Somos Uma Família, Sim!


Com muita frequência, quando se quer reivindicar a igualdade entre todas as pessoas, ou quando se quer denunciar (com certo grau de indignação) a injustiça do infortúnio que atinge  uns e não  outros, é comum usar-se a expressão popular: “todos somos filhos de Deus”.

Embora tal expressão seja usada como um simples dito proverbial, muitos acreditam que é verdadeira e, com base nessa crença, acabam por atribuir-lhe uma carga teológica que defende (e assegura) a paternidade divina de todos os seres humanos.

Infelizmente, essa verdade aparente é alimentada, com algum certo populismo à mistura, por muitos teólogos que não suportam (nem toleram) o claro ensino das Escrituras que afirma que, sendo os seres humanos criaturas de Deus, e nele encontrem a sua origem, sendo Ele o único Criador, não obstante, nem todos pertencem à Sua esfera familiar.

Aliás, esta distinção é a razão do plano redentor divino e, consequentemente, a causa do imperativo missionário que comissiona todos os salvos e os impulsiona a serem testemunhas do Senhor Jesus e proclamadores das boas-novas da salvação a todos aqueles que ainda não fazem parte do “agregado familiar” divino.

A linguagem que caracteriza a narrativa bíblica, no que diz respeito ao relacionamento de Deus com o seu povo, é uma das metáforas que traduz, de forma bem peculiar, o ambiente de amor e de afetos no qual homens e mulheres gozam as benesses da nova vida em Cristo.

Paulo, ao escrever a uma das igrejas mais influentes do seu ministério apostólico, maioritariamente gentílica, embora contivesse um grande número de crentes judeus, partilha com eles o mistério que lhe tinha sido revelado pelo Senhor, e que diz respeito à unidade espiritual entre judeus e gentios, e faz de ambos os grupos  herdeiros coiguais das bênçãos do reino.

À medida que ia desenvolvendo a sua cristologia, destacando de forma sublime a obra realizada no Calvário e a subsequente (e não menos relevante) vitória sobre a morte, Paulo conclui que Cristo, por meio da sua vinda ao mundo e por tudo o que fez em favor, e no lugar, de judeus e de gentios, trouxe uma mensagem de paz.

Essa paz tem duas vertentes: a que reconcilia o Homem pecador, morto em seus delitos e pecados, com Deus, o Criador que se torna seu Pai, e a paz que promove e estabelece a reconciliação entre os homens, independentemente da etnia, raça, nacionalidade, género ou estatuto social.

É com base nesse mistério revelado que Paulo vai afirmar categoricamente  que os gentios crentes em Cristo já não são “estrangeiros nem peregrinos”, isto é, sem família espiritual e sem terra própria, mas sim, incorporados na família espiritual de Deus.

Na qualidade de filhos adotivos de Deus, os crentes em Cristo pertencem à família divina e devem viver dentro dos parâmetros de um ambiente familiar saudável, onde cada membro faz o usufruto das “regalias” da mesma e se compromete a cumprir todos os requisitos necessários para o funcionamento equilibrado do “agregado familiar” e da manutenção de relacionamentos que promovam a edificação do corpo.

Aplicando o ensino de Paulo à nossa realidade eclesiástica, concluímos que, dentro da igreja local, que é a expressão real e visível da Igreja planetária, os crentes devem viver e adorar em família, devem   exercitar e desenvolver os seus dons espirituais em família, devem resolver os seus diferendos em família, onde cada um dos membros se comprometa a participar ativamente na construção de um ambiente familiar saudável que favoreça o crescimento na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo (2 Pedro 3:18).  Soli Deo Gloria!
   
Pr. Samuel Quimputo
maio 2017, no Boletim


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