Paulo apresentou o seu ensino sobre a justiça/justificação contestando os ensinamentos de um grupo de cristãos judeus que insistiam que os gentios deveriam ser circuncidados e forçados a obedecer à lei como parte de sua salvação e como a base para fazer parte da comunhão com o povo da aliança de Deus.
O argumento paulino sobre a justificação pela fé, enunciado no contexto de Gálatas 2.15-21, assenta-se na articulação interrelacionada dos seguintes pontos:
1. Pedro e Paulo reconheceram que eram pecadores na busca de serem justificados em Cristo, e constataram que não eram melhores que os gentios. Então a distinção padrão entre judeus e gentios deve ser abandonada por aqueles que acreditam que alguém é justificado através da fé na obra fiel de Jesus Cristo. Paulo também deixou evidente que a justificação não pode ser desfrutada pelos pecadores sob um pacto cuja condição de bênção é o cumprimento de suas leis. Logo, a universalidade do pecado e a inadequação da lei (como um caminho de salvação) tornam evidentes que a causa da justificação não pode ser o esforço ou o desempenho humano no tocante a obediência a lei. Em razão disso, Paulo pôde afirmar que os verdadeiros transgressores dos propósitos de Deus são aqueles que tentam restabelecer a lei como a base para justificar e definir a comunidade cristã. A transgressão deles caracteriza-se na rejeição da suficiência da graça de Deus revelada na morte expiatória de Cristo; providenciando a justiça/justificação diante de Deus (2.16, 20, 21) que a prática da Lei não pode.
2. A expressão πίστεως Ἰησοῦ Χριστοῦ refere-se em primeiro lugar à ‘fidelidade de Cristo’ e ao modo como essa fidelidade veio à expressão visível e concreta no evento objetivo da morte fiel e expiatória de Cristo na cruz. Paulo usa essa frase em 2.16 para indicar o fundamento do evangelho cristão: que sua base objetiva e sua causa eficiente é a obediência fiel que Jesus Cristo prestou a Deus Pai, tanto ativamente em sua vida como passivamente em sua morte; na qual a humanidade está incluída e representada. Enfim, a fidelidade de Jesus Cristo é outra maneira de referir-se à obediência de Jesus, necessária para alcançar nossa salvação. A passagem de Gálatas 2.15-21 não exclui a fé em Cristo. Antes, porém, afirma que os crentes devem colocar a sua confiança no que Cristo fez a fim de serem justificados perante Deus. Por outras palavras, é justamente porque Cristo fez tudo que ele possibilita ao pecador a fé e uma resposta salvadora a Deus. O contrário disso é buscar ser justificado pelo esforço humano através da obediência a lei.
3. O novo status dos fiéis justificados resultam de sua real identificação com Cristo nos eventos redentores de sua morte e ressurreição. Cristo submeteu-se a maldição da lei na cruz e os cristãos morreram com ele e, assim, foram libertos da maldição, da condenação e do poder da lei. Contudo, a morte para a lei não significa liberdade para viver em pecado, mas o meio de alcançar o objetivo supremo: “viver para Deus”. Os crentes são agora um ‘novo eu’ pela habitação de Cristo. O velho ‘eu’, que eram em Adão, não vive mais. Cristo agora é o Senhor é o agente efetivo para viverem a nova vida de justiça. Outrossim, a fidelidade de Cristo e o seu amor sacrifical inspiram aqueles que foram justificados em Cristo (como Paulo) a viverem da mesma forma.Uma vez que a fidelidade de Jesus Cristo refere-se ao tipo de fidelidade ou lealdade que Jesus demonstrou, Paulo poderia também está exortando os gálatas a terem o mesmo tipo de fidelidade que Jesus teve (sendo assim, a fé/fidelidade de Cristo é tanto redentora como exemplar).
4. A ‘justiça/justificação’ foi o termo amplo e multifacetado que Paulo usou para descrever a ação salvadora de Deus em relação ao seu povo. Em linhas gerais é possível afirmar que justificação é o ato pelo qual Deus confere um novo status como um antegosto da nova era; criando um novo povo em um novo pacto; para uma nova vida em Cristo produzida por seu Espírito. De outra forma, ser justificado significa “ser (1) declarado justo por antecipação ao julgamento escatológico de Deus; e (2) membro do povo de Deus redefinido na nova era inaugurada através da obra expiatória de Cristo”; para tornar-se (3) participante da nova vida em Cristo produzida por seu Espírito. Paulo, entretanto, afirma que nada disso resulta da realização dos crentes através dos atos de obediência exigidos pela lei, mas baseia-se inteiramente no cumprimento da promessa salvífica de Deus através da ‘fé/fidelidade de Jesus Cristo’.
5. A resposta humana subjectiva de apropriar-se da justificação é a confiança ou fé na fidelidade de Cristo. Ou seja, a justificação é pela fé na fidelidade de Cristo: o mesmo que pela fé na pessoa e obra de Cristo. Paulo, então, distingue a πίστις (fé/fidelidade) de Cristo da crença dos crentes nele em Gálatas 2.15-21. Contudo, a ênfase fundamental de Paulo em Gálatas 2.15-21 é a obra de Deus em Cristo e não a resposta de fé dos crentes. A expressão, em “Cristo Jesus temos crido, para que pudéssemos ser justificados pela fidelidade de Cristo” (2.16c), apresenta num nível secundário, o ato de ter fé em Cristo. O significado primário ou referencial da expressão, no entanto, é a fidelidade de Cristo ao Pai necessária para consumar a salvação. Assim, Paulo estabelece as bases objetivas e subjectivas para a vida cristã. Vale ressaltar, entretanto, que a resposta de fé dos crentes é também uma obra de Deus comunicada pelo Espírito Santo através do Evangelho de Jesus Cristo (Gl 3.2; Ef 2.8, Fl 1.29; Rm 4.3-5, 14, 16; 5.2; 9.32, 10.16-17).
Estes são os elementos centrais que Paulo apresentou para a fundamentação do seu ensino sobre a justificação pela fé em Gálatas 2.15-21. Estes pontos, outrossim, definem e expressam sinteticamente e positivamente “a verdade do evangelho” que ele anunciava (Gl 2.5; 2.14).
O
apóstolo Paulo, em seu ministério em Filipos, encontrou três tipos diferentes
de pessoas e ganhou-os para Cristo (Atos 16.11-34). Stott (1994:302) observou
que “é difícil imaginar um grupo mais heterogêneo do que uma comerciante, uma
jovem escrava e um carcereiro. Em termos raciais, sociais e psicológicos, eram
mundos totalmente diferentes. Mas todos os três haviam sido transformados pelo
mesmo evangelho e recebidos na mesma igreja.” [1]
O
evangelho alcança a todos os tipos de pessoas. Deus
salvou em Filipos três classes sociais: uma comerciante; uma escrava; e um
funcionário público. Deus Salvou em Filipos pessoas de paradigmas
religiosos diferentes: Lídia era uma gentia convertida ao judaísmo; a
jovem escrava vivia na prática do ocultismo e era possessa por demónios; o
carcereiro provavelmente professava a religião oficial do Império Romano. Cada
uma dessas pessoas teve uma experiência distinta de salvação. Lídia foi salva
enquanto estava numa reunião de oração e ouviu a Palavra de Deus (At 16.13-15).
