particularmente a relatada nas Escrituras, o amor divino, expresso pela sua longanimidade e graça, suportando com paciência a arrogante rebeldia dos homens, destaca-se de um modo constante por meio da sua providência (Atos 17: 24,25).

Embora Deus se tenha revelado  ao longo dos tempos, com alguma frequência e de variadas formas, a expressão mais elevada e sublime da sua revelação deu-se na vinda do Seu Filho unigénito (Hebreus 1:1).

A encarnação do Filho de Deus representa o momento mais alto da revelação da pessoa e do caráter do grande “Eu Sou”,  demonstrando, de modo cabal, a sublimidade do seu amor pela humanidade perdida (Romanos 5:8).

Visto que o amor bíblico se caracteriza pela predisposição e capacidade de autodoação (do amante pelo amado), Deus, ao enviar o Seu Filho ao mundo, revelou a pureza do seu caráter santo, a generosidade do seu imenso amor e a liberalidade da sua maravilhosa graça.

Ao afirmar que “nisto se manifesta o amor de Deus para conosco”, João destaca não só a causa da vinda do Filho - o amor divino - mas também demonstra que essa vinda é a incontestável evidência desse mesmo amor.

Se o propósito da existência do Homem é a glorificação de seu Criador e o usufruto da comunhão com Ele, então, para que possa adorar em espírito e em verdade, ele deve ser vivificado da sua letargia espiritual.

Esta é a razão pela qual a Palavra inspirada sempre associa o amor de Deus e a vinda do Seu Messias à dádiva da vida. O amor e a vida provenientes de Deus estão intimamente ligados à razão da vinda do Unigénito do Pai, ao mundo (João 3: 16, 1 João4: 10; 5:11,12).

Portanto, celebrar a encarnação do Filho de Deus (ou Natal) é proclamar a esperança para a Humanidade perdida e alienada do seu Criador, é anunciar o amor do Pai que oferece o Seu Filho para morrer a nossa morte, é declarar a certeza da vida eterna que o Salvador veio trazer a todos os que a Ele se renderem com sinceridade de coração, confessando os seus pecados em atitude de arrependimento e, com fé, receberem o Cristo de Deus como seu Senhor e Salvador pessoal, a fim de obterem uma vida de qualidade divina, que perdura para todo o sempre.

Soli Deo Gloria!                                                                                                    

Pr.Samuel Quimputo
in Boletim 121
27 Novembro 2011

ELE É DIGNO DO NOSSO LOUVOR


Foi no dia 14 de Novembro de 1998, na presença de irmãos provenientes de várias igrejas da mesma fé e prática, que a nossa Comunidade de fé foi, segundo a clara orientação das Escrituras, reconhecida e constituída como Igreja local, assumindo-se, dessa forma, como um espaço de culto e adoração ao Grande e soberano Deus, assim como um ponto de evangelização, em plena cooperação com as demais igrejas irmãs, comprometendo-se a ser parte integrante na promoção do Reino de Deus, nesta grande cidade de Lisboa.
Desde então, a graça, a bondade e a misericórdia de Deus têm sido vividas de um modo marcante, trazendo sobre os membros e consagrados desta família de  fé as mais ricas bênções, vindas do céu.
Por isso, ao celebrarmos  o 13º aniversário da nossa existência, como igreja local, queremos expressar a nossa gratidão ao Pai do céu, que nos tem dado muito mais do que merecemos, provando, deste modo, o Seu amor por nós e a Sua fidelidade inquebrável. A Sua graça por nós tem sido constante.
“Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Filipenses 1:6)
Pastor Samuel Quimputo
20 Novembro 2011
Boletim