O evangelho alcançou a jovem escrava enquanto ela estava com o coração possuído
por Satanás (At 16.16-18). O evangelho alcançou o carcereiro à beira do
suicídio (At 16.27-34). Portanto, esta é uma passagem que demostra que a
salvação alcança a todos os tipos de pessoas. É uma passagem de demonstra que
as paredes que dividem as pessoas são quebradas pelo poder do Evangelho de
Cristo. [2] [1]
O
evangelho chega até às pessoas pela graça soberana. Foi
Deus quem enviou Paulo para pregar o evangelho em Filipos (16.10). É Deus quem
abre o coração de Lídia (16.13-14), é Ele quem liberta a jovem cativa
(16.16-19); é Ele quem abre as portas da prisão (16.25-27) e transforma a vida
do carcereiro (16.30-34).Temos aqui uma ênfase na soberania de Deus na
salvação. [2] [3]
O Senhor
abriu o coração de Lídia para atender às coisas que Paulo dizia (16.13-14). É a
obra sobrenatural de Deus, não a sabedoria ou persuasão do pregador, que atrai
as pessoas a Cristo. A salvação não é obra do homem, mas do Senhor. É o próprio
Senhor quem abre o coração humano para receber a palavra do Evangelho (Lc
24.45; Mt 13.10-15). O resultado é que Lídia responde a mensagem de Paulo e
aceita o Senhor como o seu Salvador. [3] [4] [5]
A
iluminação e a persuasão divinas são necessárias para que o coração cego pelo
pecado responda ao evangelho (At 13.48). A Bíblia diz que “o deus deste século
cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do
evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.” (2 Co 4.4). Em 1
Coríntios 2.14 lemos que “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de
Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem
espiritualmente.” Jesus, com absoluta clareza, disse: “ninguém pode vir a mim
se o Pai, que me enviou, não o trouxer” (Jo 6.44) […] “ninguém poderá vir a
mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido.” (Jo 6.65). A Escritura também diz:
“Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as suas manchas?” (Jr
13.23). “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar
Deus a sua misericórdia.” (Rm 9.16). [5] [6]
Embora a
mensagem do Evangelho possa soar como loucura para alguns, o evangelho é
efetivo porque carrega em si a omnipotência de Deus. Como escreveu o apóstolo
Paulo: “a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que
somos salvos, poder de Deus. Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos
sábios e aniquilarei a inteligência dos instruídos. Onde está o sábio? Onde, o
escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a
sabedoria do mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu
por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da
pregação.” (1 Co 1.18-21). Essa é a razão pela qual Paulo jamais sentiu
qualquer envergonha “do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para
salvação de todo aquele que crê…” (Rm 1.16, ACF).
O
evangelho é o poder de Deus para a salvação (At 16.13-14). Lídia
era uma mulher temente a Deus, religiosa, ela orava. Mas não era convertida.
Não basta frequentar uma igreja ou ter uma religião. É necessário nascer de
novo (Jo 3.3-8). Precisamos nascer de Deus (1 Jo 5.1). Precisamos da
regeneração produzida pelo Espírito Santo (Jo 3.8; Tt 3.5; Tg 1.18; 1Pe 1.23).
Nesse sentido, a Escritura também usa a linguagem de ressurreição espiritual em
Efésios 2.1-11. Quando indivíduos são ligados a Cristo pela fé nele, tornam-se
parte da nova criação (2 Co 5.17; Jo 1.12). [2]
Deus
abriu o coração de Lídia e Ela ouviu e atendeu a chamada de Deus. Ela creu no
Evangelho e foi salva. Sua casa acabou se tornando o local de encontro dos
cristãos em Filipos (At 16.15, 40). É na casa de Lídia que surge agora a
primeira igreja e centro de missões na Europa.
O
evangelho é o poder de Deus para libertação dos cativos (At 16.16-19). O diabo
estava escravizando aquela jovem. Ela era escrava tanto do diabo como dos
homens. O diabo possuiu essa jovem, dando-lhe um espírito de adivinhação. Ela
adivinhava pelo poder dos demónios. O diabo falava pela boca dela. Muita gente
acreditava no poder preditivo dessa jovem. Os donos desse jovem lucravam com o
seu ocultismo e com o misticismo pagão da população da cidade de Filipos (que,
à luz da Bíblia, é uma prática abominável aos olhos de Deus, Dt 18.9-14; 2 Rs
17.17; Mq 3.11). [2]
As
palavras da jovem eram verdadeiras no sentido formal, mas Paulo ficou
indignado, pois sabia quem estava por trás daqueles gritos. Paulo não aceitou o
testemunho dos demónios nem conversou com os demónios. Ele não tolera nenhuma
propaganda do diabo para a causa de Jesus. Ele não queria que parecesse que ela
era sua parceira na evangelização (At 16.17-18). Por isso, “Paulo voltou-se e
disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma
hora saiu” (At 16.18, ACF). “Enquanto, porém, o próprio Jesus podia proferir o
simples “ordeno-te” (Mc 1.25; 5.8), o discípulo somente tem autoridade quando o
faz “em nome de Jesus Cristo”, com o olhar de fé para a vitória na cruz e o poder
do Cristo vivo e presente, naquele tempo e hoje”. O diabo mantém muitos no
cativeiro hoje também. Mas, quando o evangelho chega, os cativos são libertos.
[7]
Ademais,
a atitude dos proprietários dessa escrava demonstra a crueldade desumana da
instituição da escravidão. O texto informa quando Paulo exorcizou o espírito
que dominava a jovem, exorcizou também a fonte de renda daqueles que a
exploravam. Movidos pelo ódio antissemita, esses homens acusaram Paulo e Silas
de estarem a pregar práticas religiosas ilegais, que ameaçavam ao modo de vida
romano. Os quais, sem nenhum direito de defesa, foram ilegalmente acoitados e
lançados numa prisão de segurança máxima (At 16.19-24).
O
evangelho é o poder de Deus para nos suster nas provas da vida (At 16.24-26). Paulo e
Silas são açoitados e trancados no cárcere interior. Mas eles não murmuram, não
se desesperam, não se revoltam contra Deus. Em vez de clamar vingança, eles
clamam pelo nome de Deus para adorá-lo. Eles fazem um culto na prisão. Seus pés
estão no tronco, mas o coração deles está em Deus. Eles cantam e oram a
despeito das circunstâncias. Exaltaram a Deus não porque estavam no controle da
situação, mas porque o Senhor estava. A Bíblia diz que os demais prisioneiros
os escutavam (At 16.25). Quando os filhos de Deus cantam no sofrimento o nome
de Deus é glorificado. [2]
Trancafiados,
ultrajados e machucados eles oram cantaram louvores a Deus antes do terremoto.
Então, “de repente, houve um forte terremoto, e até os alicerces da prisão
foram sacudidos. No mesmo instante, todas as portas se abriram e as correntes
de todos os presos se soltaram” (At 16.26). Eles experimentam um poderoso
livramento. Eles viram Deus usar essas circunstâncias para trazer a salvação
para uma família inteira. Eles deixam o cárcere na condição de honrados
cidadãos romanos respeitados pelas autoridades locais (16.37-40). O mesmo Jesus
que liberta e salva é o Jesus sustém os seus servos. [3] [4] [2]
O
evangelho também alcança o principal dos pecadores. A
boa notícia é que “Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores” (1Tm
1.15). “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando
os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação” (2 Co 5.19). A
conversão de Lídia aconteceu num lugar favorável. Ela buscava a Deus. O
carcereiro não procurava. Ela estava orando; o carcereiro estava à beira do
suicídio. Mas o mesmo Deus que abriu o coração de Lídia, abriu as portas da
prisão e salvou o carcereiro. Há pessoas que só se convertem depois de um abalo
sísmico, alguma dificuldade, algo radical. [2] [4]
O
carcereiro reconhece (At 16.30-34): (1) Que está perdido –“Que
farei para ser salvo?” – Não há esperança para você a menos que
reconheça que está perdido. Sem Cristo você caminha para um abismo de trevas
eternas. (2) Que é preciso crer no Senhor Jesus –“Crê
no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa” – Não importa quão
longe você esteja. Se você crer, será salvo. Venha a Jesus! Creia no Senhor
Jesus, confia-lhe tua vida! Não há outro caminho. Somente Cristo é que pode dar
a salvação (At 4.12). Ele é o único mediador entre Deus e os homens (2Tm 2.5).
Jesus é a única porta de entrada para o céu (Mt 7.14; Jo 10.1, 7, 9;
14.6). (3) É preciso obediência –Crê no SENHOR Jesus –
Se Jesus não é o dono da sua vida, ele ainda não é o seu salvador. Ele não nos
salva no pecado, mas do pecado. Jesus é salvador daqueles dos quais ele é
Senhor. (4) É preciso dar provas de transformação – Conversão
implica em mudança de vida. Esse homem rude deixa de açoitar, para lavar os
vergões de Paulo. Esse homem duro se tornou hospitaleiro e, com
alegria, alimentou os missionários. Deus mudou a vida dele. Como escreveu
Crisóstomo: “o carcereiro lavou […] e foi lavado. Ele lavou os vergões dos
açoites e foi lavado de seus pecados.” [2]
… “serás
salvo, tu e a tua casa”. O carcereiro chamou toda a sua
família para ouvir a mensagem do evangelho (At 16.32). Ele e toda a sua família
foram baptizados (At 16.33) e se alegraram, porque creram em Deus (At 16.34). O
evangelho traz esperança para as nossas famílias. Há dez registos de baptismos
no Novo Testamento, e deles seis referem-se a baptismos de casas inteiras. O
plano de Deus é salvar também as nossas famílias. “Quando o homem abre seu
coração para Cristo, também abre sua casa.” [4] [7] [2]
Pastor Leonardo Cosme de Moraes
______
Fontes
bibliográficas:
[1] Stott,
J. R. W. 1994. A mensagem de Atos: até os confins da terra. SP:ABU
Editora, 285-304.
[2]
Lopes, H. D. 2012. Atos: a ação do Espírito na vida da Igreja. SP: Hagnos, p. 293-318.
[3]
Kistemaker, S. 2016. Atos. 2ª ed. SP: Cultura Cristã.
[4]
Wiersbe, W. W. 2006. Comentário bíblico expositivo. Vol. 1. Rio de Janeiro:
Central Gospel, p. 604-608.
[5]
Sproul, R.C., ed. 2015. The Reformation Study Bible: ESV (Acts of the Apostles
16). Orlando, FL: Reformation Trust.
[6]
MacArthur, J. 2010. Bíblia de Estudo MacArthur. SP: Sociedade Bíblica do
Brasil, p. 1463-1465.
[7]
Boor, W. 2002. Comentário Esperança: Atos dos Apóstolos. Curitiba: Editora
Evangélica Esperança.
A discórdia era o perigo que ameaçava a igreja de Filipos e ainda ameaça todas as igrejas saudáveis (Filipenses 1.27). Quando os crentes vivem brigando e falando mal uns dos outros, “isso é um espetáculo lamentável e vergonhoso diante do mundo. Essa atitude desonra a Cristo e a própria igreja”. [1]
A melhor forma de Paulo encorajar os seus irmãos de Filipos a viver em humildade e, dessa forma, ter verdadeira comunhão e união, é lembrá-los do exemplo de Cristo (Filipenses 2.5-11). [2] Portanto, apóstolo corrige os problemas internos da igreja de Filipos não apenas lhes oferecendo conceitos doutrinários, mas lhes mostrando o exemplo de Cristo.
Jesus Cristo transformou o mundo com o seu exemplo, seus ensinamentos e sua obra na cruz. Cristo, sendo o Mestre e Senhor, deu-nos o exemplo e ordenou-nos a seguir os seus passos. Como diz a Escritura: “Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou” (1 João 2.6).
Um apelo solene à unidade da igreja
Filipenses 2.1-4 constituem uma sentença condicional longa em grego. Paulo apresenta quatro fundamentos para justificar o seu apelo à unidade (2.1). Ele coloca esses fundamentos em forma de cláusulas condicionais, e assume em cada uma que a condição é verdadeira. [3] Esses pilares já existem, e eles precisam ser o alicerce da unidade. O apelo de Paulo à unidade está aqui fundamentado na Trindade. Os crentes estão em Cristo, experimentando a realidade do amor de Deus, pela ação do Espírito Santo (1 Co 13.14; Ef 4.4-6). [4] [15]
Encorajamento em Cristo (2.1). Todo crente tem recebido encorajamento, exortação e conforto de Cristo. Essa experiência comum ‘em Cristo’, como uma comunidade amada por Cristo, deveria unir os crentes de Filipos para trabalharem juntos e em harmonia. [5] [13]
Consolação de amor (2.1). O amor de Deus leva-nos a suportar uns aos outros, a perdoar uns aos outros. O poder do amor de Deus produz uma boa vontade invencível para aqueles que nos odeiam, e o poder de amar aos que não nos agradam. Conforme o mandamento de Jesus: “Amem uns aos outros como eu amo vocês” (João 15.12).