O MINISTÉRIO SACERDOTAL DO SENHOR JESUS

Ao longo dos tempos, as religiões sempre foram caracterizadas pelas ofertas e pelos sacrifícios. Esta semelhança pode confundir os cristãos quanto ao objectivo ou propósito das ofertas e dos sacrifícios mencionados na Bíblia.
No Livro de Levítico encontramos uma elaboração formal e bem detalhada dos elementos que compunham o ministério dos sacerdotes da antiga dispensação.
Diferentemente das práticas de outras religiões, a função das ofertas e dos sacrifícios não era uma espécie de dons (ou dádivas), destinados a assegurar um favor (da parte dos deuses); nem os sacrifícios eram uma espécie de símbolo que representava uma “comunhão de vida com um deus”. Tão pouco os sacrifícios eram uma espécie de “comunhão sacramental”, isto é, uma presença real de Deus (ou dos deuses) no animal.
O que é ensinado nas Escrituras é o facto de que, as ofertas e os sacrifícios (especialmente, as destinadas ao pecado e às transgressões) eram expiatórias, isto é, serviam para expiar os pecados.
Havia uma certa relação entre o sacrifício e aquele que o oferecia.
Já vimos que os sacrifícios e as ofertas queimadas eram tipos do Senhor Jesus Cristo e a maneira de Deus reconciliar o Homem consigo (2 Coríntios 5:19).
Portanto, eles revelavam a verdade de que:
1.      era necessário fazer uma oferta satisfatória ao Deus ofendido (propiciação);
2.      era necessário uma substituição (permuta) de sofrimento e morte por parte alguém que é inocente, para a merecida punição da culpa (expiação);
3        era preciso estabelecer uma sociedade de vida entre aquele que tinha sido (e tem sido) ofendido e o ofensor (reconciliação).
Tudo isto era simbolizado através do acto da “imposição de mãos” do ofensor sobre o animal a ser sacrificado (Levítico 1: 4; 4: 20). Este acto era sinal de transferência dos pecados e da culpa do ofensor para o animal, que seria morto em seu lugar. Dessa forma, os pecados do ofensor eram perdoados e cobertos (Levítico 4: 26).
Contudo, a grande diferença entre o Senhor Jesus e todos os sacerdotes do Velho Testamento é que, no caso do Senhor Jesus, o sacerdote e o sacrifício “eram uma e a mesma coisa”. Ele é o Sacerdote que se oferece a Si mesmo: a Sua própria vida, o Seu próprio corpo, como sacrifício. Portanto, Ele combina em seu próprio ser, o que eram separadas no Velho Testamento.
Há evidência bíblica de que o Senhor Jesus cumpriu todos os requisitos da Lei e qualificou-se para ser o Sumo-Sacerdote, por excelência (Hebreus 3:1; 4:14; 5:5; 6:20; 7:26; 8:1).
Embora seja a Epístola aos Hebreus o único “livro” do Novo Testamento a afirmar explicitamente o sacerdócio do Senhor Jesus, como oferta e sacrifício pelos pecados, há, porém, muitos outros trechos que abordam implicitamente esta verdade. É o caso de Marcos 10: 15; João 1:29; Romanos 3:24,25; 5:6-8; I Coríntios 5:7; I João 2:2; I Pedro 1:19; 2:24; 3:18.
Como nosso Sumo-Sacerdote, o Senhor Jesus vive para interceder por nós, enquanto caminhamos neste mundo de lutas e de tentações (Hebreus 7: 25). A Sua presença junto do Pai representa uma garantia da Sua providência e cuidado constantes, a favor do Seu povo. Ele assume-se como nosso advogado, junto do Pai (I João 2: 1), fiel e justo em perdoar a todos os que a Ele se dirigem em nome do Seu Filho (I João 1: 9).
Concluímos, pois, afirmando que o Senhor Jesus satisfez todas as exigências estabelecidas na (e pela) Lei. Ele fê-lo na qualidade de “um entre nós”, isto é, como homem. Ele nunca poderia ser o nosso Sumo-Sacerdote se não tivesse adquirido a natureza humana para Si. Tinha que ser “tomado dentre nós”. Tomou a nossa natureza humana como nosso representante, tomado entre nós, capaz de compreender a nossa condição miserável. Experimentou as nossas fraquezas (embora sem pecado); foi tentado em todos os pontos e de todas as formas, contudo, não cedeu diante do pecado. Assim, Ele qualificou-se para ser a oferta e o sacrifício mais eficaz, de consequências eternas.
(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden)

Texto: Pastor Samuel Quimpto

TUDO TEM A VER COM A GRAÇA

“Porque, quem te faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido?
E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?”
(1 Coríntios 4:7)