Comunhão do Espírito (2.1). É o Espírito Santo quem produz a nossa comunhão com Deus e a nossa comunhão com o próximo (Ef 4.4). A participação comum no Espírito deve determinar o fim de toda desavença e espírito de rivalidade na igreja. O Espírito Santo é o princípio unificador na igreja local (1Co 12.4-11). Onde há comunhão do Espírito Santo, existe amor, porque o amor é fruto do Espírito (Gl 5.22). [5]
Entranhados afetos e misericórdias (2.1). Acomunhão espiritual numa igreja não se limita a ‘sentimentos’ ou ‘ações formais’. Nossas “entranhas” precisam ser movidas (com ‘sentimento profundo’), e as aflições do irmão precisam despertar em nós verdadeira compaixão [6]. Precisamos ser sensíveis para com as necessidades e os sentimentos dos outros; sentindo a dor que o outro sente com o desejo de aliviá-lo desse sofrimento. Esse é o tipo de preocupação que fortalece a unidade entre os crentes. [7] [8]
Perigos que ameaçam a unidade da igreja
Havia tensões na igreja de Filipos. A vida comunitária estava sendo ameaçada pelo partidarismo e a vangloria. Alguns membros da igreja de Filipos “estavam criando partidos baseados em prestígio pessoal, ao mesmo tempo que desprezavam os outros”. [1]. Paulo diz que a igreja de Filipos era sua alegria e coroa (4.1; 1.4). Todavia, a medida de sua alegria ainda não estava completa enquanto o espírito de facção existir. Por isso, Paulo os exorta para que tenham unanimidade de coração, “concordando sinceramente uns com os outros, amando-se mutuamente e trabalhando juntos com a mesma forma de pensar e um só propósito” (Fl 2.2, NVT). [6] [5]
Na Igreja de Deus não devem existir disputas políticas, briga por cargos, ciúmes e invejas (Tg 4.1-2). A igreja é um corpo onde cada membro coopera com o outro, visando à edificação de todos (Rm 12.5; 1 Co 12.14-20). [1]
União por meio da humildade à luz do exemplo de Cristo
A humildade é a virtude que promove a unidade (2.3-5). [1] Quase sempre entre os escritores gregos “humildade” tem um significado negativo, tendo conotações de “servilismo”. [10] Entre o povo de Deus, no entanto, a humildade é um imperativo, pois “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4.6). A escritura também diz: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte” (lPe 5.6). Portanto, a humildade deve ser a marca do cristão, pois seu Senhor e Mestre foi “manso e humilde de coração” (Mt 11.29). Jesus disse que maior é o que serve e que Ele mesmo veio não para ser servido, mas para servir (Mc 10.45). [15]
A humildade olha para o outro com honra (Rm 12.10). “Considerando os outros superiores” (Fl 2.3). Uma pessoa humilde olha para as virtudes e os pontos fortes dos outros, ao mesmo tempo em que atenta para as suas próprias fraquezas, falhas e limitações. A humildade busca o interesse do outro com solicitude (2.4). Não atenta apenas para os próprios interesses, mas preocupa-se também com as necessidades, dificuldades e aflições do irmão. [5] [7]
“O melhor remédio para curar os males da igreja é olhar para Jesus, seguir os Seus passos e imitar o Seu exemplo” (2.5). [1] Não podemos imitar os Seus atos redentores nem sofrer e morrer vicariamente. Contudo, com o auxílio da graça de Deus, podemos e devemos imitar o espírito que serviu de base para esses atos de Jesus. A atitude de auto-renúncia, com vistas a auxiliar outros, deveria estar presente e se expandir na vida de cada discípulo (Mt 11.29; Jo 13.12-17; 13.34; ICo 11.1; lTs 1.6; lPe 2.21-23; 1Jo 2.6). [5] [14]
O exemplo de Cristo
Filipenses 2.5 conecta as exortações (vv. 1-4) ao hino sobre Cristo (vv. 6-11). A leitura correta desse texto cristológico abala todo coração egoísta e vaidoso por meio da trajetória seguida por Jesus (isto é, sua encarnação, esvaziamento, humilhação, obediência, morte e exaltação). [1] [4]
Este “hino a Cristo” pode ser dividido em seis estrofes. As três primeiras (2.6–8) celebram a humilhação de Cristo, enquanto as três últimas (2.9-11) celebram Sua exaltação. [9]
A humilhação de Cristo (2.6-8)
O sublime mistério da humilhação de Cristo deve ser a base do nosso ensino acerca da humildade em nossos relacionamentos.
Jesus abriu mão de Seus direitos (2.6). Paulo começa dizendo que Jesus é Deus em forma essencial, interna e não apenas de “aparência externa”. [11, 12, 14]. Jesus “… não julgou como usurpação o ser igual a Deus”, ou seja, “não considerou a sua igualdade com Deus como “algo a que devesse se apegar” (Fl 2.6). Cristo não usou a Sua igualdade com Deus como desculpa para auto-afirmação, ou auto-promoção; ao contrário, ele a usou como ocasião para renunciar a todas as vantagens ou privilégios que a divindade lhe proporcionava, como oportunidade para auto-empobrecimento e auto-sacrifício sem reservas. [1, 2, 5, 7, 8]
Vale a pena contrastar a atitude de Cristo com a atitude de Adão.Adão, criado homem, à imagem de Deus, tentou arrebatar para si uma falsa e ilusória igualdade com Deus. Cristo alcançou o senhorio universal mediante a Sua renúncia, enquanto Adão perdeu o seu senhorio mediante o ‘roubo’ do fruto proibido. [9, 15]
Jesus se esvaziou (2.6,7). A frase significa que Ele se humilhou (v. 8). “O Filho de Deus deixou o céu, a glória, o Seu trono, e se fez carne, fez-se homem.” [1] Em vez de explorar a Sua igualdade com Deus, Jesus despojou a si próprio das glórias e das prerrogativas da divindade. [10] Jesus não deixou de ser Deus ao tornar-se humano, embora abdicasse de Sua glória e de Seus direitos. Ele voluntariamente submeteu-se ao Pai e disse: “Eu não procuro a minha própria vontade, e, sim, a daquele que me enviou” (Jo 5.30). Ele renunciou às Suas riquezas. O apóstolo Paulo diz: “Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos” (2Co 8.9). Jesus renunciou a tudo, até mesmo a Sua própria vida (Jo 10.11). [1]
Nas palavras do Dr. William Hendriksen: “Tão pobre Ele era que tomou emprestado um lugar para nascer, uma casa para pernoitar, um barco de onde pregar, um animal para cavalgar, uma sala para reunião e um túmulo para ser sepultado. Ele renunciou à Sua glória celestial … [Jo 17.5]. No entanto, voluntariamente deixou a companhia dos anjos e veio para ser perseguido pelos homens. Do infinito sideral de eterno deleite, na própria presença do Pai, voluntariamente Ele desceu a este reino de miséria a fim de armar a Sua tenda com os pecadores. Ele, em cuja presença os serafins cobriam o rosto, o objeto da mais solene adoração (comp. Is 6 com Jo 12.41; cf. tb. At 28.25-27), voluntariamente desceu a este mundo, onde foi “... desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer (Is 53.3).” [5]
Jesus serviu com absoluta fidelidade e abnegação (2.7). “Jesus nasceu numa manjedoura, cresceu numa carpintaria e morreu numa cruz.” [1] Ele não veio ao mundo para ser servido, mas para servir (Mc 10.45). Foi Cristo Jesus mesmo que disse: “Pois, no meio de vós, eu sou como quem serve” (Lc 22.27). O Senhor de todos tornou-se servo de todos (Mt 20.27; Mc 10.45) a fim de salvar Seu povo de seus pecados.