Um dos mais devastadores efeitos da Queda, no ser humano, verifica-se na “crise de identidade” que domina o seu coração, levando o Homem, muitas vezes, a fazer uma avaliação errada e distorcida de si mesmo.
De um modo geral,  essa autoavaliação revela a arrogância e o sentimento de auto-suficiência que caracterizam a sua natureza decaída, pecaminosa e rebelde. Não é sem razão que a virtude mais elevada que a Bíblia apresenta, diante do pecador que se confronta com a revelação divina, seja a humildade. Como alguém afirmou: “a humildade é a porta de entrada no Reino de Deus” (Mateus 5:3).
Infelizmente, mesmo entre aqueles que confessam a fé cristã, caracterizada  pela graça de Deus, que alcança o pecador, arrancando-o das trevas e das “garras” de Satanás para um reino onde reina o amor, é possível encontrar alguns restos dessa atitude carnal e  mundana que apela por méritos.
Embora a Bíblia afirme, claramente, que a nossa salvação tem como causa última o próprio Deus e a Sua maravilhosa graça, há sempre uma tentativa de atribuir ao Homem algum grau de mérito. Muitas vezes, a fé (salvadora) evidenciada pelo crente, no momento da conversão, é apontada como  um atributo, cujo valor meritório reside, intrinsecamente, no seu ser.
Paulo conhecia bem, por experiência própria e pela observação objectiva, a inclinação humana para a usurpação dos méritos que devem ser atribuídos somente a Deus. Por esta razão afirma que a salvação e a própria fé são dons de Deus, isto é, manifestações da Sua misericórdia e da Sua graça (Efésios 2:8,9).
A fé não é a causa  da salvação daquele que crê. A Bíblia nunca afirma tal coisa. O que ela diz é que a fé é o “meio instrumental” pelo qual  a graça de Deus chega ao coração do pecador. Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) é a fonte de todo o poder e de toda a vitalidade que opera a regeneração no coração do pecador. Somos salvos pela graça mediante a fé (Efésios 2:8).
A Bíblia desafia e incentiva os crentes a perseverarem na fé até ao fim, isto é, a batalharem arduamente pela fé, uma vez dada aos santos, sem desfalecer. Este é um desafio sério que exige, da parte do crente, um esforço diligente que o leva a lutar contra tudo o que afecta a sua comunhão com o Senhor, e desonra a Sua santidade.
Contudo, a perseverança, por sua vez, não constitui a causa da salvação (final) do crente. Apesar da sua importância, ela não é mais do que uma evidência externa da própria obra santificadora que o Espírito Santo estará a realizar no interior do crente. O crente justificado irá perseverar até ao fim!
No trecho de 1Coríntios 4, Paulo está a combater a arrogância dos coríntios (e de todos nós), fazendo estas perguntas retóricas, a fim de levar os seus destinatários (e todos nós) a uma atitude de humildade que reconheça o facto de que, como humanos que somos, não passamos de míseros devedores da graça divina, que nada merecemos, e que, por toda a eternidade, estaremos em constante débito para com o nosso bondoso Deus.
A lição a ser aprendida por todos os que vivem para a glória de Deus é que, tudo o que somos e temos é fruto da graça e da bondade do Eterno Deus, que nos amou, nos salvou e nos adoptou como filhos do Seu Reino.
Que o Senhor nos livre da síndrome de Lúcifer.

Soli Deo Gloria!                                                                                                     
Pr.Samuel Quimputo

OS OFÍCIOS DO SENHOR JESUS (continuação)