Jesus fez-se semelhante aos homens (2.7). Jesus possui todos os atributos essenciais da humanidade, embora, diferentemente de nós, nunca tenha pecado (1 Pedro 2.21–25; Rm 8.3). Ele continuou subsistindo em forma de Deus em Sua natureza essencial a despeito de Sua encarnação. Ele conservou a natureza essencial de Deus mesmo depois de se tornar à semelhança de homens. Por outro lado, tudo o que diz respeito à experiência humana, Jesus também vivenciou: tentação (Hb 4.15), sofrimento (IPe 2.21) e desapontamento (Mt 23.37). [9]
Exceto no pecado, qualquer coisa que pode ser dita acerca do homem, pode ser dita também sobre o Senhor Jesus Cristo. Jesus, assim, tornou-se semelhante ao primeiro Adão, que foi sem pecado, mas, como segundo Adão, fez-se pecado por nós, para vencer o pecado e nos remir dele. [5] [10]
Jesus se sacrificou (2.8). Jesus Cristo foi obediente até à morte e morte de cruz. “Cristo se esvaziou e se humilhou quando se fez homem. Depois desceu mais um degrau nessa escalada da humilhação, quando se fez servo; mas desceu às profundezas da humilhação quando suportou a morte e morte de cruz.” [1]
A morte de cruz foi dolorosa (ele sofreu dores atrozes); foi ultrajante (teve de carregar a cruz debaixo do escárnio da multidão até o lugar da sua execução); e considerada maldita (Dt 21.23; Gl 3.13). Contudo, a Escritura diz que Jesus foi para a cruz porque o Pai o entregou por amor e porque Ele a si mesmo se entregou por nós. Ele morreu pelos nossos pecados, segunda as Escrituras (1 Co 15.3). Ele foi desamparado na cruz para sermos aceitos. Ele se fez maldição na cruz para sermos benditos de Deus. [1] [13]
A exaltação de Cristo
A exaltação excepcional de Cristo é obra de Deus, o Pai (2.9). A Bíblia diz que Deus exalta aqueles que se humilham (Lc 18.14; Mt 23.13; Lc 14.11; 18.14; Tg 4.10; 1Pe 5.6). Deus não deixou Cristo na sepultura, mas o levantou da morte, o levou de volta ao céu e o glorificou (At 2.33; Hb 1.3). Deus Pai deu a Jesus “toda autoridade no céu e na terra” (Mt 28.18). Deu a Ele autoridade para julgar (Jo 5.27) e o fez Senhor de vivos e de mortos (Rm 14.9), fazendo-o assentar à sua destra, acima de todo principado e potestade, constituindo-o cabeça de toda a Igreja (Ef 1.20-22). Essa elevação de Jesus foi a restituição da glória eterna que tinha com o Pai antes que houvesse mundo (Jo 17.5,24). [1]
Jesus foi “superexaltado” por Deus Pai. Cristo ultrapassou os céus (Hb 4.14), foi feito mais alto que os céus (Hb 7.26) e subiu acima de todos os céus (Ef 4.10). Ele recebeu um nome que está acima de todo nome (2.9). Sua revelação como o ‘Senhor’ é o sinal de que ‘todo joelho deve se dobrar’ para oferecer-Lhe adoração e que toda língua deve aclamá-lo, Senhor absoluto de todo o Universo (Mt 28.18; Is 45.14-25). [5]
A exaltação de Cristo exige a rendição de todoseserá proclamada universalmente (2.10, 11). O Filho de Deus é chamado de Senhor mais de seiscentas vezes no Novo Testamento. [11, 8] O senhorio de Cristo foi a grande ênfase da pregação apostólica (At 2.36; Rm 10.9; Ap 17.14; 19.16). [10] “A aclamação final do Universo é, também, o slogan confessional da Igreja de hoje: Jesus Cristo é Senhor”. [6]
Na segunda vinda de Cristo, os três mundos vão se dobrar aos pés de Jesus: os céus, a terra e o inferno. Todas as criaturas e toda a criação reconhecerão que Jesus é Senhor (2.11; Ap 5-13). Essa confissão será pública e universal.
Jesus foi coroado no dia da Sua ascensão. Aqueles que amam a Jesus sabem disso e se regozijam nesse fato, mas milhões de pessoas no mundo não sabem que Jesus é o Rei coroado e somente se prostrarão aos Seus pés quando Ele se manifestar em glória. [14] Isso, entretanto, não significa que todas as pessoas serão salvas. Será apenas o inevitável reconhecimento do senhorio de Cristo por ocasião da vinda de Jesus em glória triunfal. Já será tarde demais para aqueles que o negaram nesta vida. À vista disso, advertiu Jesus: “qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus. Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 10.32, 33). [2]
A exaltação de Cristo teve um propósito estabelecido (2.11): Que o Pai seja glorificado pela exaltação do Filho. Cristo se humilhou e suportou a cruz, para a glória de Deus Pai (Jo 17.1). Ele ressuscitou, e foi exaltado para a glória de Deus Pai (2.11). Toda a vida e obra de Jesus assinala a glória de Deus Pai. O fim último de todas as coisas é a glória de Deus (I Co 10.31). [1][6]
Enquanto alguns membros da igreja de Filipos queriam ser o centro das atenções, Jesus queria que o único centro da atenção fosse Deus. Assim, também, o seguidor de Cristo nunca deve deve buscar a sua própria glória, senão a glória de Deus. [1]
Pastor Leonardo Cosme de Moraes
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Referências bibliográficas:
[1] Lopes, H. D. 2007. Filipenses. SP: Hagnos, p. 102-143
[2] Foulkes, F. 2009. Filipenses. (In Carson, D. A, ed., et al. Comentário Bíblico Vida Nova. SP: Vida Nova, p. 1881-1885).
[3] Shedd, R. P & Mulholland, D. M. 2005. Epístolas da prisão: uma análise de Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. SP: Vida Nova, 120-123.
[4] Crossway Bibles, 2008. The ESV Study Bible: Philippians 2. Wheaton, IL: Crossway Bibles.
[5] Hendriksen , W. 2005. Efésios e Filipenses, SP: Cultura Cristã, p. 465-478.
[6] Martin, R. P. 1985. Filipenses: Introdução e comentário. SP: Vida Nova. 1985: p. 100-104.
[7] Boor, W. 2006. Comentário Esperança: Carta aos Filipenses. (cap. 2) Curitiba: Editora Evangélica Esperança.
[8] Bruce, F. F. 1992. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo: Filipenses. SP: Vida, p. 70-89.