2. CRISTO – O SACERDOTE
Como temos vindo a salientar, o Senhor Jesus, na qualidade de Mediador, daquele que se posiciona entre Deus e os homens, exerce a Sua missão e mediação por meio de três funções (ou ofícios) principais, que são: Profecia, Sacerdócio e Reino.
Como vimos, temos necessidade de um Profeta por causa da nossa ignorância espiritual, visto que o pecado, com o seu poder tenebroso, cegou o entendimento da humanidade, levando-a a uma insensibilidade espiritual mortal (Efésios 4: 17-17).
O Profeta é aquele que é o porta-voz de Deus diante dos homens; é o meio pelo qual Deus fala ao seu povo. É o Seu representante autorizado diante dos homens.
Se por um lado precisamos de um Profeta, por outro, temos a necessidade de um Sacerdote, alguém que nos representasse diante de Deus; alguém que vai a Deus da parte dos homens. Precisamos, portanto, de alguém que nos liberte, não só do pecado, mas também da culpa e de todas as consequência que ela traz consigo.
Um dos textos mais expressivos acerca do ministério de um sacerdote, encontra-se em Hebreus 5: 1-5, visto que esta epístola teve como finalidade, entre outras coisas, revelar e provar a preeminência da pessoa do Senhor Jesus, especificamente, sobre o ministério sacerdotal de Arão.
Precisamos de um Sacerdote porque é necessário que sejamos libertos da culpa do pecado. Necessitamos de alguém que possa compadecer-se de nós e comparecer diante de Deus por nós, em nossa defesa. Por isso, o Senhor Jesus Cristo teve que assumir a função de Sumo-Sacerdote (Hebreus 4: 15).
Não é possível entender a verdadeira mensagem da Bíblia, e particularmente do Novo Testamento, sem antes compreender o ministério sacerdotal do Senhor Jesus, isto é, compreender a doutrina do sacrifício expiatório. A expiação é a linha divisória entre uma teologia verdadeiramente bíblica e apostólica e aquela que traz consigo elementos novos, e muitas vezes, alheios ao ensino apostólico.
O sacerdócio do Senhor Jesus é “uma espécie de tipo do qual Cristo mesmo é o antítipo”, isto é, a essência de algo e aquilo que ele próprio representa.
Qual é, então, a natureza e a função de um sacerdote? Segundo Hebreus 5, o sacerdote é alguém que:
a) devia ser tomado entre os homens a fim ser seu representante (v. 1)
b) seria escolhido e designado por Deus (v. 4);
c) agiria no interesse dos homens, nas coisas pertencentes a Deus (v. 4);
d) teria que oferecer sacrifícios pelos pecados (v. 1). 
Um outro requisito, dos mais importantes, tinha a ver com a própria pessoa do sacerdote. Requeria-se que sacerdote fosse santo, isto é, separado para Deus e para as coisas de Deus; alguém moralmente puro e consagrado ao Senhor (Levítico21: 6- 8).

A função do sacerdote era, basicamente, a da mediação que consistia em duas coisas principais:
- Fazer propiciação por meio de sacrifícios e;
- Interceder a favor do povo.

A propiciação quer dizer “aquilo que satisfaz as exigências da santidade violada, isto é, a santidade de Deus” (Romanos 3: 24; 1 João 2:2). O sacerdote faz propiciação, oferecendo ofertas e sacrifícios, visto que o sangue “cobre” o pecado. Propiciar, portanto, significa satisfazer as exigências pela santidade divina violada. Por sua vez, expiar significa extinguir a culpa; “quitar” a pena, fazer reparação por algo. E tudo isso leva, necessariamente, à reconciliação, que quer dizer estabelecer um acordo (Gálatas 1: 4); literalmente, significa “o que é da mesma opinião.
Isso leva-nos a um ponto mais alto, no qual iremos enfatizar três aspectos principais acerca do Senhor Jesus, como nosso suficiente Sacerdote.

(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden)

Pastor Samuel Quimputo


Os ofícios do Senhor Jesus

1. CRISTO – O PROFETA
O Cristianismo é uma fé baseada na Revelação, no conhecimento do verdadeiro Deus. Portanto, a fé cristã não é uma simples filosofia ou uma religião em que o Homem, usando as suas capacidades e faculdades intelectuais, procura encontrar Deus ou a Causa última da existência.
Antes pelo contrário, a fé cristã é uma vivência fundamentada na Revelação, exclusiva e suficiente, das Sagradas Escrituras. E, todo aquele que professa essa fé deve ser capaz de justificar a razão da sua confiança (e esperança) nela (I Pedro 3: 15).
Embora a Bíblia não seja o único meio através do qual Deus se revelou, visto tê-lo feito também pela história, pela natureza e pela criação, é através dela que o Criador se revelou de forma mais clara e específica. É pela Bíblia que a Sua pessoa e os Seus atributos morais são manifestamente expressos.
Todas as tentativas filosóficas e, muitas vezes, especulativas não são (e nunca foram) suficientes de modo a proporcionar o conhecimento do verdadeiro Deus, visto que as próprias faculdades de compreensão e de percepção espirituais sofreram danos, e foram obscurecidas pelo pecado. Assim, somos levados a concordar com o pensador e matemático francês Blaise Pascal, ao afirmar que “ a suprema realização da razão é indicar-nos o limite da razão”. Esta verdade é comprovada pelas Escrituras. Paulo disse que “o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria” (ICoríntios 1: 21 cf. Romanos 1: 18 – 23).
A única fonte fidedigna, da qual recebemos a mais clara revelação de Deus, é (e deve ser) a Bíblia. Ela é a Palavra de Deus, infalível em todas as questões de fé e de conduta, a autoridade padrão em questões de teologia.
Depois de abordarmos as doutrinas relacionadas à Pessoa do Senhor Jesus, chegou o momento de analisarmos a Sua Obra, visto que só um conhecimento da Sua Pessoa nos pode capacitar a compreender a Sua magnífica obra e, consequentemente, a nossa própria salvação. “É completamente impossível entender a obra do Senhor Jesus Cristo até que sejamos esclarecidos sobre a Sua Pessoa” (Martin Lloyd-Jones). Os próprios discípulos só chegaram a entender a obra do Senhor Jesus à luz da Sua ressurreição. Este facto foi determinante na compreensão da Sua missão e da Sua obra redentora (João 16; 12, 13). Não podemos compreender a Sua morte e a expiação efectuada a não ser que, em primeiro lugar, tenhamos um claro entendimento acerca de quem Ele é, realmente.
A vinda do Senhor Jesus ao mundo teve dois propósitos básicos: reconciliar-nos com Deus e restaurar-nos àquela condição da qual caímos com Adão. A obra realizada pelo Senhor é, portanto, reconciliadora e restauradora. Ele agiu desta forma na qualidade de Mediador entre Deus e os homens (Actos4: 12).
Como Mediador e Redentor, o Seu Ofício teve três funções principais: de Profeta, de Sacerdote e de Rei. Evidentemente, os três ofícios estão concomitantemente relacionados. Ele é um Profeta sacerdotal e um Profeta real; um Sacerdote profético e um Sacerdote real; um Rei profético e um Rei sacerdotal.
Como humano decaídos que somos, precisamos de um profeta, porque é necessário que sejamos libertos e salvos da ignorância espiritual resultante do pecado, visto que a queda afectou homens e mulheres, deixando-os sem conhecimento natural do Deus vivo (Isaías 9: 2; Efésios 4: 17: 18).
Como Profeta, o Senhor Jesus é o mensageiro de Deus, a quem foi dada uma palavra profética a ser transmitida. “O profeta é um homem a quem foi confiada uma mensagem da parte de Deus” (Martin Lloy-Jones). A profecia envolve prenúncio e predição (2 Pedro 1: 20,21).
Por acréscimo, na Sua função de Profeta, o Senhor Jesus foi um mestre e um instrutor incomparável (Deuteronómio 18: 15 cf. Actos 3: 19 –26). Ele é o verdadeiro profeta que havia de vir ao mundo (Lucas 13: 33;João 6: 14). O Senhor Jesus sempre falou na qualidade de profeta autorizado de Deus (João 8: 26; 14:10; 12: 49,50).
Tudo isso é sumariado pela designação de “Logos”, o Verbo de Deus. É Ele o verdadeiro agente revelador de Deus, o Pai (João 1: 18).
O Espírito Santo continuou a função profética do Senhor Jesus (João 16: 13,14). As Suas palavras, proferidas com autoridade, exercem julgamento (João 12: 47,48; 15: 22).

(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden)

Sete Rios em Constância

Foto: Tito Santos
No dia 1 de Outubro de 2011, um grupo da igreja baptista de Sete Rios, deslocou-se até Constância, para fazer canoagem.
Estava um dia lindo de sol e lá fomos nós, embalados no mesmo espírito, rio abaixo até Tancos , nosso destino final.
A meio do percurso parámos para observar a natureza e esperar por alguns que tardavam a chegar. Houve tempo ainda para atracar e visitar o Castelo de Almourol, em estilo de momento cultural, enquanto outros mergulhavam no Tejo.
Chegados a Tancos, e com muita brincadeira pelo meio e a acusar já algum cansaço, aguardavam-nos duas carrinhas que nos levariam novamente ao local de partida: Constância.
Depois de nos despirmos e vestirmos com roupa seca, rumámos ao restaurante, onde fomos servidos tão generosamente que só pensamos em lá regressar.
No final do dia, sobrou tempo e vontade para visitar o “Jardim-Horto de Camões”. Vejam as fotos, regalem-se e vão passar um dia como este a Constância.
Texto Paula Loja
Out 2011 
foto: Paula Loja