[9] Sproul, R.C., ed. 2015. The Reformation Study Bible: ESV (Philippians 2). Orlando, FL: Reformation Trust.
[10] MacArthur, J. 2010. Bíblia de Estudo MacArthur. SP: Sociedade Bíblica do Brasil, p. 1617-1620.
[11] Kittel, G. F., & G. W. Bromiley, G. W., ed. 2013. Dicionário Teológico do Novo Testamento. SP: Cultura Cristã.
[12]Biblical Studies Press. 2006. The NET Bible Edition Notes (Philippians 2).
[13] Wiersbe, W. W. 2006. Comentário bíblico expositivo. Vol. 6. Rio de Janeiro: Central Gospel, p. 94-98.
[14] Motyer, J. A. The message of Philippians, 1984: p. 120-130.
[15] Boyce, J. M. 1971. Philippians: an expositional commentary. Grand Rapids, MI: MRL, p. 129-130
O texto de 2 João, dos versículos 7 ao 9,
é uma advertência solene: nós precisamos de Cristo – o Cristo real, o Cristo
verdadeiro. Um Cristo gerado de especulação vazia ou criado para enquadrar-se
no padrão dos filósofos não serve [1]. Um Cristo reciclado
pela habilidade de eruditos, um Cristo adaptado pelas conveniências humanas não
pode redimir ninguém. Se somos redimidos, o Cristo em que cremos, o Cristo em
que confiamos, tem de ser verdadeiro [2].
Todavia, sem a Bíblia, nada
podemos saber sobre o Jesus real. Em última análise, nossa fé está em pé ou cai
com o Jesus bíblico. Mas o que a Escritura diz sobre a identidade de Jesus?
Como Cristo é retratado nas páginas do texto sagrado? O que podemos saber sobre
sua pessoa e obra? Em suma: QUEM É JESUS?
UM QUADRO VERDADEIRO DE
JESUS
Jesus é amplamente reconhecido
como a pessoa mais fascinante da história. Ele tem sido a figura dominante da
cultura ocidental. Os estudiosos calculam que já nasceram mais de 13 biliões de
pessoas no mundo ao longo de toda a história da humanidade [3].
Mas nenhuma pessoa provocou tanto impacto na história como Jesus Cristo. A
história da humanidade é dividida em antes e depois dele. Ele evidentemente
continua surpreendendo as pessoas hoje, da mesma maneira que surpreendia as
pessoas a dois mil anos atrás. Portanto, ninguém pode se dar ao luxo de ignorar
Jesus.
Jesus não é um mito. Ele não é
uma projeção do imaginário coletivo. Os escritores do Novo Testamento dão-nos
um relato de testemunhas oculares de Jesus de Nazaré. Lucas começa o seu
evangelho com as seguintes palavras: “Visto que muitos houve que empreenderam
uma narração coordenada dos factos que entre nós se realizaram, conforme nos
transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e
ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada
investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo
Teófilo, uma exposição em ordem, para que tenhas plena certeza das verdades em
que foste instruído” (Lc
1.1-4).
O apóstolo Pedro fez a seguinte
afirmação: “Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor
Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos
testemunhas oculares da sua majestade.” (2 Pe 1.16).
O apóstolo João, com clareza,
acrescenta: “O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto
com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam,
com respeito ao Verbo da vida” (1 Jo 1.1).
Tais registos nos foram dados
por homens que eram francamente comprometidos em seguir a Jesus. Esse é o
testemunho daqueles que o conheciam, amavam-no e deram sua vida por ele.
Ademais, existem depoimentos
históricos sobre Jesus fora do Novo Testamento. Como o testemunho de Flávio
Josefo, historiador Judeu; de Cornélio Tácito, historiador romano; de Suetônio,
historiador romano. Todos comprovam a veracidade da existência histórica de
Jesus. Conforme o historiador Philip Schaff, “um caráter tão original, tão
completo, tão consistente, tão perfeito, tão elevado acima de toda grandeza
humana não pode ser nem fraude nem ficção. Teria de haver mais do que um Jesus
para inventar um Jesus.” [4]
C. S. Lewis, em seu livro ‘Mero
Cristianismo’ [5], escreveu o seguinte: quando você pensa em Cristo
há três possibilidades: (1º) Jesus é um mentiroso; ou (2º) é um lunático; ou
então (3º) é o Filho de Deus. Se Jesus não foi quem Ele disse ter sido, então
ele é um mentiroso. Se Cristo pensou que era quem ele não foi, então era um
lunático. Mas se Cristo é, de facto, quem ele disse ter sido, então ele é o
Filho de Deus.
Não podemos aceitar a tese que
ele tenha sido um bom homem, um exemplo, um modelo de moralidade, um bom
mestre, um espírito iluminado, sem ser o Filho de Deus. Porquanto Ele disse ser
o Filho Unigénito de Deus! E se ele não é o filho de Deus, então ele mentiu. E
se ele mentiu, então ele não pode ser um bom homem; ele não pode ser um bom
mestre; ele não pode ser um espírito iluminado.
Na verdade, não há meio termos
em relação a Jesus - Ele é quem disse ter sido ou então a igreja cristã nestes
vinte séculos esteve absolutamente equivocada.
Não obstante estamos cientes de
que Jesus não é uma mera figura de interesse histórico. Estamos cientes das
afirmações de que Jesus é o Filho de Deus, o Salvador do mundo. Portanto,
compreendemos que temos de fazer uma decisão sobre ele - a favor ou
contra.
Conforme lemos em 2 João, essa
é uma decisão que afeta o destino eterno de uma pessoa. Portanto, há muita
coisa em jogo em nosso entendimento de Jesus. É uma questão de importância
vital para cada um de nós.
JESUS SEGUNDO AS ESCRITURAS
1. A história da redenção é
centrada em Cristo
Nas Escrituras Jesus é
apresentado como o objecto das profecias. A sua vinda não foi acidental. Como
diz a Escritura em Gl 4.4: “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus
enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Mq 5.2, cf. tb. Is 7.14).
Todo o Antigo Testamento foi
uma preparação para a sua vinda. Como escreveu Pedro: “O qual, na verdade, em
outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado
nestes últimos tempos por amor de vós” (1 Pe 1.20).
Toda Escritura mostra Jesus. Em
alguns casos, ela faz isso apontando para a frente (como no Antigo Testamento);
em alguns casos, apontando para trás (como no Novo Testamento, depois dos
evangelhos).
O Novo Testamento é o relato da
história de Jesus Cristo como foi previsto no Antigo Testamento, que foi
ilustrada por várias testemunhas nos Evangelhos, disseminada em Atos, aplicada
em vários ambientes nas epístolas, e que culminará um dia no julgamento cósmico,
como revelado no Apocalipse.
Para aqueles que se recusavam a
ver Cristo nas Escrituras, Jesus disse: “Vós examinais as Escrituras, pois
julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim” (João 5.39). Após sua ressurreição, Jesus abriu o
entendimento de seus discípulos, começando com os livros de Moisés e através
das Escrituras, explicando o que esses textos diziam a respeito dele (Lucas 24.25).