CONHECENDO O DEUS DA PALAVRA

O meu povo está sendo destruído porque lhe falta conhecimento”

(Oséias 4: 6a)


Os povos semíticos (particularmente os hebreus) traçavam uma clara distinção entre o conhecimento e a sabedoria. Para eles, a sabedoria envolvia não apenas o aspecto intelectual, uma espécie de compreensão puramente teórica, mas significava a “aplicação prática” daquilo que tinha sido percebido em termos puramente teóricos. Por outras palavras, o sábio era alguém capaz de agir de um modo prático, aplicando o conhecimento  adquirido intelectualmente.

Uma pessoa que fosse possuidora de um profundo conhecimento intelectual, mas que não agisse, na prática, de acordo com o que sabia, era tida como não sábia. Ser sábio, portanto, implicava moldar os actos, as atitudes e o comportamento à dimensão do conhecimento intelectual adquirido.

Por sua vez, o conceito semítico de conhecimento, embora envolvesse o aspecto intelectual (ou seja, entendimento), representava muito mais que uma simples capacidade de percepção ou de compreensão do objecto a ser conhecido. Estava incluído nesse conceito um elemento de cariz afectivo e emocional.

É exactamente esta perspectiva, que envolve os aspectos afectivo e emocional, que predomina no texto bíblico, sobretudo quando se refere ao relacionamento de Deus com o povo de Israel, ou quando se trata da relação conjugal entre um homem e uma mulher (ex. Isaías 55:5; Jeremias 9:24; Amos 3:2; Mateus 1:22; 7:23; João 17:25). Não é possível interpretar estas passagens de um modo razoável, a não ser que o conceito de “conhecimento”, nelas mencionado,  envolva aspectos afectivos (e emocionais).

O profeta Oséias, ao longo do relato do histórico, exorta e instiga o povo de Israel ao arrependimento, na tentativa de convencê-lo a voltar-se para Deus.

Enquanto este se ia afastando do seu Libertador, e por isso sofrendo as duras consequências dos seus actos e das suas escolhas, Oséias, na qualidade de porta-voz de Deus, apresenta-nos o diagnóstico divino e a causa primária do desastre sociopolítico, moral e espiritual que povo experimentava.

Para Oséias, o povo de Israel (que incluía as 10 tribos do Norte) estava a viver aquela calamidade por causa do seu afastamento de Deus. Na linguagem usada pelo profeta, esse afirma que o povo estava a ser destruído por falta de conhecimento. Aqui, conhecimento deve ser entendido como uma boa e saudável relação com Deus, isto é, uma relação afectiva que resulta do entendimento daquilo que Deus é, em Seu ser e carácter, e da Sua bondade para com o Seu povo.

Por outras palavras, o povo estava a perecer por ter rejeitado as orientações do seu Deus, que só podiam ser conhecidas através da leitura, da meditação e da obediência à Sua lei (Oséias 4:6c), visto que não é possível amar a Deus longe da esfera de acção da Sua Palavra. Não existe experiência cristã genuína e equilibrada onde a Palavra de Deus, que nos revela esse mesmo Deus, esteja ausente ou seja irrelevante (João 14: 21,23).

Podemos afirmar que a saúde e a maturidade espirituais são directamente proporcionais ao apego à Palavra inspirada, de Deus, por meio da qual somos santificados (João 17:17). Este equilíbrio é inevitável!

Oséias insiste, afirmando que o conhecimento de Deus, isto é, uma relação íntima, afectiva e reverente, é mais importante do que uma religiosidade racional, externa e formal (Oséias 6: 3,6). Por sua vez, é a Palavra de Deus, a Sua revelação especial, que nos oferece um entendimento correcto e mais profundo do ser e do carácter daquele a quem devemos conhecer por meio da fé, com amor, afecto e santa reverência.

Que o nosso apego à Palavra de Deus, guia infalível para a vida, nos aproxime, cada vez mais, ao conhecimento do grande “Eu Sou”.

Soli Deo Gloria!