Portanto, a história da
redenção é centrada em Cristo. Ele é o tema de toda a Escritura. Cristo é o
centro da história. Ele é a figura central da igreja. Ele é a figura central no
céu (Ap 5.11-14). Ele é a revelação mais completa e
perfeita de Deus (Jo 1.18).
2. Jesus é o Filho de Deus
Como disse o anjo Gabriel, da
parte de Deus, a virgem Maria: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude
do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há
de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35). O ente que vai nascer de
Maria já existia antes dela. O Filho precede a mãe. Jesus foi concebido por
obra do Espírito Santo. O verbo se fez carne por uma obra milagrosa do Espírito
Santo no ventre da virgem Maria. Como Deus ele sempre existiu. Como homem foi
gerado pelo Espírito Santo. [6]
Jesus é chamado o ‘monogenes’,
‘o único gerado’ do Pai. Da mesma essência do Pai. Isto é o que a Igreja cristã
entende quando fala de Jesus como sendo eternamente gerado – que ele era
“gerado, mas não criado”.
Apenas o facto de Jesus ser o
Filho já diz tudo. Ser filho implica existência do Pai. O Deus que o Filho
revela é, acima de tudo, Pai (Jo 14.6).
Antes de tudo o mais, antes mesmo de criar, esse Deus era o Pai que amava seu
Filho (Jo 17.24). Antes das demais coisas, por toda a
eternidade, esse Deus estava amando, dando a vida e deleitando-se no Filho [7].
Pai é eterno e o Filho é
igualmente eterno. Nunca houve um tempo em que o Filho não era Filho e nunca
ouve um tempo em que o Pai não era Pai. Deus não poderia ser amor se não
houvesse alguém para amar. Ele não poderia ser Pai sem o Filho (a quem ele ama
por meio do Espírito). Ele é amor, e ele não precisa criar para ser quem é. Se
assim fosse, ele seria alguém carente e solitário!
O Pai, assim, é o Pai do Filho
eterno, e ele encontra a própria identidade, sua Paternidade, em amar e
transmitir sua vida e ser ao Filho.
Lemos em Mateus 3.16,17,
que “Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu
o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos
céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.”. Jesus aqui é
descrito como o Filho de Deus. Deus é seu Pai. E ele é o Cristo, o ungido com o
Espírito. Vemos aqui que o Pai ama seu Filho dando-lhe seu Espírito. Como
escreveu Michael Reeves [7], “desde toda a eternidade, o
Pai e o Filho têm se deleitado em partilhar seu amor e alegria com o Espírito,
e por meio dele.”. Portanto, quando começamos com o Jesus da Bíblia, chegamos
ao Deus triúno. Quando proclamamos Jesus, o Filho do Pai ungido pelo Espírito,
proclamamos o Deus triúno.
3. Jesus é Deus plenamente
Jesus faz o que somente Deus é
capaz de fazer, como perdoar pecados (Mc 2.1-12),
dar vida (Jo 5.21), ressuscitar os mortos (Jo 11.43). Ele julgará todas as pessoas no juízo
final (Jo 5.22,27).
Ao lermos o Novo Testamento
podemos encontrar as seguintes declarações: “porquanto, nele [Jesus], habita,
corporalmente, toda a plenitude da Divindade.” (Colossenses 2.9)…“aguardando a bem-aventurada esperança e
o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo.” (Tito 2.13) … “dos quais são os pais, e dos quais é
Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente.” (Romanos 9.5) … “E sabemos que o Filho de Deus veio e
nos deu entendimento para que conheçamos ao Deus verdadeiro. Agora, vivemos em
comunhão com o Deus verdadeiro, porque vivemos em comunhão com seu Filho, Jesus
Cristo. Ele é o Deus verdadeiro e é a vida eterna.” (1 João 5.20).
O “verdadeiro Deus e a vida
eterna” em 1 João 5.20 é Jesus Cristo. Compreender a frase como se referindo ao
Pai tornaria o versículo repetitivo; além disso, a frase “vida eterna” também é
aplicada a Cristo em 1 João 1.2. [8]
O escritor aos Hebreus declara:
“Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente” (Hb 13.8). O apóstolo Tomé, depois de ver e de por
o seu dedo nos sinais dos cravos, e a sua mão no lado onde transpassaram Jesus
com uma lança; “Respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!” (Jo 20.28).
No prólogo de João, Jesus é
apresentado como o ‘Logos’ - a Palavra eterna, preexistente e agora encarnada (1.1; 1.14) e como o Filho único do Pai, que é ele
próprio Deus (1.1, 1.18). João 1.1 diz: “No princípio era o Verbo,
e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Para João, o ‘Logos’ era uma
pessoa e não um princípio.
O Logos se fez carne (1.14). Ele “habitou” (“armou sua tenda”) entre nós”. Para os
gregos antigos, nada era mais escandaloso do que a ideia de encarnação. Os
gregos tinham uma visão dualista de espírito e matéria, por isso lhes era
inconcebível que Deus, se ele realmente existisse, assumisse a carne
humana.
O apóstolo João, sob a
inspiração do Espírito Santo, olhou para o Cristo pessoal e histórico e viu
nele a manifestação da pessoa eterna por cujo poder transcendente todas as
coisas são sustentadas. Jesus é o ‘Logos’ que criou o céu e a terra. É o poder
transcende que está por trás do universo. Ele é a realidade última de todas as
coisas. [1]
João disse que o ‘Logos’ é não
somente um com Deus. Ele é Deus. O ‘verbo’ (‘logos’, no grego) tanto está com
Deus quanto é Deus. Nisto, vemos que o logos tanto é distinto de Deus quanto é
identificado com Deus. Portanto, temos de ver um sentido em que Cristo é o
mesmo que Deus, o Pai, mas, apesar disso, sermos capazes de distingui-Lo do
Pai.
O contexto indica claramente
que esse "Deus" sobre o qual João está falando (o ‘logos’) é o único
Deus verdadeiro que criou todas as coisas (Jo 1.3). Portanto, ideia de
distinguir e identificar não é uma intrusão no texto do Novo Testamento, e sim
uma distinção que textos como este de João exigem. O Pai e o Filho são um ser,
mas distintos em termos de personalidade.
João diz que o Logo existia com
Deus (‘pros ton Theon’), ou seja, face a face, em um relacionamento de
intimidade. O ‘Logos’ desfruta deste tipo de intimidade, um relacionamento face
a face com o Pai, desde toda a eternidade. O Pai e o Filho são um em seu
relacionamento, bem como em seu ser. [1]
Resumindo, Jesus é o Verbo
eterno, Deus co-igual, co-eterno e consubstancial com o Pai (Jo 1.1,2,14). Ele não passou a existir, ele é Deus
desde a eternidade. Ele é o Pai da eternidade (Is 9.6). Ele desfrutou sempre da glória do Pai, antes que houvesse mundo (Jo 17.5). Sua relação com o Pai é eterna [6].
Jesus é o Criador e sustentador
do universo, “… tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as
coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1.16-17). Sem ele nada do que foi feito se fez (Jo 1.3). Ele criou o universo e tudo o que nele há. “Ele, que é o
resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as
coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos
pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas.” (Hebreus 1.3). Jesus Cristo está no controlo da
história. Ele está a Destra de Deus. Ele é Deus Todo-Poderoso. Ele reina! (Mt 28.18). [10, 11, 12]
4. Jesus é verdadeiro homem
O apóstolo Paulo, em Filipenses
2.5-8, disse: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a
Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em
semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou,
tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.”
Aquilo de que Jesus se esvaziou
não foi da sua natureza divina. Essa passagem não diz, em parte alguma, que ele
deixou de possuir a natureza divina. Isso torna-se mais claro quando
consideramos Colossenses 2.9: "porquanto, nele, habita, corporalmente,
toda a plenitude da Divindade".
É digno de nota que "a
forma de servo” (v. 7) contrasta com o "igual a Deus" (v. 6). Apesar de não deixar de ser como o Pai no que diz
respeito à sua natureza divina, ele tornou-se funcionalmente subordinado ao Pai
durante o período de encarnação.”
O uso da palavra “forma”
(‘morphê’, no grego), em Filipenses 2.6-8, indica que a pessoa única, Jesus,
tinha as duas naturezas. Portanto, Jesus tem duas naturezas distintas, mas
apenas uma personalidade, singular e não dividida. Ele é Deus-Homem. Ele é
verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Na encarnação, ele assume a
natureza humana. Ele esvaziou-se durante a sua encarnação. Não foi um
esvaziamento da sua divindade, nem uma mudança da divindade para a humanidade,
mas o abrir mão dos privilégios e submeter-se à direcção do Pai. A encarnação,
portanto, é a união das duas naturezas, divina e humana, presentes em uma só
pessoa, Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem (Jo 1.1-18). [9, 12, 13]
5. Jesus é um ente santo, ele
não herdou o pecado original(Lc 1.35).
Nós nascemos em pecado, pois
herdamos a corrupção e o pecado de Adão. Mas Jesus nasceu sem pecado, nele não
havia pecado. Como diz a Escritura: “o qual não cometeu pecado, nem na sua boca
se achou engano” (1 Pe
2.22). Ele foi tentado,
mas jamais cedeu à tentação (Hb
4.15). Nunca se achou
dolo em sua boca. Ele obedeceu completamente a lei em nosso lugar. Ele nasceu
sem pecado, viveu sem pecado, venceu o pecado e morreu pelos nossos pecados.
Sua vida foi irrepreensível, suas palavras irrefutáveis, suas obras
irresistíveis. O escritor aos Hebreus, no capítulo 7.26 declarou: “Porque nos
convinha tal sumo-sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos
pecadores, e feito mais sublime do que os céus”.
Para ser salvador Cristo tinha
de satisfazer três exigências:
(1º) Tinha de ser um de nós
para que pudesse morrer e remir-nos. Ele tinha de nos representar sobre todos
os aspectos (Hb 4.15).
(2º) Tinha de ser sem pecado
para ter a perfeição que Deus exige (2Co 5.21).
(3º) Tinha de ser Deus para que
pudesse pagar nossa dívida infinita e arcar com toda a pena de todos os pecados
de todos os que cressem nele. Além do mais, a Bíblia diz que salvação vem do
Senhor (Jn 2.9). É ele, portanto, que tinha de prover o
próprio sacrifício que exigiu (At 20.28).
6. Jesus Cristo é salvador do
mundo
Ele veio para salvar o seu povo
de seus pecados (Lc 19.10;
1Tm 1.15; Jo 3.17; Mt 20.28). Foi para que os homens pudessem nascer de Deus, que Deus
primeiro nasceu dos homens. (Jo
1.11,12, cf. tb. 1 Jo 5.1).
Ele veio porque todos pecaram (Rm 3.23). Adão pecou como o cabeça federal, como o
representante da humanidade (Rm
5.12). Estávamos todos em
Adão; fomos separados com ele de Deus. Já nascemos pecadores (Sl 51.5, 58.3). Herdamos de nossos primeiros pais a
natureza do pecado. Já nascemos mortos em delitos e pecados (Ef 2.1). A corrupção radical e a inabilidade total
do ser humano em salvar a si mesmo é a prova que precisamos de um Salvador (Rm 3.10-12).
Ele veio para morrer como um
sacrifício. Ele nasceu como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). Ele nasceu como nosso substituto. Ele
carregou em seu corpo o nosso pecado. Ele deu sua vida por nós. Ele morreu a
nossa morte para que pudéssemos viver a sua vida (Rm 6.23; 2Co 5.21). A sua morte foi substitutiva e
voluntária.“Ele se entregou. Se deu a si mesmo por nossos pecados” (Gl 1.4)A cruz de Cristo é a demonstração mais eloquente do amor de
Deus aos homens (Jo 3.16;
Rm 5.6).
CONCLUSÃO
Jesus Cristo é o único Caminho
para Deus (Jo 14.6; 1Tm
2.5; At 4.12). Quem nele
crê tem a vida eterna (Jo
5.24; Rm 8.1).
Jesus Cristo é o Senhor. A
Bíblia diz: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu
coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque
com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da
salvação. Porquanto a Escritura diz: Todo aquele que nele crê não será
confundido” (Romanos
10.9-11).É necessário confessar que
Jesus é o Senhor (‘Kyrios’). A confissão do senhorio de Cristo está baseada no
conceito do Antigo Testamento sobre o invocar o nome de YAHWEH (Joel 2.32). Fazer isso é reconhecer a divindade a
Jesus Cristo. E todo aquele que confessar a Jesus como Senhor será salvo (Rm 10.9).
Pr Leonardo Moraes
______________________
Referências
bibliográficas:
[1] Stott, J. R. W. 1982. As epístolas de
João: introdução e comentário. SP: Vida Nova.
[2] Sproul, R.C., 2013. Quem é Jesus? 1a Ed.
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mistérios do homem que fascinou o mundo e mudou a história da humanidade.
SP: Thomas Nelson Brasil.
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[6] Lopes, H. D. 2017. Lucas: Jesus, o homem
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[8] Sproul, R.C. org., 2015. The Reformation
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[9] Berkhof, Louis. 1990. Teologia
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[10] Campos, Heber Carlos de. 2004. A união
das naturezas do Redentor. São Paulo: Cultura Cristã.
[11] Erickson, Millard J. 2015. Teologia
Sistemática. São Paulo: Vida Nova.
[12] Grudem, W. A. 1999. Teologia Sistemática:
atual e exaustiva. São Paulo: Vida Nova.
[13] A Confissão de Fé Batista de Londres de
1689. Capítulo 8: Cristo, o Mediador.