                                                                                                            Samuel Quimputo
Boletim nº 119
25 de Setembro de 2011

O DEUS-HOMEM: A DOUTRINA

Depois de termos estudado a doutrina da Encarnação do Senhor Jesus e da Sua Divindade (ou eidade), é chegado o momento de estudarmos a Doutrina da Sua dupla natureza. Para tal, é preciso começarmos com a difícil (e muitas vezes mal compreendida) doutrina da Sua subordinação ao Pai.
O Novo Testamento, em várias ocasiões, afirma a subordinação do Filho ao Pai. Por isso, é de extrema importância a compreensão do significado bíblico dessa verdade, visto que na nossa cultura (ocidental e pós-moderna) a subordinação é vista como sinónimo da inferioridade. Ser submisso a alguém é considerado como assumir um estatuto de inferioridade (e de pequenez) em relação a ele.
Com base nesta perspectiva, e com algum apoio linguístico, ser subordinado a alguém é estar “debaixo” da sua autoridade. Um subordinado não está no mesmo escalão (ou patamar) daquele a quem se submete. O prefixo “sub” significa “sob”, e “super” significa “sobre” ou “acima de”.
Contudo, no plano divino e no que diz respeito a doutrina da redenção, o Filho voluntariamente assume o papel da subordinação ao Pai. É o Pai que envia o Filho ao mundo; e Este obedientemente vem à Terra para fazer a vontade do Pai. “Não há nenhum senso de obediência relutante” (R. C. Sproul) (Filipenses 2: 5 – 11).
Na Trindade, todos os membros são iguais em natureza, em honra e em glória. São eternos e possuem, todos, existência própria; partilham todos as mesmas características e todos os atributos da deidade.
Tal como o são em glória, o Pai e o Filho são um em sua vontade. “O Pai deseja a redenção tanto quanto o Filho. O Filho almeja realizar a obra da salvação, assim como o Pai almeja que Ele o faça” (R. C. Sproul) (João 2:17; 4:34).
Toda a subordinação do Filho ao Pai se realiza no processo da Sua missão como Redentor da Humanidade. É nesse contexto (e nesta condição) que assume a Sua subordinação ao Pai.
Vejamos, então, as provas bíblicas dessa verdade acerca do Senhor Jesus: 
1.      Ele disse explicitamente que o Seu Pai (o Pai) é maior do que Ele (João 14: 28);
2.      Ele é descrito como o Unigénito (o primogénito da herança do Pai” (João 3: 16; Colossenses 1: 15); é também descrito como tendo sido “gerado” pelo Pai (Sal. 2: 7; Actos 13: 33; Hebreus 1: 5; 5:5);
3.      Ele afirmou que vivia pelo (por causa do) Pai (João 6: 57); 
4.      Afirmou também que tinha sido enviado pelo Pai (João 6: 39; 8:29); 
5.  Ele recebeu o mandamento do Seu Pai acerca de tudo o que deveria fazer, na qualidade de Seu enviado (João 14: 31; 10:18); 
6.  Da mesma forma, Ele afirmou ter recebido a Sua autoridade do Pai (João 5: 26, 27); 
7.      O Filho nada podia fazer independentemente do Pai (João 5: 19). Esta verdade revela de um modo singular a dependência e a subordinação do Filho ao Pai;
8.      A mensagem que ensinava vinha do Pai (João 8: 26, 28; 14:10); 
9.      As obras que realizava eram realizadas pelo Pai, por Seu intermédio (João 14: 10; 17:4); 
10.  O Seu reino era um reino que lhe tinha sido outorgado (destinado ou confiado) pelo Pai (Lucas 22: 29); 
11.  Depois da conclusão da Sua missão, Ele entregará o reino ao Pai e Ele mesmo se sujeitará ao Pai (I Coríntios 15: 24, 28); 
12.  Paulo afirmou que o Pai é a cabeça do Filho (I Coríntios11:3); 
13.  Ele leva-nos (e traz-nos) a Deus, o Pai (Hebreus 2: 10; Jud.24).


(bases: Verdades Essenciais da Fé Cristã de R.C.Sproul, Grandes Doutrinas Bíblicas de Dr. Martyn Lloyd-Jones, Teologia Sistemática de George Eldon Ladd, Teologia Sistemática de Wayne Gruden)

Pastor Samuel Quimputo

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